Episódios

  • Entre 2020 e 2022 dobrou o percentual de casas que não conseguem garantir alimentação básica para menores de até 10 anos. Hoje, 3 em cada 10 famílias brasileiras sofrem com a subalimentação infantil – uma crise social cujas consequências poderão ser vistas e sentidas daqui a décadas, diante de uma população com déficit de aprendizado e problemas crônicos de saúde. E os recursos federais para a merenda escolar, única refeição garantida de milhões de crianças e adolescentes, perdem valor de compra ano a ano desde 2017, data do último reajuste: o repasse por aluno, atualmente, varia entre R$ 0,36 e R$ 1,07. Para entender os impactos da falta de comida no desenvolvimento infantil e o lugar da escola na garantia de segurança alimentar, Natuza Nery conversa com a sanitarista Márcia Machado, professora da Universidade Federal do Ceará, e com a nutricionista Gabriele Carvalho, do Observatório da Alimentação Escolar e da Fian Brasil. Neste episódio:
    - Márcia descreve como a fome compromete a interação social, o desenvolvimento cognitivo e afeta a incidência de violência dos jovens: “é um desastre como civilidade”;
    - Ela fala dos riscos que envolvem uma dieta baseada em alimentos ultra processados. São produtos, afirma, que não têm “as qualidades nutricionais que as crianças precisam” e podem causar obesidade;
    - Gabriele explica a importância do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) como garantia legal para que crianças, jovens e adultos estudantes acessem alimentação de qualidade – e também como forma de financiamento à agricultura familiar;
    - A nutricionista explica por que o repasse anual de R$ 3,9 bilhões do governo federal para as escolas é insuficiente e reduz profundamente a qualidade da comida servida. “Para recompor as perdas, o valor do programa para 2023 deveria corresponder a R$ 7,9 bilhões”.

  • Classificado para as oitavas-de-final da Copa do Mundo, o Brasil entra em campo com o time reserva no último jogo da fase de grupos – contra Camarões, nesta sexta-feira. É a oportunidade de os torcedores brasileiros conhecerem o alto nível do elenco à disposição de Tite no Catar: um grupo de jovens atletas que já são protagonistas nos maiores clubes da Europa. Natuza Nery conversa com Martín Fernandez, colunista do ge e do Jornal O Globo que está no Catar. Neste episódio:

    - Martín explica por que o Brasil "tem no banco vários jogadores que seriam titulares em outras seleções";
    - Ele enfatiza que somos "o maior mercado exportador de pé-de-obra" para um "mercado europeu que busca jogadores cada vez mais jovens";
    - Para Martín, o futebol atual está "baseado em pressão" e, portanto, é "de muita exigência física", o que favorece atletas de menos idade;
    - Ele comenta ainda quem deve se destacar no elenco brasileiro e avalia as reais chances do hexa.

  • Estão a faltar episódios?

    Clique aqui para atualizar o feed.

  • Em setembro, Mahsa Amini foi presa pela Polícia da Moralidade sob a justificativa de que não estaria cumprindo as regras de vestimentas impostas às mulheres no Irã. Três dias depois, a jovem curda de 22 anos morreu sob a custódia do Estado. Foi o estopim para uma onda de manifestações que se espalharam rapidamente por todo o país. Os protestos, majoritariamente liderados por mulheres, se alongam pelo terceiro mês seguido, com manifestações chegando até a Copa. Natuza Nery conversa com Adriana Carranca, jornalista e autora do livro "Entre Sonhos e Dragões", com duas personagens nascidas no Irã. Neste episódio:

    - Adriana Carranca destaca que, ao contrário de manifestações anteriores, dessa vez estão nas ruas pessoas de diversas idades, etnias e regiões;
    - Ela descreve como as novas gerações de mulheres, desde a Revolução Islâmica de 1979, "foram encontrando seus caminhos para desafiar o regime ditatorial";
    - A jornalista dá seu testemunho em relação à repressão da Polícia da Moralidade: “Eu via prisões de mulheres iranianas todos os dias”.

  • Entre os 31 grupos temáticos da transição, uma ausência: a Defesa. Para romper a falta de articulação do governo eleito com o comando militar, Lula (PT) lança mão de ex-chefes das Forças Armadas e de nome tradicional da política - que se tornou o favorito para assumir a pasta. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Fabio Victor, jornalista e autor do livro "Poder Camuflado: Os militares e a política, do fim da ditadura à aliança com Bolsonaro". Neste episódio:

    - Fabio Victor explica que “há um componente político-ideológico" na rejeição dos militares em relação à esquerda, que insuflou o anti-lulismo e o anti-petismo;

    - Relembra os elementos que fizeram do período 2014-2016 uma “tempestade perfeita” para deteriorar a trégua entre militares e os governos do PT;

    - Como o fato de um civil ocupar a Defesa é “premissa básica” para garantir a subordinação do poder militar ao poder civil – tradição rompida por Michel Temer (2018) e mantida por Bolsonaro;

    - Avalia quais são as condições para reverter o processo de politização das Forças Armadas.

