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  • Até a presidente Comissão Europeia, Ursula von der Leyen,  já afirmou que "a vacina deve chegar a todos os cantos do planeta, o mais rápido possível”. Essa fala, que resume um ideal no combate à Covid, está, no entanto, bem longe da realidade. A começar pelo fato de que os próprios países europeus, da mesma forma que Estados Unidos e Canadá, detêm grande parte dos estoques de imunizantes disponíveis. E enquanto nesses países já se fala até em quarta dose, um continente inteiro, a África, assiste a uma vacinação extremamente lenta. Menos de 10% da população está totalmente imunizada. Os alertas da Organização Mundial da Saúde começaram lá no início da pandemia, e seguem em tom de apelo até hoje. Mas mesmo quando existe a verba, falta vacina, logística e cooperação internacional para dar conta do desafio.
    Os esforços do mecanismo Covax, criado pela Organização Mundial da Saúde para garantir uma distribuição igualitária de doses, não têm os resultados esperados. É a colaboração regional, liderada pela União Africana, que dá esperanças. Ainda assim, as diferenças entre os países dentro da África são enormes, com nações que têm menos de 1% de imunizados e outras, com mais de 20%. Com tantas dificuldades, o vírus circula e dá margem para a disseminação de variantes, como a Ômicron, que retardam o tão aguardado fim da pandemia em todo o mundo. No Ao Ponto desta quarta-feira, o pesquisador do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz, o africano Augusto Paulo Silva, que também foi vice-ministro da Saúde da Guiné-Bissau, explica quais são os principais entraves para o avanço da vacinação na África. Ele também analisa o que deve ser feito para acelerar a imunização e o impacto da pandemia sobre o combate a outras doenças, como a malária e a desnutrição.

  • Na noite desta segunda-feira, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, revogou a suspensão das transferências de recursos da União por meio das emendas do relator, mecanismo que não identifica oficialmente o parlamentar que solicitou a destinação da verba. Esse sistema, só em 2021, serve à distribuição de R$ 16,8 bilhões por escolha do Congresso. E terá um teto de R$ 16,2 bilhões no ano que vem. No começo de novembro, Rosa Weber havia determinado que cerca de R$ 12 bilhões desse montante ficariam retidos. Na ocasião, a ministra e a maioria na Corte entenderam que falta transparência e há desequilíbrio nos pagamentos efetuado por meio do chamado orçamento secreto. Na noite desta segunda-feira, diante de mudanças feitas pelo Congresso na sistemática de liberação das emendas, a ministra autorizou a execução. E argumentou que as alterações aprovadas pelos parlamentares são suficientes para evitar o prejuízo causado pela paralisação de inúmeras obras pelo país.

    Mas o Congresso resistiu o quanto pôde para não dar transparência a essas despesas. E ainda há uma série de dúvidas sobre a apresentação das informações sobre cada repasse. Rosa Weber solicitou maiores informações do Legislativo antes de liberar o mérito do julgamento. A ministra também reduziu de 180 para 90 dias o prazo pedido pelo Senado para a adequação às medidas de transparência para as emendas passadas, sem prejuízo de uma nova prorrogação. No Ao Ponto desta terça-feira, as repórteres Mariana Muniz e Julia Lindner explicam em que condições a ministra Rosa Weber liberou esses pagamentos bilionários e até que ponto a transparência desses gastos está ou não assegurada.

