エピソード

  • No último episódio da temporada, e a pedido de várias famílias - que é como quem diz, de vários ouvintes - trago finalmente o tema Humor ao podcast, e logo com o convidado ideal para este tema: Ricardo Araújo Pereira.

    Há muito que queria pegar neste tema no podcast, porque o acho fascinante e misterioso ao mesmo tempo. O humor está presente em muito do que fazemos - mas não em tudo - e pode ser extremamente básico mas também desafiantemente complexo. Perceber o que nos faz rir e, mais importante, por que nos rimos é algo em tenho pensado e esta foi uma óptima oportunidade para falar com alguém que não só é provavelmente o humorista português mais marcante do século XXI mas também uma espécie de filósofo do humor e um pensador de direito próprio sobre estes temas. O pretexto para a conversa foi um pequeno, mas muito interessante livro, que o Ricardo publicou há uns anos e que ele define como “uma espécie de manual de escrita humorística”.

    Este episódio é, na verdade, apenas a primeira parte da nossa conversa, porque gravámos em dois dias diferentes, o que permitiu ter uma conversa mais alargada do que o normal, em que pudemos discutir uma série de temas em profundidade.

    O podcast regressa em setembro com a segunda parte da conversa.

    [Os mecenas do podcast terão acesso adiantado à 2ª parte da conversa através do Patreon]

    Durante este episódio, começámos por discutir a resposta a uma pergunta simples mas que continua a ser misteriosa: por que rimos? Falámos de um livro muito interessante de Matthew Hurley, Daniel Dennett (Inside Jokes), que tenta dar uma explicação evolutiva para a nossa capacidade para achar graça e que vai muito ao encontro da visão que o Ricardo expõe no livro.” Para compreender este fenómeno do humor, passámos também pelas chamadas ‘Teorias do Humor’, que deste a antiguidade tentam explicar este fenómeno.

    Um tema inevitável que também discutimos é o número crescente de pessoas ferozmente criticadas, despedidas do trabalho ou mesmo processadas por mandar uma piada. Isto resulta do facto de o humor ser hoje visto, em alguns campos, como uma fonte de poder e um meio potencial de agressão. Discutimos, então, isso mesmo, se o humor pode ser agressão, falámos de liberdade de expressão e do papel do humor nas relações humanas e na sociedade como um todo.

    Mas claro que para responder a estas perguntas precisámos de voltar constantemente ao início da conversa. Por isso a discussão sobre o que é o humor e porque achamos graça esteve sempre presente.

    O Quarenta e Cinco Graus regressa em setembro, com a 2ª parte desta conversa, um episódio mais longo em que pudemos explorar vários aspectos que ficaram de fora desta primeira parte. Fiquem atentos!

    Fotografia: DR

    Link para o inquérito:

    https://pt.surveymonkey.com/r/F7FQDDZ

    (obrigado por participarem!)

    Obrigado aos mecenas do podcast:

    Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Tiago Leite, Joana Faria Alves Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha, André Lima, João Braz Pinto, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, Rafael Melo, Alexandre Almeida, Carmen Camacho, João Nelas Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Duarte Martins, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, José Carlos Abrantes, Tomás Félix, Vasco Lima, Carlos Martins, Ricardo Delgadinho, Marise Almeida; Gonçalo Martins, José Galinha, João Castanheira, Marta Madeira, Joao Pinto, Francisco Vasconcelos, Rui Passos Rocha, João Moreira, Vítor Filipe, isosamep, Telmo

    Agradecimentos especiais neste episódio: Paulo Ferreira, Luís Figueiredo, Tiago Diogo

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    Referências abordadas na conversa:

    Livro do convidado: A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar - Uma espécie de manual de escrita humorística

    Inside Jokes: Using Humor to Reverse-Engineer the Mind - Matthew M. Hurley, Daniel C. Dennett, Reginald B. Adams Jr.

    Citação de William Hazlitt

    Umberto Eco - O Nome da Rosa (riso)

    Fernando Pessoa - Poema em linha recta

    Laughter Of The Oppressed - Jacqueline A. Bussie

    Neil Simon


    Bio: Ricardo Araújo Pereira (Lisboa, 1974) é licenciado em Comunicação Social pela Universidade Católica, e começou a sua carreira como jornalista no Jornal de Letras. É guionista desde 1998. Em 2003, com Miguel Góis, Zé Diogo Quintela e Tiago Dores, formou o Gato Fedorento. Escreve semanalmente na Visão (Portugal) e na Folha de S. Paulo (Brasil) e é um dos elementos do programa da TSF/TVI24 Governo Sombra. É autor e apresentador de Gente Que Não Sabe Estar (TVI). Com a Tinta-da-china, publicou seis livros de crónicas — Boca do Inferno (2007), Novas Crónicas da Boca do Inferno (Grande Prémio de Crónica APE 2009), A Chama Imensa (2010), Novíssimas Crónicas da Boca do Inferno (2013), Reaccionário com Dois Cês (2017) e Estar Vivo Aleija (2018) —, além dos volumes de Mixórdia de Temáticas, que reúnem os guiões do programa radiofónico, e de um ensaio: A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar (2016, também publicado no Brasil). No Brasil está ainda publicada a coletânea de crónicas Se não entenderes eu conto de novo, pá (Tinta-da-china, 2012). Coordena a coleção de Literatura de Humor da Tinta-da-china, que publicou livros de Charles Dickens, Denis Diderot, Jaroslav Hasek, Ivan Gontcharov, Robert Benchley, S.J. Perelman, George Grossmith e, mais recentemente, José Sesinando. É o sócio n.º 12 049 do Sport Lisboa e Benfica.

  • Mário Figueiredo é professor catedrático no Instituto Superior Técnico, e coordenador de área e líder de grupo no Instituto de Telecomunicações. As suas área de trabalho são a aprendizagem automática, o processamento e análise de imagens e a optimização. Recebeu várias distinções e prémios internacionais e, desde 2014 até ao presente, tem integrado a lista anual "Highly Cited Researchers", sendo o único português das áreas da engenharia ou ciências da computação com esta distinção.

    Como tinha prometido há poucos episódios, regresso ao tema Inteligência Artificial. Mas não foi só disso que se falou nesta excelente conversa com Mário Figueiredo, que não é um investigador qualquer. É um dos académicos mais citados a nível mundial na investigação em Machine Learning, processamento de imagens e optimização, técnicas que têm aplicação, por exemplo, na medicina ou na interpretação de imagens de satélite.