  • A política de Covid zero adotada pelo governo chinês fez a nação com a maior população do mundo registrar menos de 31 mil mortes em quase três anos de pandemia. Com o recente aumento do número de casos, novos lockdowns foram adotados. E parte da população se mostra insatisfeita, principalmente depois de um incêndio matar dez pessoas em uma cidade no oeste do país. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Rodrigo Zeidan. Professor da Universidade de Nova York em Xangai e da Fundação Dom Cabral, ele relata direto da China como – ao contrário do que se pensa – protestos são comuns por lá. Você vai ouvir:

    - Zeidan revela o caráter espontâneo e descentralizado das manifestações, o que inibe punições significativas;
    - Como os valores do confucionismo orientam a maioria dos chineses a endossar a política de Covid zero;
    - Nomeado pelo Partido para um terceiro mandato de 5 anos, Xi Jinping "seguramente vai terminar o mandato”, diz Zeidan, mesmo com parte da população insatisfeita.

  • Os últimos 4 anos escancararam a política de “todo mundo armado”, exposta ao público por Bolsonaro (PL) na reunião ministerial de abril de 2020. Dezenas de decretos e portarias assinadas pelo presidente reduziram o controle, o rastreio e a fiscalização de armas e munições. E a flexibilização de requisitos para o registro de CAC (caçadores, atiradores e colecionadores) ampliou para cerca de 700 mil pessoas o direito de comprar até 60 armas (30 delas de uso restrito) e 180 mil balas anualmente. O governo eleito e o grupo de transição responsável pela Justiça e Segurança Pública já anunciaram que uma das prioridades a partir de 1º de janeiro será reverter o “liberou geral” de Bolsonaro para armas de fogo e recuperar normas de controle do Estatuto do Desarmamento, de 2003. Natuza Nery conversa com Flávio Dino (PSB), senador eleito pelo Maranhão e integrante do GT de Justiça e Segurança Pública, e com a advogada e socióloga Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz. Neste episódio você ouvirá:

    - Flávio Dino aponta para a “grande ameaça” que é o crescimento desenfreado de CACs desde 2019 - já são mais pessoas com o registro do que policiais militares e do que membros do Exército em todo o país;

    - O senador eleito reforça a posição do próximo governo sobre o aumento de fiscalização de combate ao armamento, que, afirma, “deve ser restrito às forças de segurança”;

    - Carolina Ricardo alerta para a destinação de armas de fogo de alto poder destrutivo: fuzis chegam às mãos de grupos criminosos via “cooptação de laranjas ou falsificação de cadastro”;

    - Ela sugere que, para reduzir a quantidade de armas nas mãos dos civis, será necessário estabelecer novas e mais rígidas regras – mas descarta a ideia de confisco.

  • Em tudo diferente de 20 anos atrás, quando recebeu a faixa presidencial do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula (PT) lida com uma transferência de poder atípica. Jair Bolsonaro sequer cumprimentou o adversário, em clima de total falta de cooperação. Lula montou uma equipe de transição com mais de 300 integrantes, mas importantes definições seguem em aberto. Natuza Nery conversa com a jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo. Neste episódio:

    - Malu relata que a PEC da Transição, projeto urgente, carece da confirmação de um ministro da Fazenda que possa negociar com o Congresso;
    - Ela explica como o Orçamento Secreto e o Fundo Eleitoral diminuem o espaço de barganha entre o novo governo e os parlamentares;
    - É no xadrez da política, da formação da base de apoio, "que vai depender todo o futuro governo";
    - E indica que as cobranças na nomeação de ministérios como Casa Civil e Fazenda têm uma razão simples: "quanto mais você demora, mais seu adversário toma conta".

