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    👻 O New Yorker publica um ensaio na série "As Told To" sobre um filho que reconstruiu a mãe morta em forma de IA — e o que aprendeu ao conversar com ela. Plataformas como HereAfter AI, StoryFile e Eternos permitem criar réplicas conversacionais de pessoas falecidas a partir de textos, áudios e vídeos que deixaram para trás. Uma mulher construiu um "Dadbot" combinando ChatGPT com modelagem de voz do pai. Val Kilmer aparece num filme póstumo com voz e imagem recriadas por IA, com autorização da família. O ensaio não toma partido — documenta o que é real: o alívio temporário do luto, a estranheza inevitável quando o bot diz algo que a pessoa real nunca diria, e a pergunta sem resposta sobre se estamos prolongando o amor ou impedindo o luto de seguir seu curso (New Yorker)

    📸 A Meta lançou ontem o Muse Image — seu primeiro modelo de geração de imagens, desenvolvido pelo Meta Superintelligence Labs — com um detalhe que merece atenção imediata: qualquer pessoa pode digitar @ seguido do seu usuário do Instagram num prompt e gerar imagens com a sua cara. Todas as contas públicas estão ativadas por padrão. Você não é notificado quando isso acontece. As imagens geradas com o seu rosto não são apagadas mesmo que você mude as configurações depois. Para desativar: abra o Instagram, vá ao seu perfil, toque nas três linhas no canto superior direito, selecione "Compartilhamento e reutilização" e desative os toggles de Posts e Reels. Contas privadas estão protegidas. O SAG-AFTRA disse que "qualquer coisa que não seja opt-in explícito é inaceitável" (Wired)

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    Assuntos de hoje:

    🎙️ O New Yorker publica um ensaio sobre o que pesquisadores descobriram quando decidiram, literalmente, espionar milhares de pessoas com gravadores portáteis. A técnica chama-se EAR — Electronically Activated Recorder — e foi desenvolvida pelo psicólogo Matthias Mehl da Universidade do Arizona: um dispositivo que grava amostras de áudio em intervalos aleatórios ao longo do dia, capturando a vida sonora real das pessoas sem filtro. Os dados de décadas de pesquisa revelam um padrão consistente: as pessoas falam menos do que imaginam — e menos do que falavam em gerações anteriores. A média é de 14 a 16 mil palavras por dia, mas caiu nas últimas duas décadas. O declínio é mais agudo em interações casuais — o tipo de conversa que acontece em filas, corredores e cafeterias — que foi sendo substituído por silêncio com fone de ouvido. A conversa, descobriram os pesquisadores, é um músculo que atrofia (New Yorker)

    📚 O Atlantic publica na edição de agosto um ensaio extenso de George Packer sobre o que ele chama de "era pós-literária" — a tese de que não estamos apenas lendo menos, mas que a leitura profunda como prática cultural está chegando ao fim. A taxa de alfabetização nunca foi tão alta na história. E mesmo assim, livros foram substituídos por atualizações de Facebook, podcasts, vídeos e feeds algorítmicos — exatamente o cenário que Aldous Huxley imaginou em Admirável Mundo Novo: os livros não precisaram ser banidos porque ninguém quis mais lê-los. Packer cita Neil Postman: "os americanos não conversam mais entre si — se entretêm mutuamente." A crise da leitura não é sobre analfabetismo. É sobre a morte da atenção sustentada como valor cultural — e o que isso faz com a democracia (Atlantic)

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    Arthur e Potter falam sobre uma das coisas mais belas da humanidade: a crição. E sobre como as relações ajudam ou atrapalham esse processo.