    Mas não é só à investigação académica que o Mário se dedica. É também, como vão perceber, um divulgador de ciência nato e alguém gosta aplicar a mesma curiosidade e espírito analítico de cientista a pensar uma série de questões diferentes. Isto, para além de ser um ouvinte do podcast, o que me honra muito.

    A conversa tocou numa série de pontos, como é habitual.

    Começámos por falar da revolução que a chamada Ciência de Dados trouxe nos últimos anos e das enormes implicações que tem no mundo de hoje. Ciência de Dados não é mais do que análise de dados, mas desenvolveu-se imenso nos últimos anos, em resultado de duas revoluções paralelas: uma é a enorme expansão na quantidade de dados disponíveis (os chamados big data), outra são os desenvolvimentos que tem havido em machine learning, uma área que veio revolucionar a Inteligência Artificial. Com estes algoritmos conseguimos hoje programas que aprendem automaticamente a detectar padrões e conseguem tirar conclusões úteis a partir de uma enorme quantidade de dados.

    Outro aspecto de que falámos é o impacto destes avanços não só na economia e na sociedade, mas também na própria ciência, que passa a ter uma ferramenta complementar à matemática. Daí que um grupo de cientistas da Google tenha escrito um artigo com o título provocador ‘The Unreasonable Effectiveness of Data’, uma resposta a um ensaio famoso do físico Eugene Wigner sobre a ‘Unreasonable Effectiveness of Mathematics in the Natural Sciences’.

    À boleia desta discussão, passámos o resto do episódio no tema mais geral da Inteligência Artificial. Têm havido enormes progressos nesta área, nos últimos anos, sobretudo à boleia da dita Machine Learning, que tem conseguido superar os seres-humanos, numa série de tarefas que até aqui achávamos não estarem ao alcance de um computador, como traduzir línguas, conduzir carros ou mesmo gerar fotografias, credíveis, de caras de pessoas que não existem na realidade!

    No entanto, na visão do convidado, estes progressos continuam a ocorrer em tarefas específicas, e nada garante que estejam a contribuir de alguma forma para criar Inteligência Artificial capaz de autonomia e de pensar como um ser humano. É uma visão provocadora e especialmente interessante porque é saudavelmente diferente da posição de Arlindo Oliveira, com quem tinha falado sobre este tema anteriormente.

    Assumindo que a inteligência humana é de facto diferente, a grande questão que ressalta daqui é o que é especial, então, no cérebro humano?

    Para David Deutch é “a capacidade que os humanos têm para gerar novas explicações para um determinado fenómeno”. Este físico britânico tem um artigo muito interessante sobre o tema, de que falamos ao longo da conversa e que podem encontrar na descrição do episódio.

    Portanto, no curto-prazo, parece mais provável que a Inteligência Artificial continue a complementar, e não a substituir, a Inteligência Humana. E, por coincidência, foi precisamente no dia em que gravámos esta conversa que Elon Musk anunciou os progressos que tem feito na Neuralink, a empresa que criou para desenvolver interfaces entre o cérebro e um computador, e que ele acredita vir um dia a permitir fazer uma espécie de ‘fusão’ entre o cérebro humano e os sistemas de IA.

    Obrigado aos mecenas do podcast:

    Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Tiago Leite, Joana Faria Alves Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha, André Lima, João Braz Pinto, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, Rafael Melo, Alexandre Almeida, Carmen Camacho, João Nelas Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Duarte Martins, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, José Carlos Abrantes, Tomás Félix, Vasco Lima, Carlos Martins, Ricardo Delgadinho, Marise Almeida; Gonçalo Martins, José Galinha, João Castanheira, Marta Madeira, Joao Pinto, Francisco Vasconcelos, Rui Passos Rocha

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    Referências abordadas na conversa:

    Livro ‘The Attention Merchants, de Tim Wu

    Artigo do convidado: O Impacto e o Ensino da Ciência de Dados

    How the constant flow of data is revolutionising biology

    Debate Richard Dawkins & Bret Weinstein - Evolution

    The Unreasonable Effectiveness of Mathematics in the Natural Sciences - Eugene Wigner

    The Unreasonable Effectiveness of Data - Alon Halevy, Peter Norvig, and Fernando Pereira, Google

    The Fourth Paradigm: Data-Intensive Scientific Discovery - Tony Hey Stewart Tansley Kristin Tolle

    Artigo ‘Artificial Intelligence, The Revolution Hasn’t Happened Yet’ - Michael I. Jordan

    España, el segundo país con mayor esperanza de vida de la OCDE

    How close are we to creating artificial intelligence? - David Deutsch

    John McCarthy; Norbert Wiener

    António Damásio sobre Inteligência Artificial

    Nature: Whole-animal connectomes of both Caenorhabditis elegans sexes

    Deep-Learning Machine Listens to Bach, Then Writes Its Own Music in the Same Style

    Livros recomendados:

    O Início do Infinito - David Deutsch

    Uma qualquer colectânea de contos de autores clássicos russos

    Elon Musk unveils Neuralink’s plans for brain-reading ‘threads’ and a robot to insert them


    Bio: Mário Figueiredo é professor catedrático no Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, e coordenador de área e líder de grupo no Instituto de Telecomunicações. As suas área de trabalho são a aprendizagem automática, o processamento e análise de imagens e a optimização. Recebeu várias distinções e prémios internacionais e, desde 2014 até ao presente, tem integrado a lista anual "Highly Cited Researchers", sendo o único português das áreas da engenharia ou ciências da computação com esta distinção.

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  • Francisco C. Santos é Professor Associado do Departamento de Engenharia Informática do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, e doutorado em Informática pela Universidade Livre de Bruxelas (ULB). A sua investigação foca a aplicação e desenvolvimento de ferramentas de simulação para uma melhor compreensão de dinâmicas colectivas, desde o nível celular ao comportamento humano. Trabalha em problemas relacionados com a evolução da cooperação, normas sociais, processos de decisão em redes sociais, planeamento urbano, e acordos sobre alterações climáticas, entre outros temas.

    Falámos sobre sistemas complexos, ciência das redes e algoritmos e sobre o modo como estas ferramentas conceptuais oferecem uma abordagem revolucionária para estudar um sem-fim de fenómenos, desde as células do nosso corpo à ligação entre as páginas de internet.