  • Depois de 19 dias recluso no Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro (PL) voltou a dar expediente no Planalto – mas apenas por 5 horas e em regime de silêncio público. Em paralelo à clausura do presidente, o movimento golpista ganhou corpo: os comandantes das Forças Armadas publicaram notas ambíguas e o PL formalizou ao TSE o pedido para anular os votos de 60% das urnas eletrônicas no 2º turno, o que daria a reeleição a Bolsonaro – pedido prontamente indeferido pelo ministro Alexandre de Moraes. Soma-se a isso a onda de milhares de militantes golpistas bloqueando rodovias e pedindo intervenção militar em frente aos quartéis do Exército. Natuza Nery conversa com Jussara Soares, repórter do jornal O Globo de Brasília, e Thomas Traumann, jornalista e pesquisador da FGV. Neste episódio:

    - Jussara relata o clima de “fim de governo elevado à máxima potência” em torno do presidente. E como foram os melancólicos dias de Bolsonaro recluso no Alvorada;

    - Como o presidente incentiva e cobra aliados a contestarem os resultados das urnas e a manterem o tom golpista. “Não dá pra dissociar Bolsonaro do pedido do PL", diz Jussara;

    - Traumann analisa as ações tanto do PL quanto dos comandantes militares para "conduzir Bolsonaro pra uma ação", e assuma seu lugar como líder da oposição;

    - Ele identifica os papéis que atores políticos como Valdemar da Costa Neto (presidente do PL) e Braga Netto (candidato a vice-presidente) assumiram no vácuo de Bolsonaro. E explica como a manutenção do caos é estratégia para deslegitimar o governo eleito. “Eles precisam ter algo para se agarrar em janeiro, quando deixarem a Presidência”, afirma.

  • Ícone da Jovem Guarda, autor de mais de 600 músicas - entre elas clássicos como “Minha Fama de Mau”, “É proibido fumar” e “Quero que tudo vá para o inferno” -, Erasmo morreu neste 22 de novembro, aos 81 anos. Pai do rock nacional, foi parceiro de Roberto Carlos, com quem formava “a dupla Lennon e McCartney” brasileira. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Marcelo Froes, produtor musical que trabalhou com Erasmo, autor do livro "Jovem Guarda, em ritmo de Aventura". Neste episódio:

    - Marcelo diz que Erasmo “trouxe a linguagem do rock para o Brasil", inspirado em Elvis Presley e Marlon Brando;

    - Superou o preconceito da crítica em relação à Jovem Guarda e firmou inúmeras parcerias, de Wanderléia, a Bethânia, Marisa Monte, Skank e Emicida;

    - Discos de Erasmo tem “uma assinatura própria”, ao longo dos mais de 60 anos de carreira;

    - “Erasmo estava feliz”, depois de receber um Grammy pelo disco “O Futuro Pertence à Jovem Guarda”, na semana da morte do Tremendão.

  • Depois de duas semanas de negociações na Conferência do Clima da ONU, representantes de mais de 200 países chegaram a um acordo para criar um fundo de compensação às nações mais vulneráveis a eventos extremos. Por outro lado, a COP 27 falhou ao não firmar uma meta de desaceleração de emissão dos gases causadores do efeito estufa. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Daniela Chiaretti, repórter especial do jornal Valor Econômico que acompanhou a COP no Egito, e José Eli da Veiga, professor do Instituto de Estudos Avançados da USP. Você irá ouvir:

    - Daniela relembra a resistência histórica de países ricos em aceitar a criação do fundo de perdas e danos, e detalha os três principais motivos para isso;

    - A jornalista explica o que levou à maior “derrota" da COP-27: a ausência de acordo na diminuição até zerar o uso de combustíveis fósseis;

    - José Eli da Veiga avalia que o fundo é "uma espécie de reconhecimento de fracasso", e lamenta que, ao não dar centralidade à redução das emissões, os debates hoje sejam apenas sobre “como é que vamos salvar as primeiras vítimas";

    - Ele aponta os erros históricos nas negociações pelo clima e explica por que, a partir do momento que o sistema financeiro entrou nas discussões sobre redução de emissões, foram criados os mecanismos de compensação que “animaram” o setor privado.

  • Na estreia de Natuza Nery no comando de O Assunto, o podcast fala sobre o Mundial da Fifa, que acumula polêmicas desde 2010, quando o país-sede foi anunciado. Desde então, acumulam-se denúncias de ataques aos direitos humanos: uma lista que contempla mortes de trabalhadores, intolerância contra pessoas LGBTQIA+ e restrições de liberdade para as mulheres. Neste episódio, Natuza Nery conversa com a narradora da TV Globo Renata Silveira, a primeira mulher a narrar uma Copa do Mundo em rede aberta no Brasil, e Eric Faria, repórter que cobre seu quarto mundial e acompanha o Mundial direto do Catar. Você vai ouvir:

    - Renata Silveira conta a relação dela com Copas passadas, desde a conquista do penta, em 2002, até a eliminação contra a Bélgica, em 2018;

    - A narradora detalha inspirações e desafios: “Espero que nesta Copa, as meninas liguem a TV e vejam muitas mulheres narrando e comentando jogos de futebol”;

    - Há mais de dois meses vivendo no Catar, Eric Faria relata “situações chocantes” que viu em relação à igualdade de gênero: “Mulheres precisam pedir autorização do marido para trabalhar ou para estudar”;

    - Ele conta também as histórias inspiradoras que conheceu na sede do Mundial, caso da primeira mulher comerciante do Catar e da única pilota aero desportiva do país.

