Episódios

  • O ex-secretário de Comunicação Social compareceu à comissão disposto a proteger o presidente. Mas caiu em contradições e acabou por criar pelo menos dois problemas para o ex-chefe: admitiu que o governo deixou sem resposta, por pelo menos dois meses, uma volumosa oferta de vacinas da Pfizer (da qual apresentou prova documental); e que existia no Planalto uma estrutura paralela, ao largo do Ministério da Saúde, para assuntos da pandemia. Por mentir aos senadores, foi ameaçado de prisão, movimento que abriu espaço para ataque aberto (e rebatido) do senador Flavio Bolsonaro ao relator da CPI, Renan Calheiros. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com o jornalista Thomas Traumann sobre as implicações do mais atritado e turbulento depoimento da CPI até agora. Wajngarten “não percebeu a importância do que apresentou”, avalia Thomas. “É a prova de que o governo inteiro (presidente, vice e ministro da Economia, entre outros) foi negligente na compra de vacinas”. Para o jornalista, a ofensiva do filho do presidente foi “uma declaração de guerra” de quem já espera o pior do relatório final da CPI.

  • A precarização começou com a crise econômica, em 2015, e se aprofundou no governo Bolsonaro, que desde o início hostilizou essas instituições com palavras e gestos. Depois de quase dois anos e meio de drenagem de recursos, e diante do bloqueio de parte do minguado Orçamento de 2021, reitores alertam: se não houver algum socorro, a partir de julho as universidades federais não terão dinheiro nem para pagar as contas mais básicas. “A maioria não consegue funcionar até o fim do ano”, sustenta Edward Madureira, reitor da federal de Goiás e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Em entrevista a Renata Lo Prete, ele detalha as consequências desse apagão. “As universidades estão ameaçadas até de ficar sem energia. Imagine isso com milhares de pesquisas em andamento, inclusive relativas à Covid-19”. Participa também do episódio Úrsula Dias Peres, professora de Gestão de Políticas Públicas na USP e pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole. É dela a previsão para o médio prazo: “Se nada mudar, perderemos professores capacitados e será reduzido o número de vagas”.

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  • O ambiente já era de muita insatisfação com o governo quando, cerca de duas semanas atrás, o presidente Iván Duque anunciou uma proposta de aumento de impostos para compensar o gasto público na pandemia. A reação das ruas foi imediata, levando ao descarte do projeto e do ministro da Fazenda. Mas nem isso conteve os protestos, que escalaram junto com a violência da polícia. O saldo até aqui é de mais de 30 mortos, centenas de desaparecidos e inúmeros relatos de abusos cometidos pelas forças de segurança. “A situação é mais preocupante na região de Cali”, afirma o jornalista brasileiro Felipe Seligman, referindo-se à terceira maior cidade do país. Fundador do veículo digital Jota, ele vive na capital, Bogotá, onde os distúrbios ainda estão sob algum controle. “O Estado Vale de Cauca está fechado, com mais de 900 estradas bloqueadas, toque de recolher e desabastecimento”, relata Felipe. Também a partir de Bogotá fala Nicolás Urrutía, analista sênior da consultoria Control Risks. Em entrevista a Renata Lo Prete, ele analisa a trajetória de um país conhecido, no passado recente, tanto pela estabilidade macroeconômica quanto pela desigualdade social, agora agravada pela crise sanitária. A tensão atual, prevê Nicolás, “irá polarizar ainda mais” a Colômbia e deixar cicatrizes que impactarão a próxima eleição presidencial, daqui a um ano. Para os próximos dias, a expectativa não é de distensão. “O comitê de paralisações segue se reunindo, e o presidente mobilizou mais milhares de soldados e policiais. Parece que não há acordo à vista”, diz Felipe.

