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  • Na semana passada, organizámos o Ask Me Anything Fumaça de setembro. Tivemos como convidada a jornalista e romancista Alexandra Lucas Coelho, que viajou várias vezes pelo Médio Oriente nas últimas duas décadas: pela Palestina, Líbano, Iraque, Afeganistão, Síria, entre outros países, e publicou várias reportagens e livros escritos desde lá. Entre eles Oriente Próximo, publicado em 2007, Caderno Afegão, de 2009, ou Tahrir!, de 2011.

    O Ask Me Anything é um programa mensal exclusivo para a comunidade Fumaça. Não é uma entrevista, não é uma reportagem, é uma conversa; um espaço onde as pessoas que nos apoiam podem fazer perguntas e falar com alguém especialista num tema, de maneira informal, sem grande preparação ou pesquisa. Hoje publicamos, pela primeira vez, o resultado de um desses Ask Me Anything, para que possas entender de que se trata. 

    Se quiseres poder fazer parte dos próximos, considera apoiar-nos financeiramente para que continuemos a fazer o nosso trabalho. Neste momento, já mais de 30% das nossas despesas são pagas por um grupo cada vez maior de pessoas como tu. Ajuda-nos a fazer do Fumaça o primeiro projeto de jornalismo português totalmente financiado por quem nos ouve, vê e lê. Vai a www.fumaca.pt/contribuir

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  • Três anos após o Estado ter concessionado milhares de quilómetros de subsolo à petrolífera Australis, Maria Celeste descobre que querem fazer um furo prospeção de gás natural à porta de sua casa, em Aljubarrota, Alcobaça. Nunca a avisaram. Longe dos olhares, os terrenos já tinham sido vendidos. O que deixaram na região as petrolíferas que, durante décadas, procuraram petróleo e gás no Oeste?

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  • Hoje republicamos uma entrevista gravada há mais de dois anos, em março de 2018, mas que podia ter sido feita ontem. É certo que alguns números estão datados; os atores políticos mudaram e o contexto internacional é outro. Mas há uma constante – Portugal é um país pobre, com demasiada gente pobre, olhe-se para que indicador estatístico se olhar. 

    Os dados mais recentes do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, em 2019, sobre rendimentos do ano anterior, mostram que 17,2% da população estava em risco de pobreza em 2018. Trocando por miúdos, significa que, anualmente, dispunham de menos de 6 014 euros para viver - ou seja, 501 euros por mês.

    O risco de pobreza diminuiu para os reformados e para famílias sem crianças quando comparados com os dados de 2017, mas aumentou para empregados e desempregados.
    Sem pensões, reformas e outros apoios sociais (como subsídios de desemprego, incapacidade para o trabalho, apoio à família ou rendimento social de inserção) 43,4% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza em 2018. 

    Para se perceber de forma mais aproximada a realidade da pobreza calcula-se um outro indicador, chamado “taxa de risco de pobreza ou exclusão social”, que analisa quanto ganham as pessoas, se estão em idade de trabalhar e têm ou não trabalho e a sua capacidade para aceder a um conjunto de bens e serviços. Em 2018 e 2019 a taxa risco de pobreza ou exclusão social foi de 21,6% são dois milhões duzentas e quinze mil pessoas.

    Mas o que significam e como são calculados estes dados? O que mostram e o que escondem? Foi sobre isto que em 2018 falámos com Carlos Farinha Rodrigues, doutorado em Economia e professor universitário no ISEG - Instituto Superior de Economia e Gestão. Queríamos perceber os efeitos da crise financeira de 2008, perceber quem mais tinha perdido, quem realmente a tinha pago. Hoje, em plena pandemia, presos entre uma crise de saúde pública e uma crise económica e social ainda no seu começo – para julho de 2020, a estimativa provisória do INE é de que haja 409.700 pessoas desempregadas, atirando a taxa de desemprego para 8.1%. São mais 39.400 pessoas do que em junho e mais 74 mil que em julho de 2019 – vale a pensar outra vez sobre as origens da pobreza e da desigualdade no nosso país.
    Fiquem com a entrevista. 