  • A partir do dia 21 de novembro, segunda-feira, o podcast diário do g1 será apresentado por Natuza Nery. “Vai ser uma alegria imensa ser a sua companhia diária”, diz Natuza. De segunda a sexta, bem cedinho, sempre um episódio novo para você entender o assunto mais importante do momento.

  • Desde que o Tribunal Superior Eleitoral certificou sua vitória nas urnas, Lula (PT) mira subir a rampa do Palácio do Planalto com uma promessa de campanha assegurada: a manutenção do Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família) em R$ 600 por família mais R$ 150 por criança de 0 a 6 anos. Para isso, a equipe de transição de Lula apresentou ao Congresso o texto-base para a Proposta de Emenda à Constituição que excluiria benefícios sociais do teto de gastos, mas com alguns poréns: “o texto apresentado traz outras coisas”, afirma Ana Flor, comentarista da Globonews e colunista do g1. A primeira versão apresenta mais situações de exceção ao teto, que poderiam estourá-lo em mais de R$ 200 bilhões em 2023. Em conversa com Julia Duailibi, a jornalista conta os bastidores das negociações entre Legislativo e novo governo e destaca que o ponto mais sensível é a definição do prazo temporal para que o Bolsa Família fique fora da regra fiscal. Para a gestão Lula, avalia Ana Flor, garantir quatro anos de licença seria uma “vitória política” que abriria espaço para uma agenda de reformas tributária e administrativa. Ela recorda ainda que, embora tenha mais 40 dias no poder, o governo Bolsonaro está paralisado e vê ex-aliados sinalizarem apoio ao petista: “ele está simplesmente a reboque dos partidos”, afirma.

  • Desde que o país recusou sediar a COP-25 – uma das primeiras decisões do então presidente-eleito Jair Bolsonaro (PL, então no PSL) – a política climática brasileira foi rebaixada à posição de pária global. Durante os últimos quatro anos, a Amazônia registrou recordes de desmatamento e o Brasil se tornou o quinto maior emissor de gases de efeito estufa. Nesta quarta-feira, o “discurso contundente” do presidente-eleito Lula (PT) na 27ª Conferência do Clima atraiu os olhos de “observadores e negociadores de todo o mundo”. É o que testemunhou, diretamente de Sharm El Sheikh, no Egito, a administradora pública especialista em mudanças climáticas Natalie Unterstell. Em entrevista a Julia Duailibi, ela, que é também presidente do Instituto Talanoa, relata a expectativa dos representantes em relação à volta do país aos compromissos climáticos. “Há esperança, mas também cobrança”, diz. Na agenda política interna, Lula sinalizou a necessidade de “fortalecer alianças” com estados e municípios para avançar em direção a uma “economia descarbonizada”. Para os agentes internacionais, avalia Natalie, foram bem recebidos o compromisso de zerar o desmatamento de todos os biomas até 2030 e a “tímida” pressão sobre os países desenvolvidos para “cumprirem os acordos que podem conter a crise climática”.

  • Foram meses de relaxamento de medidas de proteção, com índices de transmissão e de novos casos em baixa. O alerta voltou a soar no início de novembro, com o aumento exponencial na busca por exames em laboratórios e farmácias. Na sequência, veio a alta na média móvel de casos, puxada pela subvariante BQ.1, da ômicron. “Estamos vendo apenas a pontinha do iceberg”, avalia a infectologista Rosana Richtmann em conversa com Julia Duailibi. Para ela, o número real de casos é muito maior do que o registrado. “É importante que as pessoas se testem e tomem o cuidado para não expor os outros”, lembra. Ela explica que a BQ.1 tem transmissibilidade maior, ainda sem indicar maior gravidade. E argumenta o caminho para frear novas variantes: a adoção de vacinas atualizadas. “Mais uma vez estamos atrasados” na aquisição desses imunizantes, diz. Rosana reforça ainda situações em que é essencial voltar a usar máscaras: no transporte público, dentro de farmácias, em unidades de saúde e para todos os imunossuprimidos.