  • Com palavras e ações, Jair Bolsonaro apostou desde o início na ideia de deixar o novo coronavírus correr solto. Em detrimento das vacinas, por essa via chegaríamos, achava o presidente, à proteção do conjunto dos brasileiros. Catorze meses depois, a CPI da Covid mira a estratégia de imunização de rebanho por contágio como uma das principais evidências da responsabilidade dolosa do governo federal por uma tragédia sanitária que já conta mais de 420 mil mortos. “Fica claro o objetivo de que o vírus se propagasse de forma rápida e intensa. Essa intencionalidade vai além do discurso, ela se deu na prática”, afirma neste episódio a professora Deisy Ventura, pesquisadora da relação entre pandemias e direito internacional. Na CPI, existem pelo menos quatro requerimentos para ouvir Deisy, coordenadora, na USP, de um estudo que analisou mais de 3 mil normas relacionadas à Covid-19 baixadas pela gestão Bolsonaro. Ela detalha os achados e explica que eles podem gerar, para o presidente e demais envolvidos, acusações por crimes comuns, de responsabilidade e contra a humanidade. Renata Lo Prete conversa também com o colunista Bernardo Mello Franco, do jornal O Globo e da rádio CBN, que vem acompanhando o trabalho dos senadores da comissão. “Nas próximas semanas, um dos desafios mais importantes será identificar o que o ex-ministro Mandetta classificou como ‘Ministério da Saúde paralelo’”, diz ele. Ou seja, quem contribuiu para a decisão de Bolsonaro “de nos jogar nesse caminho”.

  • A operação mais letal da história da polícia do Rio de Janeiro, que deixou 25 mortos nessa grande favela da zona norte da cidade, aconteceu em plena vigência de restrições impostas pelo STF a ações dessa natureza. No entanto, desde que os limites entraram em vigor, em junho do ano passado, a polícia informou a realização de cerca de 500 operações, com um saldo de mais de 800 óbitos. Neste episódio você ouve, além do relato apavorado de moradores, que acordaram nesta quinta-feira sob tiros e bombas, entrevista de Renata Lo Prete com Henrique Coelho, repórter do G1 no Rio. Ele descreve a favela de 37 mil moradores como “uma região muito viva, com muito comércio e movimentação grande de pessoas”. E detalha a investigação sobre a suspeita de recrutamento de crianças pelo tráfico, apresentada como base para a ação. Renata conversa também com Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e autor do livro “A República das Milícias”. Ele explica como o enfraquecimento das instituições no Rio, que teve 6 ex-governadores presos nos últimos 4 anos (além de um derrubado via impeachment) é o pano de fundo para o descontrole da polícia e a escalada da violência. “Uma polícia que tem carta branca para matar quase sempre vai querer ganhar dinheiro com isso. É a semente das milícias”.

  • A morte do ator e humorista por Covid-19, aos 42 anos, entristeceu ainda mais um país machucado, ao qual ele só deu alegria. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com o jornalista e escritor Chico Felitti sobre a trajetória do responsável pelo maior sucesso de bilheteria da história do cinema brasileiro -- a série de três filmes “Minha Mãe é uma Peça”. E sobre sua principal personagem, Dona Hermínia: “Uma mulher batalhadora, amorosa e combativa. Um arquétipo de mãe que conversa com todas as mães do Brasil”, resume Chico. Ele define Paulo Gustavo como “um Mazzaropi deste século, que fazia um humor tipicamente brasileiro”. Fala ainda do sonho interrompido do ator -- que planejava encarar também papéis dramáticos -- e de seu modo de fazer avançar a pauta LGBTQIA+. “Não era só humor. Ele comeu o país todo pelas beiradas. Não mostrou beijo gay no filme, mas mostrou uma mãe ensinando à criança que a aceitação é o caminho, independentemente do que ela seja”, analisa Felitti. “Era uma forma doce de lutar”.