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  • Esta entrevista foi realizada durante a preparação e edição da peça “Dois Pontos - James Baldwin. Ninguém sabe o meu nome.”, onde podem ouvir-se excertos da conversa. Aqui, encontram a entrevista na totalidade. 

    Flávio Almada, também conhecido por LBC, é rapper, membro da Plataforma Gueto, um coletivo antirracista, e da Associação Cultural Moinho da Juventude, um projeto comunitário sediado na Cova da Moura, na Amadora.

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  • Ao longo de anos, empresas prestadoras de serviços e multinacionais fizeram crescer nas suas explorações agrícolas no sudoeste alentejano autênticas aldeias de contentores. Quatro paredes metálicas com poucas dezenas de metros quadrados servem de casa para centenas de imigrantes. Muitos são mal pagos, precários, e têm pouca ou nenhuma proteção social. No debate “Exploração da gente para a exploração da terra”, gravado ao vivo no Festival Política, em Lisboa, conversámos com Inês Cabral, que fez uma tese de mestrado sobre a receção e o impacto da imigração no concelho de Odemira, e Inês Fonseca, porta-voz do movimento Chão Nosso.

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  • Figura incontornável da pedopsiquiatria e da psicanálise em Portugal, António Coimbra de Matos dedicou grande parte da sua vida a tentar entender a depressão. Em entrevista, fala sobre a relação das doenças mentais com a família e o trabalho. Esta entrevista integra uma grande reportagem sobre saúde mental e prevenção do suicídio que publicaremos no futuro.

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  • Hoje publicamos a segunda parte da entrevista a Agostinho Costa, Major-General, antigo segundo Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana, sobre segurança e forças de segurança públicas e privadas. Se não ouviste a primeira parte, que publicámos ontem, pára aqui e vai ouvir, será mais fácil entenderes o que vais ouvir de seguida.

    Entre muitas outras funções militares, o também mestre em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada de Lisboa, comandou a Escola de Tropas Paraquedistas e chefiou o Gabinete de Planeamento e Programação do atual Instituto Universitário Militar. Aqui, ajuda-nos a perceber como se tornou o setor da segurança privada o maior corpo de segurança do país e para onde nos leva este caminho.

    Sabe mais aqui: https://bit.ly/2PFMORn 

    Esta entrevista foi realizada no âmbito de uma investigação sobre segurança privada apoiada através de uma bolsa de investigação jornalística atribuída pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 2018. O contrato pode ser consultado aqui.

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  • Hoje, publicamos a primeira entrevista, parte de uma série que estamos a preparar há mais de um ano e de que nunca vos tínhamos falado. Chegou o momento: nos próximos meses, vão ouvir-nos falar sobre segurança privada. Se pensarem bem, estas e estes profissionais estão por todo o lado: nos hipermercados, nos centros comerciais, nos hospitais e centros de saúde, nos transportes públicos, nas estações de comboio e de autocarros, nos aeroportos, nas repartições de finanças, da segurança social ou do centro de emprego. Mas quem vigia os vigilantes?

    Sabiam que este setor privado é, no seu conjunto, o maior corpo de segurança do país? Há 45 mil pessoas no ativo, das 58 mil autorizadas a trabalhar, a quem o Ministério da Administração Interna atribuiu cartão profissional. Se olharmos com atenção, há menos efetivos no conjunto dos três ramos das Forças Armadas Portuguesas (36 357, máximo autorizado, em 2020) ou na soma do total de efetivos dos corpos da PSP (20.977, em 2019) e da GNR (23.022, em 2018). Que ligações existem entre os mundos da segurança privada, as forças de segurança e o exército?

    Nos último ano, conversámos com dezenas de vigilantes. O que nos contaram fui muito mais grave do que imaginávamos: de precariedade laboral e bullying corporativo, a práticas ilegais e violentas por parte de vigilantes ou grandes empresas do setor. Porque é que isto acontece? Que papel tem o Estado em tudo isto? Como foi criado este exército de precários?