  • Podcast diário do g1 será apresentado por Natuza Nery a partir do dia 21 de novembro. No comando do podcast por mais de 3 anos e 834 episódios, Renata gravou um agradecimento aos ouvintes e à equipe do g1. Nos próximos dias, O Assunto será apresentado por Julia Duailibi.

  • Por uma combinação de fatores econômicos e políticos, muitos esperavam que as chamadas “midterms” produzissem uma “onda vermelha”. Traduzindo: que o Partido Republicano (representado por essa cor) desse uma surra no Partido Democrata (do presidente Joe Biden) no pleito para renovar toda a Câmara dos Deputados e parte do Senado, além de cargos em Executivos estaduais. Ainda há muito a contabilizar dos votos depositados nas urnas nesta terça-feira, mas os resultados já conhecidos mostram uma realidade mais complexa. Os democratas perderam, sim, o controle da Câmara, porém o do Senado continua em aberto. E, do lado republicano, vários candidatos patrocinados pelo ex-presidente Donald Trump se deram mal. Neste episódio, o último de Renata Lo Prete no podcast, ela conversa com Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV-SP, para entender os recados dos eleitores americanos. “O clima piorou muito”, diz ele sobre o aumento da violência política no país. Stuenkel fala também da transformação do Partido Republicano “em uma agremiação populista com fortes tendências antidemocráticas”. E, apesar dos percalços de Trump, ainda aposta nele como mais provável adversário de Biden em 2024.

  • Para refletir sobre a trajetória de uma das maiores cantoras da história da música brasileira, que morreu neste 9 de novembro aos 77 anos, O Assunto recebe um “doce bárbaro” como ela, parceiro desde o primeiro show, em 1964 em Salvador. Na conversa com Renata Lo Prete, Gil celebra não apenas a voz única, mas também a capacidade de eterna transformação dessa “tropicalista inata”, que em mais de 40 álbuns mergulhou em quase todos os gêneros de canção, colecionando sucessos como “Meu Nome é Gal”, “Baby”, “Força Estranha”, “Gabriela” e “Festa no Interior”. “Gosto daquelas onde há vivacidade, contrição religiosa, tristeza... e gosto ainda mais de suas canções alegres", confidencia ele. Ao longo do episódio, Gil resgata desde sua memória mais antiga de Gal (em uma lanchonete na capital baiana) até lembranças da turnê que fizeram juntos em 2018. “Ela tinha compreensão profunda da extraordinária primazia que o som e as artes produzidas através dele têm", afirma.

  • Eventos extremos cada vez mais frequentes, em um planeta que não para de esquentar. No intervalo de um ano desde a última Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, assistimos às inundações que mataram milhares de pessoas no Paquistão, à seca recorde na Europa e a chuvas devastadoras na costa brasileira, entre outros desastres. Acordos para mitigar os danos e fazer as adaptações existem, mas o mundo tem imensa dificuldade em tirá-los do papel. Agora, na COP-27, que se desenrola até 18 de novembro no Egito, “o momento é de implementação de tudo o que foi prometido”, acredita Ana Toni, ex-presidente do conselho do Greenpeace Internacional e diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade. Neste episódio, ela conversa com Renata Lo Prete diretamente do balneário de Sharm el-Sheikh, na costa do Mar Vermelho, onde acontece o encontro. Para a economista, a discussão sobre quem pagará a conta da emergência climática está vencida. A questão é exigir dos países ricos que os recursos já combinados cheguem às populações mais vulneráveis no fluxo necessário, e não mais “a conta-gotas”. Ana fala também da expectativa quanto à participação brasileira - Lula irá à COP na próxima semana. “Há sensação de esperança”, diz.

  • Meia década atrás, em resposta à escalada da dívida pública, o Brasil adotava uma nova âncora fiscal, que limita o crescimento da maior parte das despesas da União à inflação do ano anterior. De lá para cá, essa construção balançou e sofreu muitos remendos, diante de realidades como a pandemia e o vale-tudo da campanha pela reeleição. “Estamos no limite do teto há muito tempo”, afirma Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for Internacional Economics e professora da universidade Johns Hopkins. E os seguidos truques para burlá-lo acabam por “minar sua credibilidade”. Na conversa com Renata Lo Prete, a economista credita parte do problema ao “desenho” definido no governo Temer, rígido demais e sem “válvulas de escape” para usar quando a situação do país exigir. Para ela, a largada de um novo governo “abre boa oportunidade” para que se estabeleça uma regra fiscal melhor, não sem antes atender ao imperativo de “reconstruir a base dos programas sociais”.