  • A largada dos trabalhos na Comissão Parlamentar de Inquérito teve o primeiro ministro da Saúde da pandemia colocando no caminho dos senadores uma série de pistas potencialmente explosivas para o governo. Mesmo evitando ataques frontais a Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta deixou claro que o presidente agiu ao largo das orientações da pasta, pressionou em favor da cloroquina e apostou na imunidade de rebanho, em detrimento da vacinação. “Esse é um dos maiores riscos para ele. A CPI quer provar que houve ação deliberada do governo para a população se infectar. E o depoimento de Mandetta reforça a tese”, analisa Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN, convidado de Renata Lo Prete neste episódio. Sobre os esforços em favor de um medicamento sem eficácia contra a Covid-19, Bernardo destaca: “Um decreto para alterar a bula do remédio é algo que pode implicar em crime de improbidade administrativa”. O dia foi marcado tanto pela presença de Mandetta quanto pela fuga de outro ex-ministro, Eduardo Pazuello, que iria depor nesta quarta. Ele alegou quarentena, após contato com dois casos confirmados da doença. O que só fez ampliar a percepção de que o Planalto teme esse depoimento: “Ele se apresentou como um pau mandado do presidente. Pazuello responsabilizado significa Bolsonaro também responsabilizado”, afirma Bernardo.

  • As denúncias vêm desde o ano passado, mas agora ganharam visibilidade, e o motivo tem três letras: CPI. A Comissão Parlamentar de Inquérito instalada no Senado vai investigar, apenas nessa seara, 15 potenciais erros da gestão Bolsonaro, entre eles distribuição e prescrição de medicamentos sem eficácia no tratamento da Covid-19. “Um pessoal de Brasília foi à terra yanomami e levou 3 mil quilos de cloroquina”, recorda Junior Hekuari Yanomami, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indigenista Yanomami e Ye’kuana, sobre a comitiva oficial que visitou a etnia no meio de 2020. Em entrevista a Renata Lo Prete, ele lembra que, embora o governo tenha mais tarde alegado que o objetivo era tratar malária, a recomendação real era para dar o remédio a qualquer um que apresentasse suspeita de infecção pelo novo coronavírus. “Foi totalmente marketing”, diz Junior. Participa também Daniel Biasetto, repórter do jornal O Globo que localizou documentos públicos em Vilhena (RO), distrito responsável por 144 aldeias da Amazônia Legal, orientando explicitamente o tratamento com o chamado “kit covid”. Daniel exemplifica com o caso de Aruká Juma, que era o último homem de sua etnia e foi vítima da doença. “Tudo indica que Aruká morreu por negligência no tratamento”, diz.

  • As consequências nefastas da pandemia para o sistema de ensino e o mercado de trabalho atingem todas as etapas de uma escala etária que vai da primeira infância à juventude. Esta padece com o desemprego em percentual bem acima da média, em si desastrosa, da população. Enquanto crianças e adolescentes já sentem, apontam pesquisas, os danos socioemocionais e cognitivos causados pelo fechamento prolongado das escolas. “O resultado para o país veremos lá na frente”, diz Naércio Menezes, economista e pesquisador do Insper. Entrevistado por Renata Lo Prete neste episódio, ele disseca questões como a evasão, que dobrou entre 2019 e 2020, e a ascensão dos chamados “nem-nem”(neste momento, mais de um terço dos brasileiros entre 20 e 29 anos não trabalha nem estuda, maior percentual da história). “O prejuízo é da sociedade toda”, afirma Naércio, e envolve dimensões como “produtividade, renda e até criminalidade”.

  • Foram quase cinco meses até 100 mil. Outros cinco até 200 mil. Com a metade do tempo chegamos a 300 mil. E em pouco mais de um mês atingimos a nova marca devastadora, superada apenas pelos Estados Unidos. Em 2020, a Covid-19 roubou quase dois anos da expectativa de vida dos brasileiros. E, segundo a demógrafa Márcia Castro, a aceleração dos óbitos em 2021 tende a produzir um tombo ainda maior nesse que é um dos principais termômetros sociais de qualquer país. Chefe do Departamento de Saúde Global e População da Universidade Harvard, Marcia liderou a pesquisa que constatou a queda. E dimensiona, neste episódio, a inflexão que ela representa: "De 1945 a 2020, a expectativa de vida ao nascer subiu, em média, cinco meses a cada ano no Brasil”. Renata Lo Prete conversa também com o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz. Ele explica por que o mix de vacinação lenta, restrições em baixa e inverno chegando deve nos empurrar para um saldo de 500 mil vítimas sem muita demora. “Saímos de uma segunda onda terrível, com março e abril tendo sido os dois piores meses da história do Brasil. Junho e julho podem superar”.