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  • No início dos anos 2000, a patrulha policial ‘Patamo 500’ reuniu os autores de dois dos homicídios de maior repercussão da história recente do Rio de Janeiro: Ronnie Lessa, preso acusado de executar a vereadora Marielle Franco, e Claudio Oliveira, o tenente-coronel condenado por ordenar o assassinato da juíza Patrícia Acioli. A trajetória de crimes da patrulha policial se insere na “fábrica de homicídios” montada com a expansão das milícias no Rio de Janeiro. Por muito tempo, os crimes têm passado ilesos da polícia. Mas os detalhes das investigações voltam à tona, acompanhados de informações exclusivas, em “Pistoleiros”, primeiro podcast original Globoplay produzido pelo jornal O Globo.
    A produção estreou neste domingo (5) com assinatura do jornalista Rafael Soares, que tem dez anos de experiência na cobertura de segurança pública e foi o primeiro brasileiro vencedor do prêmio Kurt Schork de Jornalismo Internacional. A série traz cinco episódios, em publicações diárias, que mergulham nos detalhes de crimes de grande notoriedade nunca solucionados no Rio de Janeiro. A ideia é traçar um panorama dos efeitos da pistolagem no estado, a partir das histórias de matadores de aluguel e dos rastros que eles deixaram. A produção nasceu de uma investigação jornalística iniciada por Soares em agosto de 2020 para ser publicada em uma série de reportagens, e acabou migrando para o formato de podcast. No Ao Ponto desta segunda-feira, o jornalista conta o que o ouvinte encontrará na série, e como ela ajuda a entender a trajetória dos pistoleiros mais temidos do Rio e como esse mercado se formou.

  • O novo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que tomará posse no dia 16 de dezembro, nunca escondeu que seria um evangélico na Corte. Na quarta-feira, após ter seu nome aprovado pelo Senado, até exagerou na comemoração, parafraseando o astronauta Neil Armstrong - a primeira pessoa a pisar na Lua - ao dizer que sua vitória foi "um passo para um homem, um salto para os evangélicos". Porém, na sabatina pela qual passou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, presidida pelo rival Davi Alcolumbre, o substituto do ministro Marco Aurélio deixou a Bíblia de lado e disse que se pautará pela Constituição, inclusive em temas sensíveis para ele como o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "Na vida, a Bíblia. No Supremo, a Constituição", assegurou. Nos próximos meses, o ex-advogado-geral da União de Bolsonaro terá inúmeras oportunidades para deixar claro o perfil que prevalecerá no STF.
    Após ficar com sua indicação paralisada no Senado por decisão de Alcolumbre por quatro meses, Mendonça terá pela frente processos que interessam ao governo e a relatoria de mais de 900 ações do estoque do gabinete do ministro aposentado Marco Aurélio Mello. Sob sua relatoria, há temas caros para a chamada agenda de costumes de Bolsonaro e também para o presidente da Câmara, Arthur Lira, que responde a ações penais. No plenário, também são inúmeros os temas considerados sensíveis pelo Planalto, como o marco temporal para definição de demarcação de terras indígenas e os decretos que facilitam a compra e o porte de armas de fogo. Além disso, ele deve dar o voto de desempate em alguns julgamentos que já foram iniciados. No Ao Ponto desta quinta-feira, a repórter Mariana Muniz, que atua no Supremo, analisa a expectativa na Corte para a chegada de Mendonça. A repórter Mariana Carneiro, da coluna da Malu Gaspar, conta os bastidores no Congresso, após a vitória apertada e avalia a disposição dos líderes evangélicos em buscar revanche contra possíveis traidores na votação.

  • A confirmação da nova variante do coronavírus, na África do Sul, deixou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em alerta. Esse conjunto de mutações do vírus, denominado de Ômicron, não é o primeiro, e não será o último derivado do agente causador da Covid-19. O aparecimento de variantes é um evento natural dentro do processo evolutivo de todo vírus. A maioria dessas mutações não tem grande impacto na disseminação viral. Mas dependendo da localização dessas alterações no material genético do vírus, elas podem afetar características essenciais como transmissão ou gravidade. E aí entra uma preocupação maior: se as alterações que a Ômicron carrega seriam capazes de driblar a ação das vacinas hoje disponíveis contra a Covid.
    Os cientistas estão alarmados com as 50 mutações encontradas no vírus, 32 delas na proteína spike, a chave que ele usa para entrar nas células, e ali se multiplicar. Por enquanto, pouco se sabe sobre os efeitos dessas mutações. Por isso, ainda é preciso descobrir como essa nova variante reage às vacinas, qual é seu grau de transmissão e gravidade. As farmacêuticas já começaram a fazer os testes de eficácia de seus imunizantes. Enquanto isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), comunicou que, no cenário atual do Brasil, as vacinas permanecem efetivas contra hospitalizações e mortes. No Ao Ponto desta quinta-feira, a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim/Regional-SP), Melissa Palmieri, explica o que pode determinar a mudança ou não a fórmula de uma vacina diante de uma nova variante. A professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e ex-diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP, Ester Sabino, trata sobre os sinais que indicam aos cientistas sobre a necessidade de adaptação dos imunizantes hoje disponíveis.