    Artigo citado no episódio:

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    Assuntos de hoje:

    📉 A psicóloga Jean Twenge, pesquisadora da After Babel, publicou esta semana uma análise com os dados mais recentes de suicídio adolescente em nível global — e o padrão é consistente e preocupante. As taxas de suicídio entre adolescentes, especialmente meninas, cresceram em países da Europa, no Japão e na Coreia do Sul a partir do início dos anos 2010, coincidindo com a expansão massiva do uso de redes sociais nessas populações. No Brasil, uma pesquisa publicada no PubMed encontrou aumento de 120% nas taxas de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos entre 2000 e 2022, com salto especialmente expressivo entre meninas de 10 a 14 anos após 2011. O debate sobre causalidade continua: pesquisadores contestam a ligação direta com redes sociais. O que nenhum lado contesta é o padrão nos números (After Babel / Twenge / PubMed)

    🔥 Uma plataforma chamada Wyldfyre lançou semana passada o que se autodenomina o primeiro mercado de previsão dedicado exclusivamente a incêndios florestais — com o slogan "Você não pode prever o fogo, mas pode negociar com ele." A plataforma, cujo dono permanece anônimo, oferece apostas em tempo real sobre quais condados e cidades da Califórnia serão atingidos por incêndios, usando dados de satélite da NASA e informações de socorristas. O Forest Service americano disse não ter interesse em dados de mercados de previsão e que qualquer sistema que trate incêndios florestais como evento de especulação "não é compatível com nossa missão." A principal preocupação de especialistas é arson: ao contrário de furacões ou enchentes, incêndios podem ser causados por uma única pessoa em minutos — e uma aposta ativa cria incentivo financeiro direto para isso. O Wyldfyre tirou o site do ar logo após a publicação da reportagem (Wired / High Country News)

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    Assuntos de hoje:

    🤔 O Psyche publica um ensaio filosófico sobre uma das perguntas mais fundamentais da existência: quem você pensa que é? A resposta, segundo o texto, tem sempre dois andares. O primeiro é a identidade metafísica — o que os outros determinam que você é com base em categorias sociais. Sexo, raça, profissão, nacionalidade. Quem você é nesse sentido não foi escolhido por você: foi atribuído por como os outros te identificam. Sartre insistia no oposto — "a existência precede a essência", primeiro você existe, só depois se define. As filósofas feministas discordam: "nenhum de nós tem liberdade para se tornar qualquer tipo de pessoa que queira." Os dois estão certos porque estão respondendo perguntas diferentes. O segundo andar é a identidade existencial — quem você realmente é, no fundo, em termos de valores e afetos. Esse self é descoberto como uma escultura é esculpida: criando (Psyche)

    🎬 O Parents.com publica uma reportagem sobre como a nostalgia Disney está mudando à medida que pais da Geração Z chegam à parentalidade. Ao contrário dos millennials, que cresceram com os clássicos animados do "Renascimento Disney" dos anos 90, a Geração Z cresceu com o Disney Channel — Hannah Montana, High School Musical, Camp Rock, Wizards of Waverly Place. O que esses pais mostram aos filhos não é A Bela Adormecida ou O Rei Leão — é Lizzie McGuire e Lemonade Mouth. O fenômeno revela algo sobre como a nostalgia funciona: cada geração transmite os filhos o que emocionalmente a formou, não o que é considerado canônico. E para a Geração Z, o canônico é o Disney Channel das telas quadradas dos anos 2000 (Parents)

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    Assuntos de hoje:

    👧 O Le Figaro publica uma análise sobre o "efeito filha" — o fenômeno científico mais bem documentado sobre como parentalidade muda homens. A pesquisa é consistente há décadas: pais cuja primeira filha é uma menina tendem a desenvolver visões de gênero mais progressistas do que pais cujo primeiro filho é menino. O efeito é chamado de "Mighty Girl Effect" — e foi medido em votação política, políticas salariais de empresas, e atitudes frente à divisão de trabalho doméstico. O mecanismo é simples: ao acompanhar de perto os desafios que uma filha enfrenta — na escola, no mercado de trabalho, nos relacionamentos — o pai passa a ver o mundo pelo ângulo dela. O efeito é mais forte quando a filha entra no ensino médio. E segundo pesquisadores de Oxford, ter filha torna homens estatisticamente mais inclinados a votar à esquerda — ter filho faz o oposto (Le Figaro / Oxford Economic Papers)