  • O homem mais velho a assumir a Presidência dos Estados Unidos chega ao primeiro marco temporal de seu governo com um feito que ninguém questiona: a vacinação em massa dos americanos contra a Covid-19. Não por acaso, foi esse o primeiro item do discurso de Joe Biden nesta quarta no Congresso. “A América avança novamente”, disse ele. Como peça de resistência do pronunciamento, a apresentação de mais um pacote de investimento público pesado, desta vez com foco em educação e ajuda às famílias. Biden passou pelos principais temas do período inaugural de seu mandato: da reinserção americana em esforços globais, como o Acordo de Paris, à defesa da transição para uma economia verde; da violência policial ao controle de armas. Temas que estão na conversa de Renata Lo Prete com Claudia Antunes, editora de Internacional do jornal O Globo. Ela analisa cada um dos tópicos e ainda explica como as eleições de meio de mandato, no ano que vem, podem impactar as ambições de Biden. “Ele não atiça a polarização, mas ao mesmo tempo quer estabelecer uma marca que mantenha o voto que teve, tanto no eleitorado democrata quanto no independente. E mirando até alguns republicanos".

  • Entre as áreas atingidas pelo facão do governo Bolsonaro no Orçamento de 2021, poucas perderam tanto quanto o financiamento de moradia para as famílias de menor renda: 98% dos recursos foram cortados. José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, explica neste episódio que a paralisia será imediata e atingirá obras em andamento, ceifando, de saída, mais de 250 mil empregos. “O diálogo com as pessoas que lidam diretamente com o Orçamento é muito difícil. Nossa esperança é o Congresso”, diz. Participa também o urbanista Nabil Bonduki, professor da USP e ex-vereador paulistano. “O problema da habitação ganhou ainda mais importância na pandemia. Com diretrizes sanitárias como ficar em casa e lavar as mãos, fica evidente o problema para quem não tem casa ou vive em uma com água intermitente", afirma. “Um programa de habitação precisa responder a três questões que estão na agenda do país: o problema sanitário, a redução da desigualdade e geração de empregos.

  • Um número diário de novos casos sem precedente em qualquer outro país, já tendo superado 350 mil. Variantes do vírus alimentando o contágio. Colapso dos hospitais, pacientes morrendo por falta de oxigênio, disparada de sepultamentos e cremações. E desconfiança generalizada de que a contagem de óbitos - na casa dos 200 mil - esteja seriamente subestimada. “Não dava para imaginar que ficaria tão grave. No dia a dia, a mensagem era de que o pior já havia passado”, conta o repórter da Globo Álvaro Pereira Jr., que esteve nas cidades de Nova Délhi e Pune no início de março, como parte das gravações para o documentário “A corrida das vacinas”. De fato, a situação saiu de controle em poucas semanas, disparando alerta global, porque o país é grande produtor do que o mundo inteiro quer. “Se o Brasil ainda esperava receber vacinas prontas da Índia, pode tirar o cavalo da chuva”, alerta o jornalista. Isso porque a prioridade do país, agora, será acelerar a imunização de sua população -inferior em tamanho apenas à da China. Também neste episódio, Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, explica por que o país asiático está recebendo ajuda internacional em escala a que o Brasil nem de longe tem acesso: “Ela é aliada dos EUA para conter a China e peça-chave na distribuição global de vacinas”.