  • Foram 242 vítimas, sendo que a maioria perdeu a vida por asfixia. Outros 636 jovens ficaram feridos em uma das piores tragédias da história do país. A partir desta quarta-feira, as lembranças do incêndio na boate Kiss, no dia 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria (RS), voltarão à tona, quando o Tribunal do Júri começa a analisar as acusações contra os dois donos da casa noturna, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo dos Santos, e o produtor musical Luciano Bonilha Leão. O processo tem nove mil páginas. E pela quantidade de réus, vítimas e testemunhas, esse pode se transformar em um dos julgamentos mais longos do Judiciário brasileiro.
    A sentença é aguardada com expectativa por familiares das vítimas e sobreviventes, muitos com sequelas até hoje. Os quatro réus são acusados de homicídio simples com dolo eventual de 242 pessoas e outras 636 tentativas de homicídio pelo Ministério Público. A decisão caberá aos sete jurados do Tribunal do Júri, que será reunido em Porto Alegre, após uma longa disputa entre defesa e acusação, que foi parar no Superior Tribunal de Justiça (STJ). No Ao Ponto desta quarta-feira, o jornalista Humberto Trezzi, repórter do jornal Zero Hora, conta os principais desdobramentos do caso ao longo de quase nove anos, desde as disputas entre Polícia Civil e Ministério Público até a expectativa de todas as partes. Em 2013, Trezzi chegou ao local do incêndio quando bombeiros e voluntários ainda retiravam corpos. E, no começo de novembro de 2021, ele retornou ao local e conta o que viu do lado de dentro do prédio. "É impressionante como está tudo intocado. Eu vi copos sobre as mesas ainda. Olha, eu vou dizer uma coisa: é assustador".

  • No Rio Madeira, não há título de lavra ou licença ambiental para a extração de ouro. A atividade é ilegal e, por isso, no último sábado, a Polícia Federal, com o apoio das forças armadas, destruiu, com o uso do fogo, uma cidade fluvial, com mais de 300 balsas, erguida rapidamente no município de Autazes, a 120 quilômetros de Manaus. Muitos garimpeiros confiaram na impunidade. Fizeram das balsas a própria casa e, agora, ficaram no prejuízo. Desde sábado, as equipes percorrem o Rio Madeira em busca desses garimpeiros. Em dois dias de operação, três pessoas foram presas e 131 balsas de garimpo foram apreendidas e destruídas. Mas quem financia o garimpo segue livre e longe das autoridades. E o avanço da atividade em direção ao Norte revela apenas um pedaço do problema.
    Os garimpeiros, muitos deles avisados com antecedência da operação, que só aconteceu após as imagens da extração ilegal de ouro no Rio Madeira correrem o mundo, fugiram para o Sul. Continuam no mesmo Rio Madeira, só que mais perto de Rondônia, o que joga luz sobre a raiz do garimpo ilegal. Dados da plataforma MapBiomas, mostram que a área garimpeira na bacia do Rio Madeira aumentou quase seis mil hectares de 2007 à 2020. E no ano passado, o número de garimpos de solo detectados na área foi recorde. A extração ilegal de minério, que ameaça o Rio Madeira de contaminação por mercúrio, já é rotina há muito tempo longe de Manaus. E a legalização da atividade conta com o apoio de muita gente, de empresários a políticos, como Simão Peixoto, o prefeito de Borba, cidade onde os garimpeiros expulsos de Autazes se refugiaram. No Ao Ponto desta terça-feira, o repórter Eduardo Gonçalves, descreve a situação do garimpo ilegal no Rio Madeira. Ele conta anda o ânimo dos garimpeiros para retomar a atividade ilegal, após o término da operação policial.