    É por isto e por muito, muito mais que estamos há meses a trabalhar nesta nova série. Mas, antes, e porque a realidade é muito complexa, achamos que deviam ouvir esta entrevista, feita num registo mais cru do que as habituais. Em maio passado, entrevistámos Agostinho Costa, Major-General, antigo segundo Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana, ex-Chefe do Estado-Maior da European Rapid Operational Force e Membro do Grupo de Reflexão Estratégica sobre Segurança. Na qualidade de investigador, co-coordenou, com o professor Nelson Lourenço, o livro “Estratégia de Segurança Nacional - Portugal Horizonte 2030”, lançado em 2018. 

    É uma conversa longa, por isso a publicaremos em duas partes – dividas entre hoje e amanhã – mas que vos dará o contexto e as bases teóricas sobre o que é isto da segurança, que papel têm as empresas de segurança privada na sociedade e quais são e devem ser as funções do Estado quando falamos do uso legal da força. 

    Sabe mais aqui: https://bit.ly/2PFMORn 

    Esta entrevista foi realizada no âmbito de uma investigação sobre segurança privada apoiada através de uma bolsa de investigação jornalística atribuída pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 2018. O contrato pode ser consultado aqui.

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  • Na última década, vários dos chamados “gestores de topo” portugueses têm sido, um a um, afastados das suas funções por alegada má gestão e corrupção, entre outras razões – umas mais legais que outras. De Zeinal Bava e Ricardo Salgado a António Mexia. Como se explica que tantos líderes das maiores empresas portuguesas caiam do pedestal?

    Esta entrevista faz parte de uma investigação Fumaça que procura responder à pergunta: “O que faz com que uma pessoa esteja mais perto do poder?”. 

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  • Como qualquer cidadão, uma pessoa presa tem direito a trabalhar e não pode ser obrigada a fazê-lo, se assim não o desejar. No entanto, na maioria dos casos, não recebe o mesmo pelo mesmo trabalho feito por uma pessoa livre. Longe disso. “Há pessoas presas que trabalham sete a oito horas por dia, em linhas de produção, têm hierarquia e recebem 60 euros por mês. O trabalho mais bem pago dentro da prisão não chega a cinco euros por dia – e é o Estado português que paga”, diz Marco Ribeiro Henriques, jurista e investigador em Direitos Humanos, Direito penal e Política Criminal, com especial foco no trabalho prisional e na condição das mulheres presas. 

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  • Republicamos a segunda reportagem sobre o Bairro 6 de Maio, originalmente publicada em outubro de 2018. 

    Segundo dados dos Censos, existiam 20.460 barracas no país, em 1991. A larga maioria situava-se na região da Grande Lisboa (12.212), do Grande Porto (1.311) e na Península de Setúbal (1.101), e as restantes estavam espalhadas pelo país. O alojamento precário foi elevado a problema nacional e o governo de então pôs em marcha um programa que prometia resolvê-lo: “nunca tão grandes incentivos foram preparados para os municípios enfrentarem, com a colaboração do governo, o problema das barracas”, dizia o então primeiro-ministro Cavaco Silva. E reforçava que “programas como este não se resolvem com discursos nem com palavras fáceis”. Assim foi: em 1993, criou-se o Programa Especial de Realojamento (PER), que pretendia erradicar todos os bairros de barracas das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

    O plano era ambicioso. Hoje, passados mais de 25 anos da sua apresentação, continua por cumprir. Das 48.416 famílias sinalizadas, 11.126 ficaram por realojar, o que significa que apenas 72% do programa foi executado. Com atrasos constantes na implementação, as famílias e os bairros foram crescendo, o que criou mais problemas. Segundo dados do Levantamento Nacional das Necessidades de Realojamento Habitacional de fevereiro de 2018, apenas 20 dos 27 municípios concluíram o programa. Bairros como o 6 de Maio, na Amadora, seguem em luta por alternativas dignas de habitação, mais de duas décadas depois da promessa.