  • Em março de 2020, André Akito, 27, mudou-se para o Vietnã, onde dá aulas de inglês como voluntário. Surpreendido pela declaração de pandemia, teve a chance de voltar ao Brasil, mas decidiu ficar. “Hoje sou grato por ter vivido esse período num país que atua de forma preventiva no controle da Covid-19”, diz. Ele se refere a testagem, rastreamento de contatos e isolamento dos infectados, além do uso disseminado de máscaras. Tudo promovido exaustivamente em campanhas de comunicação do governo. “Desde o primeiro momento, teve um sentimento nacional de que está todo mundo unido, lutando contra um inimigo comum”, conta André. Resultado: mesmo sem grandes recursos e com vacinação ainda incipiente, o país do sudeste asiático registra 0,04 mortes pela doença a cada 100 mil habitantes. Enquanto nós, 181,7. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa também com Fátima Marinho, epidemiologista da Vital Strategies, organização que atua no enfrentamento do novo coronavírus em 40 países. Ela explica o que precisamos extrair da experiência de países como o Vietnã para colocar o contágio sob algum controle enquanto a imunização não ganha ampla escala: “Investir tudo o que pudermos em rastreamento de casos e contatos, ter uma coordenação nacional e incluir nesse processo a atenção primária do SUS”. Fátima recomenda ainda abandonar a ilusão de que a onda atual será a última: “A tendência é repetir o cenário, e pra pior”.

  • Discursando na reunião virtual convocada pelo presidente americano, chefes de Estado e de governo se comprometeram com esforços para frear o avanço do aquecimento global. Começando pelo próprio Joe Biden, que anunciou a ambiciosa meta de reduzir à metade as emissões dos Estados Unidos de gases do efeito estufa até 2030. "Isso vindo de um país ainda muito dependente de combustíveis fósseis é absolutamente inédito”, explica Ricardo Abramovay, professor sênior do programa de Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP. “E envolve uma profunda transformação econômica e social", completa. Entrevistado por Renata Lo Prete neste episódio, Abramovay analisa os principais temas que atravessam a cúpula: do objetivo de neutralizar as emissões à “economia do cuidado”, da proposta de taxar carbono a medidas mais radicais para conter a escalada da temperatura do planeta. “A transformação é de uma magnitude que o mundo não vê desde a revolução industrial”. Enquanto isso, “o governo brasileiro está com o olho no retrovisor", diz. Quando seria necessário ficar atento “à rota fascinante que está se abrindo em razão da urgência climática”.

  • "O mundo busca uma nova fotografia, e o Brasil tem que estar nela". Assim a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira resume a importância do encontro virtual de líderes que começa nesta quinta-feira. Entrevistada por Renata Lo Prete neste episódio, a bióloga de formação, ex-servidora do Ibama, alerta que combater o desmatamento da Amazônia é apenas parte do problema, “a agenda do passado”, que já deveríamos ter superado. Para a do futuro, “o governo precisará construir um alicerce que permita ao mundo voltar a olhar para o Brasil". Participa também Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. É ele quem detalha o passivo de 28 meses que assombra o discurso de Jair Bolsonaro no evento. "O governo barbarizou o meio ambiente”, diz Astrini, lembrando da “boiada” do ministro Ricardo Salles. “Nenhum país vai querer se arriscar colocando dinheiro na mão de um governo que claramente trabalha contra a floresta".

  • Depois do esgotamento de leitos e do desabastecimento de oxigênio, a mais recente manifestação de colapso do sistema de saúde é a escassez de medicamentos para doentes graves de Covid-19. Cinco Estados zeraram seus estoques no fim de semana, e outros se aproximam desse ponto - São Paulo tem o suficiente para mais quatro dias. Neste episódio, a médica intensivista Lara Kretzer, que coordena uma força-tarefa para alocar recursos escassos, descreve a mecânica da intubação e o papel de cada um dos remédios usados no procedimento. Sem eles, “a gente não consegue ventilar o paciente de maneira apropriada”, o que compromete suas chances. E do ponto de vista ético e humanitário? “É pior ainda”, afirma. A importação desses medicamentos por empresas privadas, para destinar ao SUS, é mais do que bem-vinda. Mas a atitude do governo federal não ajuda e, no estágio da pandemia em que está o Brasil, qualquer medida de alívio para quem está hospitalizado só se sustenta se houver esforço para reduzir o contágio - e com ele as internações. É o que explica Walter Cintra, professor da pós-graduação em administração hospitalar da FGV. “Chegamos aonde chegamos porque não tomamos as medidas preventivas, que são as melhores medidas”, diz.