    🏙️ Ontem ao meio-dia, dois influencers russos escalaram ilegalmente até o topo da antena do Empire State Building — 1.454 pés acima do chão — desdobraram uma faixa pela paz e comemoraram com um pedido de casamento. Angela Nikolau, 33, e Ivan Beerkus, 32, são conhecidos por documentar escaladas em edifícios proibidos ao redor do mundo — o casal foi tema de um documentário da Netflix em 2024 chamado "Skywalkers: A Love Story." Entraram pelo 103º andar por uma escotilha de manutenção de caixa d'água. Publicaram tudo ao vivo nas redes sociais enquanto estavam no topo. Dois policiais de unidade de elite subiram quatro escadas para resgatá-los. Os dois foram presos e respondem por oito crimes, incluindo arrombamento, imprudência culposa e invasão. Já estão livres. A foto do anel foi postada antes do arraignment (CNN / ABC News)

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    Assuntos de hoje:

    📒 O New Yorker publica um ensaio sobre o que o álbum de figurinhas da Copa revela sobre a natureza humana — e o título já é o argumento: "A alegre inutilidade dos álbuns de figurinha da Copa." Porque é exatamente isso. Não tem prêmio, não tem utilidade prática, não tem retorno sobre o investimento. São 980 figurinhas distintas para colecionar — 310 a mais do que em 2022, o maior álbum da história da Panini — e completá-lo custa em média centenas de dólares. O lote de 2026 está superando em três a cinco vezes o ritmo de vendas de 2022 nos EUA — lojas em Nova York relatam estoques esgotados em menos de uma semana. A tradição existe desde 1970, este será o penúltimo álbum da Panini antes de a Fanatics assumir em 2031. O ensaio argumenta que a "inutilidade" não é um bug — é o ponto. Num mundo de gamificação, algoritmos e otimização, fazer algo sem propósito utilitário é o ato mais humano possível (New Yorker / NPR)

    📱 O Parents.com publica uma reportagem que documenta uma virada histórica: em 2026, pelo primeiro ano, mais crianças americanas assistem YouTube do que TV linear. 88% dos pais de crianças de 2 a 5 anos dizem que seus filhos preferem YouTube à TV tradicional. 80% das crianças de 10 a 12 anos assistem YouTube regularmente. Os especialistas ouvidos pelo artigo explicam por que a TV nunca teve como competir: o YouTube oferece o que a televisão nunca conseguiu — ganchos em segundos, controle total sobre o que assistir, novidade constante e a sensação de que o criador está falando diretamente com você. Criadores de YouTube olham direto para a câmera, compartilham a própria vida e respondem comentários — criando vínculos parasociais que uma série roteirizada raramente consegue. A TV pede que a criança assista. O YouTube faz a criança sentir que tem um amigo (Parents / Precisify)

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  • Bom dia, Refileiro!🏆 Apoie o Refilhttps://apoia.se/refilpodcastFaça parte do grupo de WhatsApp REFIL 1: https://chat.whatsapp.com/EpGnZQYSGRcH0OT9Y8JtEtREFIL 2: https://chat.whatsapp.com/GxVd9ICx1p521QoOKvpyIq**Assuntos de hoje:**---Arthur e Potter buscam lógica na linha do tempo para entender como os melhores do presente seriam frente aos melhores do passado. E vice versa. E versa vice. Conversa que vai de Pelé vs Messi até Murakami e Dostoiévsky.O REFIL PODCAST traz de segunda a sexta às 6h da manhã aquilo que não vai aparecer na sua timeline. Em menos de 20 minutos, você fica cheio de assunto.Acompanhe as principais manchetes, análises e histórias inusitadas que vão te deixar por dentro de tudo o que importa, de forma rápida e descontraída.📺 ⁠⁠Inscreva-se no canal⁠⁠📱 ⁠⁠Siga no Instagram⁠⁠📧⁠⁠ [email protected]⁠⁠

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    Assuntos de hoje:

    🌡️ O Atlantic publica um ensaio sobre um dos debates mais previsíveis do verão europeu que voltou com tudo esta semana: por que os europeus recusam o ar-condicionado? A Europa está numa onda de calor histórica — a França registrou em 23 de junho a temperatura mais alta desde que os registros começaram, em 1947: 44,3°C. Apenas 20% das casas europeias têm ar-condicionado, contra 90% das americanas. O ensaio mapeia as três razões por trás da resistência: questões ambientais genuínas, regulação burocrática absurda e snobismo cultural. Um morador de Paris escreveu para o Atlantic que "há algo satisfatório, talvez até nobre, em resistir ao calor sem ajuda do controle climático" — e que europeus veem americanos como "esbanjadores e mimados." O ministério do meio ambiente alemão que alertava contra o uso de AC tem sede climatizada. A Comissão Europeia desligou o AC nos andares inferiores durante uma crise energética — mas manteve nos andares superiores, onde os altos funcionários trabalham. (Atlantic)