    No início da conversa, o Francisco explica a natureza destes sistemas complexos e porque é que a chamada ‘ciência de redes’, uma área da matemática, é muito utilizada no estudo destes fenómenos. Explica, por exemplo, a diferença entre os chamados “sistemas sem escala”, que são dominados por alguns indivíduos, e os sistemas aleatórios. E fala ainda de uma série de características importantes destes sistemas, como o conceito de emergência, a existência de leis de escalamento (que ditam o modo como um sistema cresce e se expande e os chamados feedback loops.

    Revista a teoria, falámos de vários casos concretos de redes complexas, desde as redes sociais às células do nosso corpo, e conversámos, ainda, sobre como a análise de sistemas complexos, por serem tipicamente adaptativos (ie, evoluem ao longo do tempo em adaptação ao meio ambiente exterior), permite ajudar a Biologia a estudar a evolução por selecção natural.

    E um dos mistérios precisamente da evolução é a emergência de cooperação, seja entre células (quando se formaram organismos multicelulares), seja entre indivíduos da mesma espécie. Uma parte importante da investigação do convidado tem-se debruçado sobre um dos casos mais especiais de cooperação, os seres humanos, o que me permitiu introduzir o tema do Capital Social - que me andava na cabeça desde a conversa da semana anterior, em que discuti com o Nuno Garoupa a falta de capital social em Portugal. Como seria de esperar, o Francisco deu algumas ideias interessantes sobre como utilizar o que sabemos sobre como funcionam redes complexas - das quais a sociedade é um exemplo - para aumentar a cooperação, utilizando, entre outras coisas, o facto de hoje em dia interagirmos muitas vezes não só com humanos mas com algoritmos de inteligência artificial.

    Obrigado aos mecenas do podcast:

    Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Tiago Leite, Joana Faria Alves Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha, André Lima, João Braz Pinto, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, Rafael Melo, Alexandre Almeida, Carmen Camacho, João Nelas Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Duarte Martins, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, José Carlos Abrantes, Tomás Félix, Vasco Lima, Carlos Martins, Ricardo Delgadinho, Marise Almeida; Gonçalo Martins, José Galinha, João Castanheira, Marta Madeira, Joao Pinto

    Agradecimento especial neste episódio: Fábio Gomes

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    Referências faladas ao longo do episódio:

    O que são sistemas complexos?

    The Unreasonable Effectiveness of Mathematics in the Natural Sciences - Eugene Wigner

    E se um mercador do século XVI fizesse negócios no mundo de hoje?

    Piketty e ‘wealth begets wealth’

    Milgram e a Small-world experiment

    The Major Transitions in Evolution - John Maynard Smith

    Livros recomendados:

    The Social Atom - Mark Buchanan

    Linked - Albert-Laszlo Barabasi

    Why Cooperate? - Scott Barrett



    Bio: Francisco C. Santos é Professor Associado do Departamento de Engenharia Informática do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, e doutorado em Informática pela Universidade Livre de Bruxelas (ULB). A sua investigação foca a aplicação e desenvolvimento de ferramentas de simulação para uma melhor compreensão de dinâmicas colectivas, desde o nível celular ao comportamento humano. Trabalha em problemas relacionados com a evolução da cooperação, normas sociais, processos de decisão em redes sociais, planeamento urbano, e acordos sobre alterações climáticas, entre outros temas.

  • Nuno Garoupa é professor de Direito na George Mason University, nos EUA.

    A investigação académica do convidado tem-se debruçado sobretudo sobre Direito Comparado e a relação entre as instituições do Direito e a Economia. Isto, associado à vida de estrangeirado, explica porque se habituou a pensar o país vendo-o de fora, num olhar que é, como vão ouvir, provocador e original.

    A discussão sobre as causas da pobreza (relativa) de Portugal tem barbas, claro, que é como quem diz: séculos. É quase uma predileção nacional, uma espécie de catarse momentânea, e que facilmente resvala num lamúrio inconsequente e pouco sistemático. Nesta conversa, tentei fugir a essa tentação. A nossa abordagem foi crítica, mas tentei que fosse construtiva e coerente. Até para não ser confundida com uma visão pessimista (vivemos, apesar de tudo, no melhor período dos últimos séculos) ou com um anti-portugalismo snob (que não só não tem razão de ser, como adianta pouco).

    Esta foi uma conversa em que andámos cá e lá entre vários temas de fundo.

    Tentámos ir à raiz da origem do atraso português, o que inevitavelmente nos levou ao papel da geografia, das instituições, e da cultura, cujos efeitos estão inevitavelmente entrelaçados.

    Falámos do modo - muitas vezes perverso - como funcionam as elites em Portugal e das especificidades (as indesejáveis) da cultura nacional, como a falta de confiança interpessoal (o Capital Social de que falei já neste podcast logo no episódio #6, com o Pedro Magalhães), o pouco cultivo do pensamento crítico no sistema de ensino, a obsessão (muito católica) com a culpa ou a tendência para ver a discussão de ideias como um combate moral e um jogo de soma nula.

    E falámos sobre soluções possíveis, sendo que, inevitavelmente, é muito mais difícil chegar a elas do que fazer o diagnóstico.

    Abordámos também o problema da quase estagnação da economia nas duas últimas décadas e outras ameaças à prosperidade e à satisfação dos portugueses com a democracia. Insatisfação essa, aliás, que o convidado prevê, mais tarde ou mais cedo, como indo levar a uma alteração de regime.

    Na última parte da conversa, aproveitei para viajar até à área de investigação do convidado e abordámos os desafios e as insuficiências do sistema judicial português. O Nuno, aliás, tem um livro muito interessante publicado sobre o tema que deixo na descrição do episódio.