  • “O metaverso é o próximo capítulo da internet”, afirmou o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, ao anunciar a mudança no nome da sua empresa, que controla a rede social, e também o Instagram e o WhatsApp, para Meta. A companhia já anunciou que vai investir US$ 50 milhões na construção do metaverso, gerando pelo menos 10 mil empregos diretos. E a Meta não está sozinha. Outras gigantes da tecnologia, como a Microsoft, têm investido pesado em soluções tecnológicas para essa nova realidade digital, um mundo hoje capitaneado pela indústria de games, como Fortnite e Roblox. Segundo projeções da Bloomberg Intelligence Unit, o metaverso deve movimentar US$ 800 bilhões até 2024.
    A nova tecnologia promete revolucionar o modo como consumimos internet, pois promete materalizar a conexão nos inserindo em um ambiente virtual 3D. No Ao Ponto desta segunda-feira, a repórter Carolina Nalin vai explicar o que é o metaverso e como ela vai afetar as nossas vidas. Ela também esclarece como essa tecnologia pode ultrapassar o mundo dos games e chegar, por exemplo, no campo corporativo, fomentando o mercado de startups e de geração de empregos.2

  • O namoro foi demorado, cheio de idas e vindas. Mas, agora, parece que o presidente Jair Bolsonaro acertou de vez os ponteiros com o chefe do PL, o ex-deputado Valdemar Costa Neto. O casamento está marcado para o dia 30 e o contrato pré-nupcial é cheio de regras. Por isso mesmo, a filiação ao partido correu riscos até o último minuto. Em entrevista à rádio Sociedade da Bahia, na quinta-feira, Bolsonaro explicou o que seria a condição mais importante para ingressar no PL: impedir qualquer tipo de aliança com legendas de esquerda. Mas a realidade mostra que não é bem assim. Nem todos os acordos regionais do PL estão na mira do presidente. E, principalmente, as condicionantes apresentadas também estão fora da esquerda.
    Valdemar Costa Neto descumprirá acordos previamente acertados com nomes identificados com a direita e a centro-direita. Não deve apoiar a candidatura do vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, que se lançará ao Palácio dos Bandeirantes pelo PSDB. Na Bahia, quem ficará sem apoio do PL é ACM Neto, do DEM, que demarcou sua distância do presidente no lançamento do União Brasil, partido que resultará da fusão com o PSL. No Ao Ponto desta sexta-feira, a repórter Natália Portinari explica o que muda no xadrez eleitoral com a filiação do presidente ao PL. A colunista Bela Megale analisa de que forma que a filiação de Bolsonaro impacta os planos dos ministros do governo nas eleições de 2022.