    📵 Um estudo revisado por pares publicado no British Medical Journal analisou os primeiros três meses da proibição australiana de redes sociais para menores de 16 anos — que entrou em vigor em dezembro — e a conclusão é direta: "Encontramos evidências insuficientes para concluir que a lei teve qualquer efeito substancial no uso de redes sociais por adolescentes." Houve pouca mudança para usuários de 12-13 anos, uma leve queda para os de 14-15 e um aumento para os de 16 anos em diante. Adolescentes burlaram a restrição usando contas registradas em nome de pessoas mais velhas, criando perfis falsos ou navegando em modo privado. A ministra de Comunicações da Austrália respondeu: "A lei não está falhando. As big techs é que estão descumprindo a lei." (Guardian / BMJ)

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    Assuntos de hoje:

    🤖 O Atlantic publica um ensaio que categoriza os usuários de IA em três perfis distintos — e a categorização revela muito sobre o estado atual da tecnologia. O primeiro grupo são os céticos funcionais: usam IA para tarefas específicas e repetem que "não muda nada de fundamental." O segundo são os entusiastas totais: delegam cada vez mais decisões para sistemas e falam de "agentes" como se fossem colaboradores. O terceiro — e mais interessante — são os usuários pragmáticos em recuo: começaram usando IA intensamente, perceberam custos cognitivos e de dependência, e estão reduzindo o uso de forma deliberada. A CNBC documenta o mesmo movimento pelo lado empresarial: startups que pagavam fortunas para OpenAI e Anthropic estão migrando para modelos mais baratos assim que perceberam que o retorno não justificava o gasto (Atlantic / CNBC)

    📱 A Meta lançou oficialmente em 27 de maio o Instagram Plus, sua primeira assinatura paga para usuários comuns — US$3,99 por mês —, acompanhada de Facebook Plus e WhatsApp Plus. O Atlantic usa o lançamento como ponto de partida para uma análise mais ampla: o que o Instagram Plus revela sobre o que o Meta está tentando construir. Os recursos incluem ver quantas vezes seu Story foi revisto, criar listas de audiência ilimitadas, espiar um Story sem aparecer como visualizador e personalizar ícone e fonte do perfil. O artigo aponta o paradoxo: a Meta depende de publicidade em 98% da receita, então fragmentar a base de usuários com recursos que parecem essenciais pode custar mais do que rende. A leitura real do Instagram Plus: a Meta precisa de dinheiro para financiar a IA, e está testando até onde seus usuários topam pagar (Atlantic / TechCrunch)

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    ⚽ O Atlantic publica no Radio Atlantic uma conversa com o jornalista Franklin Foer, autor do livro clássico Como o Futebol Explica o Mundo, publicado originalmente em 2004, quando a globalização parecia o destino inevitável da humanidade. Foer voltou ao tema para a Copa de 2026 — e o mundo que a Copa revela hoje é quase o oposto do de então. Em 2004, o futebol mostrava como tribos locais estavam sendo conectadas por redes globais de capital, talento e cultura. Em 2026, o torneio revela o contrário: o retorno do tribalismo, a fragmentação da ordem internacional, e nações usando o futebol para projetar poder e identidade num mundo que voltou a ser disputado entre blocos. O jogo não mudou. O que ele espelha, sim (Atlantic / Radio Atlantic)

    👶 Desde quarta-feira, 17 de junho, o Instagram começou a notificar influenciadores brasileiros que publicam conteúdo com crianças exigindo apresentação de alvará judicial. Contas que não regularizarem a situação podem ter o perfil suspenso ou banido. A medida é desdobramento do ECA Digital — Lei 15.211/2025, em vigor desde março — e de uma resolução aprovada pelo CNJ em 23 de junho. A norma proíbe que YouTube, Instagram, Facebook, TikTok, Twitch e Kwai monetizem ou impulsionem conteúdos que explorem de forma habitual a imagem ou rotina de crianças sem autorização judicial. Os alvarás têm validade máxima de 12 meses para crianças e 18 meses para adolescentes e podem ser cancelados a qualquer momento pelo juiz. O Brasil é um dos primeiros países do mundo a regulamenTar o trabalho de influencers mirins em nível judicial (O Globo / Agência Brasil)