    Obrigado aos mecenas do podcast:

    Gustavo Pimenta; João Castanheira João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Tiago Leite Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha, André Lima, João Braz Pinto, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, Rafael Melo, Alexandre Almeida, Carmen Camacho, João Nelas Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Duarte Martins, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, José Carlos Abrantes, Tomás Félix, Vasco Lima, Carlos Martins, Ricardo Delgadinho, Marise Almeida; Gonçalo Martins, José Galinha

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    Referências faladas ao longo do episódio:

    Artigo do convidado: ‘O fracasso das instituições portuguesas como um problema de muito longo prazo’

    Instituições Extractivas vs Inclusivas, segundo Acemoglu e Robinson

    Evolução do PIB desde o Pombalismo

    Jogos de soma positiva

    Locus de controlo

    Livro referido: Yuen Yuen Ang - ‘How China Escaped the Poverty Trap’

    Cartoon da New Yorker

    Manuel Valls, ex-primeiro-ministro francês, é candidato à câmara de Barcelona

    Livro do convidado sobre a Justiça em Portugal

    Livro recomendado: Sebastião José - Agustina Bessa-Luís


    Bio: Nuno Garoupa é professor de Direito, Reitor Adjunto para a Investigação e Desenvolvimento de Quadros e Director de programas de pós-graduação na George Mason University - Antonin Scalia Law School. Anteriormente, foi professor na Texas A&M University School of Law (2015-2018) e na Universidade de Illinois. Antes disso, de 2014 a 2016, foi Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Lisboa, Portugal. Foi também Professor de Direito e Investigador ‘H. Ross and Helen Workman’, na Faculdade de Direito da Universidade do Illinois e Co-Diretor do Programa de Direito, Ciências Sociais e Comportamentais do Illinois. Tem um Doutoramento em Economia pela Universidade de York (RU) e um Mestrado em Direito pela Universidade de Londres (RU). Entre as suas áreas de investigação destaca-se a análise económica do direito e das instituições legais. Os resultados destas investigações têm sido publicados em revistas científicas de destaque, tais como: Journal of Legal Studies; Journal of Law and Economics; American Law and Economics Review; Oxford Journal of Legal Studies; American Journal of Comparative Law; Cambridge Law Journal; Journal of Law and Society; European Review of Private Law; European Business Organization Law Review; e Maastricht Journal of European and Comparative Law. Foi Vice-Presidente da Associação Europeia de Direito e Economia, de 2004 a 2007; integrou o Conselho de Administração da International Society for New Institutional Economics, de 2006 a 2009, e foi Co-Editor da Review of Law and Economics, entre 2004 a 2010. Nuno Garoupa recebeu o prémio espanhol de investigação Julian Marias, em 2010, e foi Bolseiro Searle-Kauffman em Direito, Inovação e Crescimento no Searle Center on Law, Regulation, and Economic Growth, na Faculdade de Direito da Northwestern University, de 2009 a 2010.

  • Carlos Fiolhais é físico, professor universitário e um dos maiores - senão o maior - divulgador de Ciência em Portugal.

    Antes de entrarmos na última leva de episódios desta temporada, decidi republicar mais um episódio marcante dos início do podcast e que merecia já ser repuxado para a linha da frente.

    Foi uma bela conversa, esta com Carlos Fiolhais, que durante o ano e meio desde que gravámos este episódio continuou a marcar a agenda da discussão de ciência em Portugal.

    Espero que gostem. Volto para a semana como um episódio inteiramente novo!

    Bio: Carlos Fiolhais nasceu em Lisboa em 1956. Licenciado em Física na Universidade de Coimbra e doutorado em Física Teórica na Universidade Goethe, em Frankfurt, Alemanha, em 1982, é Professor Catedrático de Física na Universidade de Coimbra. Foi professor convidado em universidades de Portugal, Brasil e Estados Unidos. Publicou mais de 30 livros, incluindo Física Divertida, Computadores, Universo e Tudo o Resto e A Coisa Mais Preciosa que Temos (Gradiva); Ciência a Brincar (Bizâncio); manuais escolares de Física e de Química (Gradiva e Texto Editores); Roteiro de Ciência e Tecnologia (Ulmeiro) e Fundamentos de Termodinâmica do Equilíbrio (Gulbenkian). É autor de cerca de 100 artigos científicos em revistas internacionais (um dos quais com 3500 citações) e de mais de 300 artigos pedagógicos e de divulgação. Participou em inúmeros encontros, conferências e acções promovendo a ciência e a cultura científica. Criou o portal de ciência www.mocho.pt. Ganhou em 1994 o Prémio União Latina/JNICT de tradução científica. Ganhou o Globo de Ouro de Mérito e Excelência em Ciência de 2004 atribuído pela televisão SIC e pela revista Caras em 2005. Em 2017, ganhou o Grande Prémio Ciência Viva Montepio. Investiga Física da Matéria Condensada e Ensino e História das Ciências. Foi fundador e Director do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, onde instalou o maior computador português para cálculo científico («Centopeia»). Dirige a revista Gazeta de Física da Sociedade Portuguesa de Física e é membro da comissão editorial das revistas Europhysics News, da Sociedade Europeia de Física, e Física na Escola e Revista Brasileira do Ensino da Física, da Sociedade Brasileira de Física. Foi director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

  • Esta semana resolvi republicar um episódio antigo que é um dos mais ouvidos do Quarenta e Cinco Graus. É a conversa com Arlindo Oliveira, presidente do IST, sobre o livro Mentes Digitais, o futuro da inteligência artificial e o modo como pode superar a cognição humana.
    É um tema a que vou voltar brevemente, ainda antes da pausa para férias, e, como foi apenas o 5º episódio do podcast, achei que estava na altura de lhe devolver o destaque merecido. Espero que gostem!

    O livro 'The Digital Mind' foi lançado este ano pela prestigiada MIT Press. A tradução em português, editada pela IST Press, foi lançada posteriormente no mercado nacional.

  • Inês Torres é egiptóloga e actualmente doutoranda na Universidade de Harvard, nos EUA.

    O Antigo Egipto até pode parecer um tema algo circunscrito para aquilo que é hábito no 45 graus, mas é preciso ter em conta que falamos de uma civilização que durou mais de 3000 anos (e isto é se considerarmos só o início canónico, quando as Cidades-Estado do Alto e Baixo Egipto se uniram para formar um só território). Para além disso, continua, passado todo este tempo, a ser um dos períodos que mais fascinam as pessoas, e não é por acaso, porque é um mundo que nos parece simultaneamente próximo e misterioso. Mas como a Inês realça, são seres humanos iguais a nós que viveram naquela cultura com aspectos tão exóticos e peculiares.

    Curiosamente, o Egipto dos faraós terminou perto do ano Zero, ou seja, precisamnete quando dava entrada o Cristianismo, que depois dominou a cultura ocidental até, pelo menos, ao Renascimento.