  • A exploração ilegal de ouro e de outros minerais é um problema que se perpetua por mais de quatro décadas na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Nos últimos anos, a situação se agravou com o estímulo à presença de garimpeiros nessa região. A atividade criminosa acaba com a vida dos rios que abastecem 370 aldeias da maior reserva indígena do país. Ocorre que o avanço das ações ilícitas coincide com um surto de malária e com o descaso das autoridades de saúde. Nos últimos dois anos, foram registrados 44 mil casos da doença nas comunidades. A malária e também a subnutrição fazem das crianças as principais vítimas. E, nesse contexto, na ausência de suporte estatal, a relação cada vez mais estreita entre indígenas e garimpeiros transforma o invasor em um aliado eventual.
    A reportagem do GLOBO obteve o relato de um entre tantos garimpeiros que, de tão próximos às comunidades, acabam suprindo parte das graves deficiências de atendimento médico dentro da reserva. O governo garante que investe e dá suporte, mas a própria Funai reconhece que desde março de 2020, no começo da pandemia, a entrada de médicos e profissionais de saúde da Fiocruz está proibida. O Ministério da Saúde diz que nesse período realizou 16 missões para atender as aldeias. Mas os indígenas relatam um cenário de abandono, no qual faltam remédios, inclusive cloroquina, alimentos e água potável. No Ao Ponto desta quinta-feira, o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana, Junior Hekurari, relata a dimensão dos estragos causados pelo surto de malária sem a devida assistência das autoridades de saúde. E conta de que forma até os garimpeiros acabam por auxiliar a suprir parte das necessidades por medicamentos e alimentos.

  • Uma orgia de violência. Foi assim que o prefeito de Roterdã classificou a ação de manifestantes que foram às ruas da cidade holandesa protestar contra restrições adotadas para conter o avanço da Covid-19. Após a Holanda atingir o pico de novos casos desde o início da pandemia, a queima de fogos do reveillon foi suspensa pelo segundo ano consecutivo, e o funcionamento de bares e academias sofre restrições. Com um pouco mais de 72% de toda população vacinada, a Holanda é um dos países com o maior crescimento de casos da doença na Europa. A situação é ainda mais preocupante na Áustria, que se tornou o primeiro país da Europa a voltar com o lockdown nacional para enfrentar a doença. O governo austríaco resolveu adotar medidas ainda mais duras para enfrentar a quarta onda de infecções, que faz com que a Europa seja o único continente em que as mortes crescem neste momento.
    Os especialistas são unânimes em afirmar que na Áustria, assim como na Holanda, na Alemanha, na Bélgica, na França ou na Letônia, a população vacinada paga o preço pela resistência de quem recusa a imunização. Apenas 60% dos letões estão vacinados, enquanto a média da União Europeia é de 75%. Na Áustria, estimulados pelo Partido da Liberdade, de extrema-direita, milhares de pessoas foram às ruas de Viena protestar contra a vacinação obrigatória, que deve entrar em vigor a partir de primeiro de fevereiro de 2022. A Organização Mundial da Saúde alertou que a Europa pode registrar, até março, 700 mil novas mortes pela Covid. E o ministro da Saúde da Alemanha fez um apelo para que mais gente se vacine, segundo ele, ao final do inverno, o país estará dividido entre os vacinados, os recuperados e os mortos. No Ao Ponto desta quarta-feira, a repórter Viviam Oswald, radicada em Londres, fala sobre os estragos causados pela resistência a vacinação. Ela ainda analisa de que forma o continente se fecha, cada vez mais, as pessoas que rejeitam o imunizante.

  • Milhares de brasileiros já passaram, estão passando ou vão passar por vazamentos de seus dados na internet ou por golpes decorrentes disso. Gente como a Cecília Rodrigues, de 61 anos, da cidade de Rio Pomba (MG), que teve seus dados utilizados de maneira indevida e agora contesta dívidas de uma operadora de telefonia. "Até hoje não sei como meus dados foram vazados, e como conseguiram abrir uma conta em meu nome", lamenta. Na verdade, ninguém está livre do risco de ver seus dados serem vazados indevidamente e chegarem às mãos de criminosos. Além dos vazamentos em massa de bancos de dados de empresas como operadoras de telefonia, há ainda as tentativas de captura das informações que usamos na internet. De uma forma ou outra, todas modalidades levam ao caminho dos golpes, em pequena ou larga escala.
    Apenas do terceiro trimestre deste ano, um dispositivo da PSafe, empresa especializada em segurança digital, bloqueou 12 milhões de programas maliciosos, que funcionam como vírus e contaminam computadores e celulares. Houve uma alta de 150% em relação ao trimestre anterior. E tudo isso exige atenção individual, mas também das empresas que, muitas vezes, investem aquém do necessário para evitar as ações criminosas. No Ao Ponto desta terça-feira, a repórter Pollyana Bretas explica como detectar se seus dados estão sendo utilizados de maneira indevida. Ela também analisa o papel das empresas na prevenção de danos com vazamentos de informações pessoais e de que forma a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) protege os usuários da internet.