    O que aconteceu às famílias realojadas? Para onde foram viver? Que tipo de casas lhes foram oferecidas? Que condições têm os bairros para onde os municípios as encaminharam? Que famílias estão ainda por realojar? Quem vive hoje nos terrenos onde os bairros de barracas existiam? Quem detém os terrenos e quem ganhou à custa da retirada destas pessoas?

    “Bairros PERdidos” é uma das campanhas de crowdfunding que relançámos a semana passada. Nesta investigação Fumaça, vamos perceber como correram os processos de demolição, realojamento e construção de bairros pertencentes ao PER e ao Estado português, desde 1993. Se acreditas na importância do jornalismo de investigação e queres continuar a ouvir peças do Fumaça, vai a fumaca.pt/crowdfunding e ajuda-nos a atingir o objetivo.

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  • Republicamos a primeira reportagem sobre o “Bairro 6 de Maio”, originalmente lançada em abril de 2018. 

    Segundo dados dos Censos, existiam 20.460 barracas no país, em 1991. A larga maioria situava-se na região da Grande Lisboa (12.212), do Grande Porto (1.311) e na Península de Setúbal (1.101), e as restantes estavam espalhadas pelo país. O alojamento precário foi elevado a problema nacional e o governo de então pôs em marcha um programa que prometia resolvê-lo: “nunca tão grandes incentivos foram preparados para os municípios enfrentarem, com a colaboração do governo, o problema das barracas”, dizia o então primeiro-ministro Cavaco Silva. E reforçava que “programas como este não se resolvem com discursos nem com palavras fáceis”. Assim foi: em 1993, criou-se o Programa Especial de Realojamento (PER), que pretendia erradicar todos os bairros de barracas das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

    O plano era ambicioso. Hoje, passados mais de 25 anos da sua apresentação, continua por cumprir. Das 48.416 famílias sinalizadas, 11.126 ficaram por realojar, o que significa que apenas 72% do programa foi executado. Com atrasos constantes na implementação, as famílias e os bairros foram crescendo, o que criou mais problemas. Segundo dados do Levantamento Nacional das Necessidades de Realojamento Habitacional de fevereiro de 2018, apenas 20 dos 27 municípios concluíram o programa. Bairros como o 6 de Maio, na Amadora, seguem em luta por alternativas dignas de habitação, mais de duas décadas depois da promessa.

    O que aconteceu às famílias realojadas? Para onde foram viver? Que tipo de casas lhes foram oferecidas? Que condições têm os bairros para onde os municípios as encaminharam? Que famílias estão ainda por realojar? Quem vive hoje nos terrenos onde os bairros de barracas existiam? Quem detém os terrenos e quem ganhou à custa da retirada destas pessoas?

    “Bairros PERdidos” é uma das campanhas de crowdfunding que relançámos a semana passada. Nesta investigação Fumaça, vamos perceber como correram os processos de demolição, realojamento e construção de bairros pertencentes ao PER e ao Estado português, desde 1993. Se acreditas na importância do jornalismo de investigação e queres continuar a ouvir peças do Fumaça, vai a fumaca.pt/crowdfunding e ajuda-nos a atingir o objetivo.

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  • É uma militante anti-fascista de 92 anos que esteve, durante a ditadura, cerca de duas décadas na clandestinidade. Em conjunto com o seu companheiro, o artista José Dias Coelho, criou uma oficina de falsificação de documentos para os camaradas do partido, incluindo Álvaro Cunhal, eleito líder do Partido Comunista Português em 1961, já depois de ter fugido da prisão de Peniche, um ano antes. Durante a década de 1950, os lares de Margarida e José foram dos mais importantes núcleos de resistência ao fascismo. Ficar em casa e apenas sair “para fazer coisas inadiáveis” foi exatamente a sua vida, durante duas décadas.