  • Por que o governo Bolsonaro esnobou ofertas de vacina no 2º semestre de 2020? Quanto dinheiro público foi usado na compra e na produção, pelo Exército, de um remédio que não funciona contra o novo coronavírus e até mortes já provocou? Onde foi parar o plano de testagem que Nelson Teich disse ter deixado pronto? Que sequência de ações e omissões matou doentes por falta de oxigênio em Manaus? Que fim levaram os medicamentos para intubação requisitados de laboratórios pelo Ministério da Saúde? Vem aí a Comissão Parlamentar de Inquérito que poderá iluminar essas e muitas outras questões, apontando responsabilidades pelo maior desastre sanitário da história do Brasil, que já conta mais de 373 mil vítimas. Às vésperas de sua instalação no Senado, Renata Lo Prete conversa com Carlos Andreazza, âncora da CBN e colunista do jornal O Globo. Ele lista convocados que não poderão faltar e passa em revista os temas, mostrando quais são os mais explosivos para o presidente e o governo como um todo.

  • No momento em que Jair Bolsonaro tenta convencer Joe Biden e líderes europeus de que tem compromisso com a preservação da Amazônia, o ministro do Meio Ambiente está no centro de uma crise deflagrada com a maior apreensão de madeira da história do país, feita pela Polícia Federal na divisa entre Amazonas e Pará no final do ano passado. Ricardo Salles entrou na história mais recentemente, ao visitar a região e se colocar ao lado dos madeireiros. “A PF sustenta que essa operação detectou uma organização criminosa”, relata Fabiano Villela, repórter da TV Liberal (filiada à Globo no Pará) e um dos entrevistados neste episódio. É ele quem explica os expedientes mais usados na região para “esquentar” madeira ilegal. Renata Lo Prete conversa também com Julia Duailibi, apresentadora e comentarista da GloboNews. Ela analisa o impasse criado com a decisão do superintendente local da PF, Alexandre Saraiva, de apresentar ao Supremo notícia-crime contra Salles - movimento que custou o cargo ao delegado. E fala também de como, mais e mais, o titular do Meio Ambiente lembra o chanceler dispensado em março. Assim como Ernesto Araújo, Salles já esgotou a paciência de empresários e parlamentares aliados do Planalto - além de ser entrave a qualquer melhora nas relações externas do governo Bolsonaro. “Ele se segura porque é quadro remanescente da chamada ala ideológica, mas há grande pressão no Congresso para derrubá-lo”, diz Julia.

  • "Duração maior da proteção", resume o médico Marco Aurélio Sáfadi. Em conversa com Renata Lo Prete, ele explica o imperativo de tomar o reforço, no caso das vacinas contra a Covid-19 disponíveis no Brasil (a Coronavac e a do consórcio Oxford-AstraZeneca). Presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Sáfadi ressalta que só completando o processo de cada imunizado (e aumentando muito o número geral de doses aplicadas por dia) conseguiremos controlar o contágio. Segundo o Ministério da Saúde, 1,5 milhão de pessoas que receberam a primeira dose não retornaram para a segunda. Ainda que secretarias estaduais e municipais apontem exagero nesse dado, o problema existe, mas pode ser sanado com medidas práticas e melhor comunicação. “Se cada comunidade faz uma coisa diferente, sem coordenação nacional, dificulta. A população fica confusa", analisa Carla Domingues, que chefiou o Programa Nacional de Imunizações entre 2011 e 2019 e também participa deste episódio. Para ela, ainda há tempo de colocar os retardatários de volta no bonde da vacinação, com uma grande campanha de conscientização, além de mutirões e providências locais para localizar os faltosos. Estes, por sua vez, não devem desistir, orienta Sáfadi. Seja qual for o atraso, “basta ir tomar a segunda dose para que ela ofereça a proteção necessária".