  • No Brasil e no mundo, os créditos de carbono e o chamado mercado de carbono se tornaram figurinha repetida no noticiário sobre as mudanças climáticas. O pagamento pelas emissões e os créditos recebidos por quem faz o dever de casa estão na lista das iniciativas mais importantes para alcançar as metas do acordo de Paris, que demandam investimentos multibilionários. E os países enfrentam dificuldades para decidir como essa conta será paga. É nesse contexto que o funcionamento desse mercado é de grande importância. O problema é que, na prática, sua implementação, principalmente na condição de um sistema internacional de créditos de carbono, ainda é um grande desafio.
    Entre os desafios para implementar o mercado internacional estão a definição do preço da tonelada de carbono, a contabilização das emissões e o gerenciamento dos fluxos financeiros. São questões-chave que foram discutidas durante a conferência do clima, em Glasgow, que terminou no começo de novembro. E alguns avanços importantes no sentido de regulamentar esse mercado foram conquistados. E o Brasil pode ser um dos maiores beneficiados, com estimativas de ganhos bilionários nos próximos anos. No Ao Ponto desta segunda-feira, que integra o projeto Um Só Planeta, Marina Mattar, integrante brasileira do comitê do Banco Mundial criado para discutir a precificação de carbono, explica como funciona esse mercado e os desafios para implementação do sistema que pode ser decisivo para neutralizar as emissões de gases que aceleram o aquecimento global.

  • Realizada em 10 de novembro, a última edição de 2021 do E AGORA, BRASIL? discutiu o reaquecimento do turismo no país. Participaram Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação; Carina Câmara, coordenadora da Câmara Temática de Turismo do Consórcio Nordeste; Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil; Leonel Andrade, presidente da CVC; e Magda Nassar, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens. A mediação é de Mariana Barbosa, colunista do GLOBO, e Maria Luiza Filgueiras, colunista do Valor Econômico. O E AGORA, BRASIL? é uma realização dos jornais O GLOBO e Valor Econômico, com patrocínio do Sistema Comércio através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações.

  • Os primeiros dias de pagamento do programa que vai substituir o Bolsa Família fizeram que que muitos brasileiros enfrentassem filas em agências da Caixa Econômica Federal e Centros de Referência de Assistência Social (Cras). Foram inúmeras as capitais, como Salvador, Rio, Goiânia, Belo Horizonte e Recife, em que a fila dobrou o quarteirão. Mas, pior que a fila, é a desinformação. Muita gente foi para as agências da Caixa sem saber se voltaria para casa com o dinheiro do Auxílio Brasil. Não foram poucos aqueles que ficaram sem nada. Outros receberam o valor do Bolsa Família, mas acreditavam no depósito de 400 reais, que ainda nem está garantido. Um terceiro grupo também enfrentou fila, era o pessoal que recebeu a última parcela do auxílio emergencial e que não sabe como vai ficar agora. A confusão é grande porque o substituto do Bolsa Família foi para a rua sem que houvesse a conclusão de todas os estudos e mudanças legais previstas para sua implementação.
    A PEC que pode garantir o pagamento de 400 reais ainda segue em tramitação no Congresso e sujeita a mudanças, o que deve retardar sua aprovação. A forma como serão incluídos novos beneficiários também não está clara. Ninguém sabe hoje, no detalhe, quem ficará dentro ou fora do novo programa de transferência de renda. No Ao Ponto desta sexta-feira, a jornalista Martha Imenes relata as dificuldades enfrentadas pela população para receber o benefício por meio do programa social. O economista Ricardo Henriques analisa as falhas de concepção do programa criado para substituir o Bolsa Família.