    A nossa conversa tocou em tantos pontos que pode ficar confusa. Por isso, vale a pena deixar aqui uma cronologia da História do Egipto em traços grossos. Ao longo dos 3 milénios, os historiadores identificam três períodos de estabilidade - os chamados Império Antigo, Intermédio e Novo -, separados por dois períodos de interregno, marcados por instabilidade. Sendo que, claro, como tudo isto se desenrolou ao longo de 3 milénios, cada um desses interregnos de instabilidade durou... 100 ou 200 anos (mais do que alguns reinos que se lhes seguiram).

    Estes 3000 anos de civilização são explicados, pelo menos em parte, pela protecção da geografia e pela sorte de ter acesso ao Nilo, uma fonte de água mais fiável do que outras civilizações. Esta prosperidade, por seu lado, permitiu libertar o tempo das pessoas que fizeram aquilo que hoje, em retrospectiva, admiramos: desde criar uma burocracia administrativa desenvolvida, aos progressos na matemática e na astronomia, passando pelas proezas arquitectónicas e artísticas.

    Ao longo da conversa, falámos sobre tudo isto, e também sobre a escrita, as pirâmides e outras criações, os ritos funerários e a visão optimista em relação à morte. Falámos também das características peculiares da cultura dos egípcios e da maneira como a sociedade estava estruturada, desde as elites ao povo, de que sabemos muito menos. E conversámos ainda, mais demoradamente, sobre Akhenaten, que foi provavelmente o faraó mais misterioso.

    Durante a conversa, tentei conjugar estes aspectos transversais daquela civilização com compreender a cronologia da História do Egipto, desde os três períodos de prosperidade aos anos (séculos) de interregno.

    Com tempo limitado e tendo em conta que a área de especialização da convidada é o Antigo Império, acabámos por falar menos do período mais recente. Deixámos de lado, por exemplo, temas importantes como o reinado de Ramses II ou o fim do império com Cleópatra.

    Obrigado aos mecenas do podcast:

    Gustavo Pimenta; João Castanheira João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Tiago Leite Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha, André Lima, João Braz Pinto, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, Rafael Melo, Alexandre Almeida Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Duarte Martins, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, José Carlos Abrantes, Tomás Félix, Vasco Lima, Carlos Martins, Ricardo Delgadinho, Marise Almeida; Gonçalo Martins, José Galinha

    -> Torne-se também mecenas do podcast, a partir de 2€, através do Patreon!

    Referências faladas ao longo do episódio:

    Cronologia do Antigo Egipto

    1822: The Decipherment of Hieroglyphs

    Egiptomania

    River-valley civilizations

    Seven Wonders of the Ancient World

    Coco (filme) e a morte no Antigo Egipto

    BBC In Our Time - The Egyptian Book of the Dead

    Herodotus on the Egyptians

    Pirâmides nas civilizações antigas

    A História de Sinué

    Colapso da Idade do Bronze

    Explosão de vulcão na Islândia

    Akhenaten

    Freud sobre Akhenaten

    Nefertiti

    Deus Aten

    Templo de Carnaque

    Projecto de doutoramento

    Livros recomendados:

    O Egito Faraónico, de Luís Manuel de Araújo

    The Complete Cities of Ancient Egypt, de Steven Snape


    Bio: Actualmente a fazer o Doutoramento na Universidade de Harvard, nos EUA. Licenciada em Arqueologia pela Universidade de Lisboa e M.Phil em Egiptologia pela Universidade de Oxford. A sua investigação debruça-se sobre as mulheres no Antigo Egipto e Núbia, arte e iconografia, arqueologia funerária e temas de identidade pessoal e de grupo expressas nos textos do Antigo Egipto.

  • Thiago Hansen é autor do podcast brasileiro Salvo Melhor Juízo e professor de História e Teoria do Direito na Universidade Federal do Paraná.

    Começámos por discutir a evolução do Direito ao longo da História - desde Roma (lá está), passando pela Europa medieval até à formação do Estado Moderno. Isto levou-nos a discutir temas como o Absolutismo ou a diferença entre a o sistema jurídico da tradição da Europa continental e a chamada common law de tradição inglesa. E daí saímos do passado para abordar o Presente do sistema judicial brasileiro. Foi muito interessante ouvir o alerta do Thiago, ele próprio jurista, em relação aos perigos do excesso de protagonismo do poder judicial no Brasil. Sobretudo tendo em conta que gravámos a conversa dias antes de saírem as notícias de que o juiz Sérgio Moro, figura central da acusação ao antigo Presidente Lula da Silva e hoje ministro da Justiça do Brasil, terá, entre outras acções muito discutíveis, a serem verdade, colaborado com o procurador do Ministério Público (a acusação), o que é proibido por lei. Isto são notícias dos últimos dias, atenção. Actualidade, portanto, num episódio que era suposto, relembro, suposto ser sobre História do Direito!

    Feito este detour, regressámos à História e à Teoria do Direito para falar da relação entre o Direito e Justiça. Pode parecer um não-tema, mas a verdade é que há uma longa história de discussão filosófica sobre a relação entre os dois. O debate clássico é entre duas visões antagónicas, a do chamado direito natural e a do positivismo jurídico. E várias vezes este contraste veio à baila durante o episódio. Explicando rapidamente, os proponentes do direito natural reclamam que existem leis universais naturais, que o Estado tem de respeitar. O que não responde, claro, à pergunta: o que é natural? Para uns é a palavra de Deus, para outros os direitos básicos de todos os seres humanos. Mas alguém tem de os definir, claro, por isso esta posição adianta de pouco. Já a posição contrária, a do direito positivista, está confortável com o facto de ser a maioria da população a definir o que é a lei e, em última análise, o Estado ou Governo desse país. Mas isso, claro, leva a que em teoria, se tolere um Estado autoritário ou uma ditadura da maioria. Enquanto não-jurista, tenho que dizer que me parece um debate um pouco esotérico...demasiado abstracto e sobretudo pouco útil na prática, uma vez que a realidade não corresponde exactamente a nenhum dos modelos. Mas julguem por vós próprios.

    Terminámos a conversa a falar sobre podcasts, Portugal e o Brasil e o potencial dos podcasts em aproximarem pessoas dos dois países - como nós. Espero que gostem.