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    Assuntos de hoje:

    💸 O Telegraph publica uma reportagem sobre os maiores arrependimentos financeiros de idosos britânicos — e o padrão que emerge é surpreendente. Os dois arrependimentos mais citados não são sobre investimentos ruins ou aposentadoria mal planejada: são dar dinheiro demais para os filhos e adiar viagens. Assessores financeiros ouvem sistematicamente a mesma frase: "gastei muito dinheiro ajudando meus filhos quando deveria estar guardando para a minha aposentadoria." O segundo arrependimento é o oposto: idosos que foram financeiramente cautelosos a vida inteira chegam à aposentadoria com saúde comprometida e percebem que adiaram viagens e experiências que poderiam ter feito. A tensão entre os dois revela algo mais fundo: a dificuldade de calibrar generosidade com autopreservação — e de confiar que o futuro vai chegar (Telegraph)

    🤖 O Washington Post publicou hoje um teste interativo de viés político em chatbots de IA — e os resultados são reveladores. A conclusão: a maioria dos modelos testados tem inclinações políticas identificáveis que contradizem as promessas de neutralidade das próprias empresas. O modelo que alimenta o ChatGPT respondeu quase todas as perguntas políticas exclusivamente com argumentos de esquerda — 80% das respostas eram só de esquerda, 3% só de direita. O Gemini do Google apresentou os dois lados em mais de 90% das respostas. O Grok do Elon Musk, vendido como antídoto ao "wokismo", ainda assim favoreceu argumentos de esquerda na média. O Claude, da Anthropic, apresentou apenas a posição de esquerda em 43% dos casos e ambos os lados nos outros 57%. Trump já assinou uma ordem executiva exigindo que chatbots sejam "ferramentas neutras e apartidárias." (Washington Post)

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    Assuntos de hoje:

    🎶 Em 2 de fevereiro de 2026, François-Pierre Goy, curador da Biblioteca Nacional da França em Paris, estava revisando manuscritos anônimos antes de se aposentar quando se deparou com um caderno de 44 páginas do século XVIII. Reconheceu a caligrafia: era de Mozart. O manuscrito contém as aulas de composição que Mozart, com 22 anos, deu a Marie-Louise-Philippine de Bonnières de Guînes entre maio e julho de 1778 — filha do Duque de Guînes, o mesmo que encomendou o famoso Concerto para Flauta e Harpa. O caderno inclui sete peças inéditas para flauta e harpa. Seis estão completas. O último exercício ficou inacabado — pesquisadores acreditam que pode ter sido a última aula que Mozart jamais deu. Mozart, em carta ao pai, reclamou que a aluna "não tinha ideias absolutamente nenhuma." As peças foram tocadas publicamente pela primeira vez ontem em Paris (NYT / BnF)

    👴 O Psyche publica um ensaio sobre um dos paradoxos mais documentados da psicologia: pesquisas em 145 países identificaram uma curva de felicidade em formato de U, onde o bem-estar cai na meia-idade e atinge o pico na velhice. A explicação central vem da teoria da seletividade socioemocional da psicóloga Laura Carstensen: quando o horizonte de tempo percebido diminui com a idade, os objetivos migram de realizações de longo prazo para felicidade e significado emocional imediato. A felicidade passa para o centro do sistema de metas — e a vida se reorganiza para ser mais compatível com ela. Pessoas mais velhas param de tolerar colegas chatos, amizades que não funcionam e eventos que odeiam. O calendário encolhe — e o que sobra é mais denso e melhor. O segredo dos idosos felizes não é sabedoria: é saber que o tempo é finito (Psyche)

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    Assuntos de hoje:

    Arthur e Potter comentam streamings, filmes, Cazé TV e arte de beijar mais e ter menos razão.