  • Em março desse ano, enviados de alto nível de China e Estados Unidos participaram de uma tensa rodada de negociações no Alaska. Os chineses acusaram os americanos de usar a força militar e a hegemonia econômica para prejudicar seus negócios e incitar ataques de outras nações. Os americanos sustentaram que os chineses ameaçam a ordem baseada em regras que mantém a estabilidade global. Nesse clima, considerado por muitos analistas como o pior momento da relação entre os dois países, o presidente americano Joe Biden e o chinês Xi Jinping fizeram uma videoconferência de mais de três horas, que terminou na madrugada de terça-feira. Não houve grandes anúncios, como já era esperado. Mas, para muitos, o simples encontro entre Biden e Xi, velhos conhecidos da arena internacional, foi visto como um recomeço.
    Por trás dessa tensão crescente estão a competição comercial entre os dois gigantes, com a entrada cada vez mais agressiva da China nos mercados de tecnologia e infraestrutura, e os temas militares, como a constante pressão chinesa sobre Taiwan, uma democracia aliada de Washington. Parlamentares do Partido Democrata, do presidente Joe Biden, também consideram prioridade a diminuição do risco nuclear que a China representa. No Ao Ponto desta quinta-feira, os professores de Relações Internacionais Maurício Santoro (Uerj) e Gustavo Poggio (Faap), especialistas nas políticas de China e Estados Unidos, da Faap, analisam os temas mais sensíveis das negociações entre Joe Biden e Xi Jinping e o que é possível esperar da retomada do diálogo entre os líderes de China e EUA. Eles também explicam como a competição entre as duas potências reproduz os embates entre americanos e soviéticos na guerra fria.

  • Depois de anunciar para o próximo dia 22 o seu ingresso no PL, Jair Bolsonaro recuou e pôs em compasso de espera sua entrada no partido de Valdemar Costa Neto. As negociações esfriaram depois que o presidente e o chefe do partido se desentenderam sobre acordos regionais para as eleições do ano que vem. Em São Paulo, o PL deve apoiar o vice-governador Rodrigo Garcia. Já Bolsonaro aposta suas fichas na candidatura do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que serviria como um puxador de votos no maior colégio eleitoral do país. Após uma intensa troca de mensagens entre os dois, na madrugada de domingo, Bolsonaro decidiu cancelar o ato de filiação. Esse episódio com o PL, porém, é apenas mais um entre os diferentes "namoros" que o presidente iniciou, de olho na disputa de 2022, mas que podem ficar pelo caminho.
    Nos últimos meses, Bolsonaro negociou para ingressar no PP do chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, outro expoente do centrão. Esse ano também, fez sondagens com o Partido da Mulher Brasileira (PMB) e com o Patriota. Bolsonaro conversou ainda com o PTB, de Roberto Jeferson, que, agora, reclama de ter sido abandonado. Anteriormente, Bolsonaro ainda se esforçou para criar o seu próprio partido, o Aliança pelo Brasil, que não emplacou por não ter alcançado as 492 mil assinaturas necessárias para a sua oficialização. No Ao Ponto desta quarta-feira, o colunista Bernardo Mello Franco analisa os motivos de Bolsonaro enfrentar tantas dificuldades para escolher seu novo partido, e como o presidente pode se beneficiar desses impasses para fortalecer sua imagem junto ao seu eleitorado mais fiel.