    Obrigado aos mecenas do podcast:

    Gustavo Pimenta; João Castanheira João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Gonçalo Martins; Tiago Leite Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha, André Lima, João Braz Pinto, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, Rafael Melo Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Duarte Martins, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, José Carlos Abrantes, Tomás Félix, Vasco Lima, Carlos Martins, Ricardo Delgadinho, Marise Almeida

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    Referências faladas ao longo do episódio:

    Podcast do convidado: SALVO MELHOR JUÍZO

    Definições de Direito

    Jusnaturalismo

    Legal positivism

    Diferenças

    Ius

    Auctoritas e Potestas

    Josep Fontana

    Ordenações

    Celso: "O direito é a arte do bom e do justo"

    Ronald Dworkin

    Hans Kelsen

    Corpus Juris Civilis

    Gustav Radbruch e a ‘Jurisprudência de valores’

    Pós-positivismo

    2015 Polish Constitutional Court crisis

    Ato Institucional Número Dois

    Falcone e Di Pietro: os dois italianos que inspiraram Sérgio Moro

    Friedrich Nietzsche - Genealogia da Moral

    Jonathan Haidt - Moral foundations theory

    Michael Sandel - Justice (Harvard)

    Livros sugeridos:

    Paolo Grossi - Primeira Lição sobre Direito

    António Manuel Hespanha - Como os juristas viam o mundo



    Bio: Possui graduação em Direito pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (2011), graduação em História pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (2010), mestrado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (2014) e doutorado em direito na Universidade Federal do Paraná (2018). É professor adjunto de Teoria do Direito do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em História do Direito e Teoria do Direito, atuando principalmente nos seguintes temas: história do direito brasileiro no século XX e história do direito ambiental. Produz, participa e dirige o podcast jurídico Salvo Melhor Juízo.

  • Maria João Valente Rosa é professora na Universidade Nova de Lisboa, doutorada em Demografia e foi, até ao ano passado, directora da Pordata, uma base de dados de indicadores sobre Portugal disponibilizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

    A nossa conversa levou-nos, como é habitual, em várias direcções.

    Em jeito de aperitivo, começámos por falar sobre a paixão da convidada, a Demografia, e da importância da literacia nesta área para uma sociedade informada e próspera.

    A conversa em si foi, em grande parte, sobre a principal área de investigação da convidada: o envelhecimento demográfico a que assistimos actualmente no mundo desenvolvido, e em Portugal em particular.

    A proporção de idosos face aos jovens tem vindo a aumentar em Portugal nas últimas décadas, em resultado do aumento da longevidade e, em menor grau, da diminuição da natalidade. Segundo o INE, o envelhecimento da sociedade vai continuar e só tenderá a estabilizar daqui a cerca de 40 anos

    Este vai ser um desafio para as sociedades, mas a convidada realça duas coisas. por um lado, este número é enganador, porque a esperança de vida também aumenta (uma pessoa de 65 anos em 1960 tinha uma esperança de vida restante equivalente a uma de 72 hoje em dia). Por outro lado, o envelhecimento demográfico é sobretudo uma notícia positiva, tendo em conta que (i) o aumento do número de velhos deve-se ao aumento da longevidade e (ii) a própria diminuição da natalidade é, indirectamente, resultado do desenvolvimento económico dos países.

    A questão da longevidade dava um podcast inteiro, claro, tantas as ramificações que tem. Falámos da enorme perda de valor social que é o actual sistema binário de trabalho (até aos 65 anos) seguido de entrada abrupta na reforma. E conversámos também sobre o modo, muitas vezes errado, como a sociedade lida com os velhos e os novos, e o que se pode melhorar.

    Sobre a redução da natalidade, conversámos sobre vários aspectos. Esta questão é sempre um puzzle. A influência do rendimento sobre o número de filhos, por exemplo, parece confusa: queixamo-nos hoje de que não temos mais filhos porque falta de dinheiro, mas é nos países mais pobres que nascem mais crianças.

    A explicação é que quando o nível de vida de uma sociedade aumenta muito, muda também a maneira como as pessoas vêem a natalidade: em países desenvolvidos (como Portugal), entre outras alterações, os filhos deixaram de ser vistos como mão-de-obra, por isso as “variáveis” da equação que usamos para decidir quantos filhos vamos ter alteraram-se drasticamente. Hoje, muito dificilmente a pessoa média quererá ter mais de dois filhos.

    Significa isto que as medidas a tomar para aumentar a natalidade num país como Portugal terão que ser adaptadas a essa nova realidade. E foi sobre isso, sobretudo, que falámos. Por exemplo, mais do que tentar alterar o número de filhos que as pessoas desejam – que dificilmente serão mais do que 2 –, é importante agir sobre as restrições que as impedem de ter os filhos que quereriam.

    Obrigado aos mecenas do podcast:

    Gustavo Pimenta; João Castanheira João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Gonçalo Martins; Tiago Leite Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha, André Lima, João Braz Pinto, Tiago Queiroz Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Duarte Martins, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Ricardo Duarte, Duarte, José Carlos Abrantes, Tomás Félix, Vasco Lima, Carlos Martins, Ricardo Delgadinho

    Agradecimento especial neste episódio: Salvador Cunha

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    Ligações:

    Hans Rosling

    Índice de Literacia Estatística

    -> Simulador

    Áreas de Portugal e Inglaterra (km²): 91,568 vs 130,395

    Formação bruta de capital fixo

    Fronteira entre Portugal e Espanha

    WEF: The myth of an "ageing society"

    Horas de trabalho na UE

    Quality-adjusted life year

    Índice sintético de fecundidade

    Inquérito à fecundidade - 2013

    Paper referido pela convidada

    Livro sugerido: O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

    Bio: Maria João Valente Rosa, professora universitária, nasceu em Lisboa em 1961. Doutorada em Sociologia, especialidade Demografia, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Foi Directora da Pordata – Base de Dados de Portugal Contemporâneo – projecto da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e coordenadora da área científica "População" da FFMS. Desempenhou funções de dirigente em organismos públicos dos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Integra o Conselho Superior de Estatística (CSE) e o Comité Consultivo Europeu de Estatística (ESAC). É autora e coordenadora de inúmeros estudos publicados sobre a sociedade portuguesa. Entre estes, em 1999, "Reformados e Tempos Livres", edições Colibri-Inatel, e em 2012, no âmbito da colecção de ensaios da FFMS, "O envelhecimento da sociedade portuguesa" (nº 26).