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    👨‍👧 O New Yorker publica um ensaio da série "Open Questions" perguntando algo que parece simples mas não é: os pais estão melhorando? A pesquisa de uso do tempo mostra uma mudança real ao longo de décadas — pais hoje passam mais horas envolvidos diretamente com os filhos do que pais de qualquer geração anterior, mesmo trabalhando jornadas equivalentes ou maiores. O ensaio examina o que mudou: o modelo de paternidade do "provedor distante" foi substituído por uma expectativa de presença emocional, participação na rotina e envolvimento ativo no desenvolvimento dos filhos. Mas a pergunta que o título sugere tem uma resposta mais complicada do que "sim" — porque o aumento de horas não necessariamente resolveu a divisão desigual de carga mental entre pais e mães (New Yorker)

    🤖 Sam Altman, CEO da OpenAI, disse essa semana num evento em Abilene, Texas — onde a OpenAI, Oracle e SoftBank estão construindo um complexo de data centers de 800 acres, parte do projeto Stargate aprovado por Trump — que a IA vai superar a inteligência humana até 2030. "Eu certamente diria que até o fim desta década, se não tivermos modelos extraordinariamente capazes fazendo coisas que nós mesmos não conseguimos fazer, eu ficaria muito surpreso", disse à Fortune. "Esse site é só uma fração pequena do que estamos construindo. Tudo isso ainda não vai ser suficiente para atender nem a demanda do ChatGPT." Dario Amodei, CEO da Anthropic, prevê que a IA vai superar humanos "em quase tudo" já em 2027. Elon Musk sugere que pode acontecer já no próximo ano. O relógio está correndo — e ninguém concorda em quanto tempo falta (Fortune)

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    Arthur e Potter comentam o livro Sobre a Escrita, de Stephen King, e conectam assuntos sobre trabalho, vida e dificuldades.

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    Assuntos de hoje:

    📞 O Dazed publica uma reportagem sobre um objeto que virou símbolo de status inesperado: o telefone fixo com fio. Impulsionada pelo esgotamento digital e pela nostalgia, uma nova geração está reconectando aparelhos com fio à tomada na esperança de reviver a arte da conversa sem interrupção. Uma usuária comprou um telefone rosa Pepto-Bismol com cabo espiral de 15 palmos, o conectou via Bluetooth ao celular, chega em casa, silencia o smartphone e o guarda numa gaveta — e só recebe chamadas pelo fixo. "Deitar na cama, receptor no ouvido, brincando com o cabo enrolado, me sinto adolescente de novo." 53% dos americanos sentem nostalgia do telefone fixo — inclusive 59% da Geração Z que admite que não saberia usar um telefone rotativo se alguém pusesse um na sua frente. O fixo com fio virou o equivalente analógico do disco de vinil (Dazed)

    🤠 Toy Story 5 estreia amanhã nos cinemas com a premissa mais atual possível: Toy meets Tech. Woody, Buzz e a turma enfrentam Lilypad — uma tablet com voz de Greta Lee que chega à casa de Bonnie com suas próprias "ideias disruptivas" sobre o que é melhor para a criança. O elenco inclui Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Conan O'Brien como um brinquedo chamado Smarty Pants, Craig Robinson como um hipopótamo GPS, Ernie Hudson como Combat Carl e Bad Bunny numa participação especial como Pizza com Óculos de Sol. Dirigido por Andrew Stanton, o mesmo de Procurando Nemo e Wall-E. A franquia que foi sobre abandono está agora sobre obsolescência tecnológica — e isso é mais atual do que nunca (Parents / Disney)

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    💸 O Atlantic publica um artigo que questiona a premissa central da crise dos ingressos da Copa: os preços são altos porque são injustos — ou são altos porque é assim que mercados funcionam? A Copa de 2026 adotou precificação dinâmica pela primeira vez na história do torneio, com preços flutuando em tempo real baseados em demanda. Os ingressos mais baratos para a final custam atualmente sete vezes mais do que os mais baratos da final de 2022. Assistir ao jogo dos EUA contra o Paraguai em Los Angeles, o ingresso mais barato disponível era US$1.940. Em Miami, a média do ingresso mais barato para jogos da fase de grupos chegou a US$960. O próprio Trump disse que não pagaria US$1.000. O argumento do Atlantic: o verdadeiro problema não é o preço — é que a FIFA captura 15% de cada transação no mercado de revenda que ela própria controla (Atlantic)