  • Por quatro votos a um, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou todas as provas produzidas a partir de despachos do juiz Flávio Itabaiana no caso das “rachadinhas” do gabinete do senador Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, à época em que exercia o mandato de deputado estadual. Trata-se da mais importante vitória do parlamentar em sua batalha jurídica contra as apurações do Ministério Público sobre o esquema, que já levaram à denúncia de Flávio, seu ex-assessor Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas. A defesa do senador alega inocência e diz que o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro é alvo de perseguição. Também sustentou junto ao STJ que o juiz de primeira instância, designado para o caso por meio de sorteio, não teria competência legal para determinar as diligências que ampararam a investigação.
    Com a decisão dos ministros da Corte em Brasília, os achados obtidos a partir de decisões judiciais de primeira instância perderam validade. Na lista de provas descartadas estão os dados das quebras de sigilo bancário e fiscal de Flávio, e de Queiroz, que foram decisivos para comprovar que os funcionários devolviam parte dos salários que recebiam no gabinete.  No Ao Ponto desta terça-feira, o repórter especial Chico Otávio analisa as implicações da decisão do STJ e as possíveis medidas que poderão ser tomadas pelo Ministério Público a partir de agora. Ele também conta os bastidores do clima entre os investigadores após o caso voltar praticamente à estaca zero.

  • Às vésperas do encerramento da Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Glasgow, na Escócia, o financiamento das ações de combate ao aquecimento global está no centro das discussões. A conta é salgada e complexa. Envolve a reparação de danos dos eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas; o apoio a países pobres e em desenvolvimento para conviver com um planeta mais quente; e, por fim, os investimentos necessários para transformar a economia e fazê-la cada vez menos dependente dos combustíveis fósseis, de forma a alcançar as metas de redução das emissões de carbono na atmosfera definidas a partir do Acordo de Paris. E falta muito para que haja consenso entre as nações para definir quem paga a fatura e de que forma isso deve ser feito.
    Os negociadores na Cop26 lutam para os países ricos firmem o compromisso de reunir, por ano, US$ 100 bilhões para ajudar nações pobres a lidarem com as mudanças climáticas. O primeiro problema é que essa quantia dá conta de apenas uma fração dos esforços globais necessários para frear o impacto do aquecimento global, já que serve apenas como ajuda aos países pobres. A segunda questão é que esse dinheiro já deveria ter sido mobilizado em 2020, segundo acordo firmado na COP-15, em 2009, o que não aconteceu. No Ao Ponto desta sexta-feira, que integra o projeto Um Só Planeta, o coordenador do MapBiomas, o engenheiro florestal Tasso Azevedo explica a disputa entre países ricos, pobres e em desenvolvimento para definir quem vai arcar com os custos para conter os efeitos das mudanças climáticas. Ele também analisa o papel do Brasil no debate sobre os recursos que devem financiar uma economia sustentável.

  • Depois de escapar de um impeachment após os protestos em Santiago e nas principais cidades do Chile, entre 2019 e 2020, o presidente Sebastián Piñera enfrenta um segundo processo que pode abreviar seu mandato. Acusado de corrupção na venda de uma mineradora da sua família, Piñera tenta evitar a perda do cargo e uma punição que o deixaria inelegível por cinco anos. O pedido da oposição já foi aprovado na Câmara dos Deputados, e agora tramita no Senado, que deve anunciar sua decisão no começo da próxima semana. Tudo isso ocorre a menos de quinze dias das eleições que definirão o novo chefe do executivo do país, em uma disputa que agora se dá entre a esquerda, liderada pelo ex-líder estudantil Gabriel Boric, e a extrema-direita, representada Jose Antonio Kast, defensor do governo Pinochet e que tem posições semelhantes às do presidente Jair Bolsonaro.
    Reflexo do delicado momento político de Piñera, o candidato de centro-direita, apoiado pelo governo, está sem expressividade nas pesquisas. Já Jose Antonio Kast era tido, no início, como uma candidatura difícil de emplacar, mas virou um azarão, assumiu a dianteira em pesquisas e tentar capturar parte do eleitorado de Piñera. No Ao Ponto desta quinta-feira, os repórteres André Duchiade e Janaína Figueiredo explicam como está o processo de impeachment e analisam a disputa eleitoral marcada para o próximo dia 21. Eles também detalham o perfil de Kast e de seu opositor, considerado um político moderado do campo de esquerda.