  • Gustavo Cardoso é professor catedrático e investigador de Media e Sociedade no ISCTE. O tema é um dos mais desafiantes dos nossos tempos: os desafios actuais e o futuro do jornalismo. Foi uma excelente conversa e, para mim, também uma óptima maneira para explorar melhor este tema, porque participei recentemente num colóquio no CCB precisamente sobre o futuro do jornalismo.

    E porque é que o tema é tão importante? Porque o jornalismo é essencial à Democracia. E porque os jornais (e outros media) sofreram nos últimos anos quase uma de tempestade perfeita: a internet tornou uma série de informação disponível de forma gratuita, ao mesmo tempo que tirou aos jornais grande parte das receitas de publicidade, que agora estão nas mãos de gigantes como a Google e o Facebook. Ao mesmo tempo, do lado dos utilizadores, diminuiu a nossa predisposição para pagar e mudou a maneira como olhamos para a própria informação jornalística.

    Temos hoje mais e, talvez, melhor jornalismo, mas é cada vez mais difícil separar o trigo do joio. Ao mesmo tempo, estas mudanças afectaram os modelos de negócio dos jornais, o que, por seu lado, penaliza o próprio produto e afecta o papel dos media enquanto Quarto Poder.

    Conversámos, então, sobre vários aspectos deste tema: fake news e propaganda, modelo de negócio dos jornais, o papel dos privados e o papel do Estado, a importância do jornalismo para a democracia, a necessidade de reinventar o jornalismo. Falámos também das especificidades do mercado dos jornais em Portugal, como a particularidade (que a mim me parece um mau sinal) de quase todos os nossos jornais terem um posicionamento político supostamente ao centro.

    Obrigado aos mecenas do podcast:

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    Ligações:

    Livros do convidado

    CCB - O Futuro do Jornalismo

    Edward Bernays, o ‘inventor’ da propaganda

    Estratégia da Netflix

    Move Fast and Break Things: How Facebook, Google, and Amazon Cornered Culture and Undermined Democracy - Jonathan Taplin

    Bio: Doutorado em Sociologia e investigador, professor catedrático de Media e Sociedade e Diretor do Curso de Doutoramento em Ciências da Comunicação no ISCTE-IUL em Lisboa. É editor associado do Journal IJOC da USC Annenberg e Chair do painel de avaliação das Starting Grants do European Research Council. É investigador do do CIES-IUL, do CADIS na EHESS em Paris e Director do OberCom. Autor de várias publicações, destaca-se "O Poder de Mudar" e "Sociedade dos Ecrãs" (Tinta da China), "Aftermath" (Oxford University Press) e "Os Media na Sociedade em Rede" (Fundação Calouste Gulbenkian).

  • Bernardo Pires de Lima é Investigador Associado do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa e comentador regular em vários órgãos de comunicação social. Tem publicado vários livros sobre uma série de temas na área das Relações Internacionais: da política externa portuguesa, aos EUA, Médio-Oriente e, claro, da Europa. E foi precisamente sobre a Europa que falámos, a pretexto do seu livro mais recente, ‘O Lado B da Europa’. O livro já foi lançado no ano passado, mas acaba por vir bem a propósito, tendo em conta que as eleições europeias são já este domingo.

    É difícil fazer o sumário desta conversa, porque falámos sobre uma série de coisas. Começámos por discutir os desafios da União Europeia, tanto os internos, como a emergência de partidos populistas e, sobretudo, autoritários, como os externos, como a emergência da China. Falámos de um dos maiores desafios internos, que é a chegada ao poder de partidos autoritários em países como a Polónia e a Hungria - o que, entre outras coisas, põe a nu a incapacidade da UE em por cobro à deterioração das instituições na sua própria casa. Falámos também da importância de construir uma democracia a nível europeu e ,mais importante, uma cultura europeia.

    Terminámos a discutir um ensaio recente da Yoni Appelbaum na revista americana The Atlantic, em que este historiador e jornalista recomenda o impeachment a Donald Trump, com base num argumentário muito sustentado historicamente. E, claro, como em geopolítica tudo está ligado, por definição, regressámos à UE e falámos sobre o papel da NATO.

    Obrigado aos mecenas do podcast:

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    Ligações:

    Livro do convidado: O Lado B da Europa

    Artigo de Anne Applebaum na The Atlantic

    Dani Rodrik - How democratic is the Euro

    Spitzenkandidat

    Carnegie Europe - What Are Europe’s Top Three Challenges? Not Brexit, Not Migration, Not Populism.

    Podcast LSE

    Episódio do podcast ‘Hidden Brain’ sobre a criatividade

    Impeach Trump Now - Yoni Appelbaum (The Atlantic)