    🌍 O Economist publica uma análise sobre um fenômeno típico de cada Copa: os países que os torcedores mais torcem contra. A lista de 2026 é política antes de ser esportiva. Israel chegou classificado e enfrenta pedidos de boicote de delegações de vários países muçulmanos, com torcedores de países árabes e africanos publicamente declarando que torcem contra quem jogar contra Israel. Os Estados Unidos, como anfitriões no momento mais tenso das relações internacionais americanas em décadas, acumulam rivais declarados em toda a América Latina e no mundo árabe. E a Rússia, banida da Copa, continua sendo a grande ausente que todo mundo continua mencionando. Futebol nunca foi só futebol — em 2026, menos ainda (Economist)

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    📵 O Primeiro-Ministro britânico Keir Starmer anunciou hoje que o Reino Unido vai banir menores de 16 anos de redes sociais — incluindo TikTok, Instagram, Snapchat, YouTube, Facebook e X — seguindo o modelo da Austrália. Plataformas que não cumprirem enfrentam multas de dezenas de milhões de dólares. 90% dos pais que responderam à consulta pública apoiam a medida. Mas o Dazed ouviu cinco especialistas — e o consenso é muito menos claro. Um professor da Universidade de Bath foi direto: "Este banimento é baseado em preocupação, não em evidência. A evidência disponível sugere que redes sociais têm um efeito minúsculo nos adolescentes, uma vez que se considera os outros fatores que moldam o desenvolvimento." Na Austrália, um em cada cinco adolescentes abaixo de 16 anos continuava usando redes sociais dois meses após o banimento. A intenção é boa. A execução é outra conversa (Dazed / NPR)

    🔓 O NY Mag publica um ensaio sobre um experimento mental que deixa qualquer pessoa desconfortável: e se tudo que você já fez online — cada busca, cada mensagem deletada, cada perfil antigo, cada foto que você achou que tinha desaparecido — fosse revelado de uma vez? Breaches de dados chegaram ao número recorde de 3.322 incidentes só em 2025 — aumento de 79% em cinco anos. O maior envolveu 16 bilhões de credenciais vazadas de Google, Apple e Facebook. Em março, a Aura — empresa que vende proteção contra roubo de identidade — teve 900 mil registros roubados por um ataque de phishing de voz. A ironia perfeita. O artigo conclui que a pergunta não é se seus dados vão vazar — é quando, e o que fazer quando vazar (NY Mag)

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    🧴 A BBC publica uma reportagem sobre os problemas do skincare infantil — o fenômeno das "Sephora kids", crianças de 8 a 12 anos com rotinas de 12 etapas copiadas do TikTok. O problema não é cosmético: dermatologistas alertam que muitos produtos virais contêm ingredientes anti-aging como retinol, ácidos exfoliantes e fragrâncias desenvolvidos para tratar rugas e manchas em pele adulta — e que em pele jovem causam irritação, reações alérgicas e danos à barreira cutânea que podem ser permanentes. Uma paciente de 11 anos desenvolveu uma erupção severa ao redor dos olhos por usar retinol. "Vai levar pelo menos um mês para resolver", disse a dermatologista. "Por tentar usar um produto anti-envelhecimento que ela não precisa." A Califórnia está legislando para exigir identificação na compra de produtos com ativos potentes para menores de 18 anos (BBC)

    📱 O Parents.com publica uma reportagem sobre o que psicólogos estão chamando de "revenge bedtime procrastination" — a vingança silenciosa do tempo livre. O fenômeno é específico de pais: depois que os filhos finalmente dormem, em vez de dormir também, ficam no celular por horas, rolando feed em modo zumbi. 9 em cada 10 americanos usam o celular dentro de uma hora antes de dormir. Para pais, o mecanismo tem uma lógica própria: o dia inteiro é gerenciado em função de outras pessoas — necessidades das crianças, demandas do trabalho, logística da casa. O celular à noite é o único espaço que sobra de autonomia, de tempo que não pertence a ninguém. O problema é que esse "tempo próprio" cobra um preço no sono que acumula ao longo da semana (Parents)

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