    Há pouco mais de dois meses, no final de abril, o Ricardo Esteves Ribeiro telefonou a Margarida Tengarrinha. Ela disse-lhe: “Oh Ricardo, eu sou das pessoas menos afetadas com isto, tive vários anos de prática!” Estava saudável, com energia e até voltou a pintar.
    Recorda a entrevista que hoje republicamos e que foi gravada ao vivo, no evento de comemoração do segundo aniversário do Fumaça.

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  • Corria abril de 2019, quando lançamos a reportagem “Bolsonaro, um mito em crise permanente”. Procurávamos explicar as origens do “mito” como passaram a chamar a Jair Bolsonaro, presidente do Brasil. 

    O caos parecia ser a estratégia do Bolsonarismo: a cada semana um novo escândalo, uma nova nova demissão ou troca de pastas. A Covid-19 só veio confirmar isso de forma mais clara. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o país é o segundo com mais casos confirmados – 1,344,143 pessoas infectadas até 30 de junho – e onde já se contam 57.622 mortes. Pior, só os Estados Unidos da América, chefiados por Donald Trump, que Bolsonaro idolatra.

    Vale a pena relembrar como um político praticamente irrelevante e sem currículo, com um histórico de declarações racistas, machistas, homofóbicas, que nega a ditadura e defende torturadores, conseguiu chegar ao Palácio do Planalto.
    Ouçam agora o episódio dois desta reportagem feita pelo Danilo Thomaz, a partir do Brasil. 

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  • Corria abril de 2019, quando lançamos a reportagem “Bolsonaro, um mito em crise permanente”. Procurávamos explicar as origens do “mito” como passaram a chamar a Jair Bolsonaro, presidente do Brasil. 

    O caos parecia ser a estratégia do Bolsonarismo: a cada semana um novo escândalo, uma nova nova demissão ou troca de pastas. A Covid-19 só veio confirmar isso de forma mais clara. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o país é o segundo com mais casos confirmados – 1,344,143 pessoas infectadas até 30 de junho – e onde já se contam 57.622 mortes. Pior, só os Estados Unidos da América, chefiados por Donald Trump, que Bolsonaro idolatra.

    Vale a pena relembrar como um político praticamente irrelevante e sem currículo, com um histórico de declarações racistas, machistas, homofóbicas, que nega a ditadura e defende torturadores, conseguiu chegar ao Palácio do Planalto. Fiquem com o episódio um desta reportagem realizada pelo Danilo Thomaz, a partir do Brasil. 

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  • Começam as línguas a brincar
    Nas glandes maciças e lindas
    Dos dois formosíssimos caralhos,
    Esbeltos, esculturais,
    Macios, veludo, mas rijo
    Como granitos imortais
    Que se modelavam ao lamber
    Daquelas línguas vermelhas
    Como rosas sem abelhas.
    (Caderno Proibido, António Botto)

    Há 61 anos morria o autor deste poema, António Botto. Em junho, mês do Orgulho e da visibilidade das pessoas LBGTI+, relembramos o legado deste “poeta de Sodoma” que escreveu em meados do século XX aquilo que não podia ser dito. No ano passado, entrevistámos Anna Klobucka, doutorada em Línguas e Literaturas Românicas pela Universidade de Harvard e autora do livro “O mundo gay de António Botto”.

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  • James Arthur Baldwin nasceu faz este agosto 96 anos. Aconteceu no Harlem, um bairro de Manhattan, a norte do estado de Nova Iorque. Foi um dos mais influentes artistas da sua geração e uma das personalidades mais relevantes do movimento pela igualdade dos direitos civis nos Estados Unidos da América, nas décadas de 50 e 60. 

    Escritor, ativista anti-racista, anti-colonialista e anti-imperialista é um autor quase desconhecido em Portugal. O pensamento e reflexões de Baldwin estavam, até há poucos anos, só acessíveis a quem percebesse inglês e soubesse da sua existência. E talvez esse renascimento só se tenha dado pela força que a imagem e o cinema têm. Em 2016, o documentário “I Am Not Your Negro” (uma co-produção francesa e estadunidense) dirigida e escrita pelo realizador haitiano Raoul Peck e narrado por Samuel L. Jackson, resgatou Baldwin do esquecimento.

    Por estranho que pareça, em dezembro de 2018, quando lançámos esta reportagem documental, só existia um livro seu traduzido e publicado por cá: “Se Esta Rua Falasse”, lançado pela Alfaguara. Entretanto, no ano passado, a mesma casa editou “Se o Disseres na Montanha” e, já este mês, “O Quarto de Giovanni”, mais de seis décadas depois de terem sido publicados em inglês. 

    O mundo discutir o racismo, o colonialismo, a escravatura nada tem de novo, como se prova pelas reflexões de Baldwin, feitas dezenas de anos. Também não é nova a ideia de que discutir estes temas e não discutir outros, como a classe, o género ou orientação sexual, exclui do debate a complexidade das desigualdades e das opressões que grupos marginalizados sempre sofreram. “Baldwin era interseccional antes de ‘interseccional’ ser uma classificação”, disse, à cadeia de televisão norte-americana NBC, Chris Freeman, linguista doutorado em língua Inglesa, professor na Universidade da Califórnia do Sul, nos Estados Unidos: “Ele é a razão porque hoje existe a palavra”.

    Afinal, um escritor queer e negro, como James Baldwin, contar em livro uma relação homossexual entre dois homens, em 1956, era estar muito à frente do seu tempo. Era perigoso, se pensarmos que “Lei dos Direitos Civis”, que proibia, pela primeira vez, a discriminação racial, religiosa e de género no acesso a emprego, a escolas, a espaços públicos ou ao direito ao voto nos Estados Unidos da América, só seria aprovada em 1964.

    Hoje, relembramos a sua vida e obra. Fiquem com a reportagem.

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  • Os protestos contra o racismo e a brutalidade policial no que no último sábado levaram milhares de pessoas às ruas de Lisboa, Porto, Coimbra e Faro foram os maiores que alguma vez aconteceram no país. E não aconteceram apenas por causa das imagens da execução de George Floyd, em Minneapolis, nos Estados Unidos da América, assassinado por um polícia chamado Derek Chauvin, que durante oito minutos o sufocou com um joelho no pescoço. Aconteceram porque, em Portugal, as pessoas negras não têm a mesma facilidade que as pessoas brancas em ver assegurados os seus Direitos Humanos. O trabalho de Joana Gorjão Henriques valeu-lhe o Prémio Gazeta de Imprensa 2017, o mais importante galardão de jornalismo em Portugal, e premiou a sua investigação sobre racismo estrutural e institucional, em que demonstrou como o preconceito racial mina os sistemas de Justiça e Educação nacionais e trava direitos constitucionais a pessoas negras, como o acesso à habitação ou ao trabalho. Ouve a entrevista que publicámos no verão de 2018.

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  • #FiqueEmCasa lia-se em letras pequeninas nos cantos dos ecrãs de todos os canais de televisão. #VaiFicarTudoBem inundava as redes sociais e adornava cartazes com arco-íris colados em montras e janelas país fora. E as pessoas sem-abrigo? Como se faz quarentena sem uma casa? Conversámos com as pessoas que resistem nas ruas do centro de Lisboa, com ou sem pandemias, mesmo quando o distanciamento social e a quarentena são impossíveis.

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  • Durante a pandemia que vivemos, a resposta do Serviço Nacional de Saúde foi posta à prova. Só em Portugal, cerca de 31 mil pessoas foram infetadas pelo novo coronavírus, milhares foram hospitalizadas e, até ao balanço desta quarta-feira, 1356 morreram. Na linha da frente do combate à Covid-19, estão profissionais de saúde de todo o país. É sobre médicos e enfermeiros que mais se tem ouvido falar, mas uma grande parte do diagnósticos destes doentes passa pelos TSDT, técnicos superior de diagnóstico e terapêutica. São dezenas de milhares de profissionais que, há mais de 20 anos, exigem a revisão da sua carreira por parte do Estado e melhores salários.

    Republicamos a reportagem de janeiro de 2019 sobre a sua luta.

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