    The Case Against Impeachment - Slate

    Bio: Bernardo Pires de Lima (n. 1979) é Investigador Associado do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa (desde 2004), colunista de política internacional do Diário de Notícias (desde 2010), comentador de assuntos internacionais da RTP e da Antena 1 (desde 2015) e membro do conselho consultivo do Instituto para a Promoção da América Latina (IPDAL). Entre 2012 e 2018, foi Visiting e Nonresident Fellow no Center for Transatlantic Relations, Paul H. Nitze School of Advanced International Studies, Universidade Johns Hopkins, em Washington D.C. Tem trabalhado ainda nos últimos anos em consultoria em assuntos internacionais para entidades diplomáticas, políticas e empresariais, tendo sido consultor de risco estratégico da Maintrust Investment Consulting. É, desde Setembro de 2017, Partner na FIRMA – Agência Portuguesa de Negócios, onde lidera a área de Risco Geopolítico. Licenciou-se em Ciência Política pela Universidade Lusíada de Lisboa (2003), frequentou o último ano do curso na Università degli Studi di Roma Tre, Itália, ao abrigo do programa Erasmus, onde desenvolveu um projecto de investigação sobre a influência do império de comunicação social de Sílvio Berlusconi na sua eleição em 2001. Concluiu o mestrado em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada de Lisboa (2006), com uma tese sobre a política externa britânica entre 1997 e 2003, em particular sobre a estratégia de Tony Blair para o Kosovo e o Iraque. Optou por congelar o doutoramento na Universidade Nova de Lisboa, numa fase intermédia da escrita de uma tese sobre os EUA e a transformação da NATO depois da Guerra Fria, em virtude dos vários compromissos profissionais simultâneos. Foi comentador residente da Rádio Renascença (2008-2012), TVI 24 (2009-2012) e colunista do jornal i (2009-2010). Tem publicado em revistas académicas como Relações Internacionais, Nação e Defesa ou European Foreign Affairs Review e colaborado com a imprensa nacional e estrangeira, como a SIC, SIC Notícias, TVI, RTP1, RTP2, RTP3, RTP Informação, RTP África, TSF, Antena 1, Rádio Clube Português, Rádio Europa, Diário Económico, Atlântico, Notícias Magazine, Semanário Económico, Majalla Magazine, World Politics Review, The Huffington Post World, Atlantic Treaty Association Commentary, The Diplomat, The National Interest, Hurriyet Daily News, Berlin Policy Journal, BBC, RFI, Deutsche Welle, Deutschlandfunk e Rádio Morabeza. É autor dos livros O Lado B da Europa: Viagem às 28 Capitais (Tinta-da-China, 2018), Administração Hillary (com Raquel Vaz-Pinto, Tinta-da-China, 2016), Putinlândia (Tinta-da-China, 2016; Prémio José Medeiros Ferreira 2016), Portugal e o Atlântico (Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2016), A Síria em Pedaços (Tinta-da-China, 2015), A Cimeira das Lajes: Portugal, Espanha e a Guerra do Iraque (Tinta-da-China, 2013) e Blair, a Moral e o Poder (Guerra & Paz, 2008) e conferencista regular em cursos, licenciaturas e mestrados de Relações Internacionais na Universidade Nova de Lisboa, Universidade Lusíada, ISCTE, Universidade Católica, Universidade do Minho, Instituto Diplomático de Portugal, Academia Diplomática da Turquia e no Instituto da Defesa Nacional, onde foi investigador na área da segurança transatlântica (2005-2009). Representou Portugal no Leaders Program in Advanced Security Studies, no George C. Marshall European Center for Security Studies, Alemanha (2006) e participou em programas de liderança, estudos de segurança e política internacional em Itália, Bélgica, Áustria, EUA e Israel. Foi bolseiro da FLAD (2012) e contemplado com a Marshall Memorial Fellowship pelo German Marshall Fund of the United States (2013), um dos principais programas de promoção transatlântica e de networking para futuros líderes europeus com menos de 40 anos. Tem viajado nos últimos anos pelos Estados Unidos da América, África, Médio Oriente e Europa, continente que, tal como Tony Judt, mede “em tempo de comboio”, percorrido que foi em três interrails. É membro do Clube de Lisboa, da Associação Portuguesa de Ciência Política, da Transatlantic Studies Association e do EU Integration Forum.

  • João Nuno Coelho é sociólogo, autor de vários livros sobre sociologia e História do Futebol. É membro do Grupo de História e Desporto do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Nos últimos anos integrou a Football Ideas, colaborando com diversos media nos campos da análise e estatística do futebol, como atestam as participações na Liga dos Últimos, no Números Redondos e na Grandiosa Enciclopédia do Ludopédio.

    O tema deste episódio é um que já há muito tinha pensado trazer ao podcast. Tinha pensado, mas tinha também hesitado, porque adivinho que só uma parte dos ouvintes tem algum interesse pelo tema. Dito isto, posso dizer com alguma confiança que este é um episódio que pode interessar a quase todos os que tenham pelo menos algum interesse por futebol, sobretudo se esse interesse for mais pelo desporto em si e pelo fenómeno social do que pela actualidade que preenche os jornais diários e os programas de comentário televisivo.

    Obrigado aos mecenas do podcast:

    Gustavo Pimenta; João Castanheira João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Gonçalo Martins; Tiago Leite Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha, André Lima Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Duarte Martins, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Ricardo Duarte, Duarte

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    Ligações:

    Livro: The Numbers Game: Why Everything You Know About Soccer Is Wrong Paperback – Chris Anderson e David Sally

    Quest for Excitement: Sport and Leisure in the Civilizing Process - de Norbert Elias

    Norbert Elias e o “Processo CIvilizacional”

    Episódio de que falei sobre o futebol nos EUA (Freakonomics)

    Livro: Banal Nationalism - Michael Billig

    “Vestir a camisola” – jornalismo desportivo e a selecção nacional de futebol (artigo académico do convidado)

    Drafting na NBA

    A disparidade dos direitos televisivos em Portugal

    Quem decide as regras do futebol?

    Sócrates

    VAR

    Golo Hugo Almeida vs Inter de Milão

    Livro que refere a origem da vantagem das equipas que jogam em casa: Scorecasting: The Hidden Influences Behind How Sports Are Played and Games Are Won Paperback – Tobias Moskowitz e L. Jon Wertheim

    Episódio do podcast da BBC ‘More or Less’ sobre como o futebol mudou nas últimas décadas

    Livro: Inverting The Pyramid, The History Of Football Tactics - de Jonathan Wilson

    Artigo de Jonathan Wilson sobre reutilização das tácticas passadas

    Moneyball (filme)

    Brentford's Moneyball Way To Beat Football Teams With Huge Budgets

    Livro recomendado: Fever Pitch - Nick Hornby

    Bio: João Nuno Coelho é sociólogo. Mestre e Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Vencedor em 1999 da 1.ª Edição do Prémio Jovem Cientista Social de Língua Portuguesa, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Autor da obra Portugal, a equipa de todos nós. Nacionalismo, futebol e os media (Afrontamento, 2001), A Nossa Selecção em 50 Jogos, 1921-2004 (Afrontamento, 2004) e da coletânea Futebol Globalizado (Análise Social e Routledge, 2006). Lecionou Sociologia da Arte na Escola Superior Artística do Porto (2003-2007). É membro do Grupo de História e Desporto do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Nos últimos anos integrou a Football Ideas, colaborando com diversos media nos campos da análise e estatística do futebol, como atestam as participações na Liga dos Últimos, no Números Redondos e na Grandiosa Enciclopédia do Ludopédio.

  • Constantino Xavier é investigador na Brookings India, em Nova Deli, integrado na Brookings Institution, um dos maiores think tanks do mundo. A investigação do Constantino debruça-se sobretudo sobre a política externa da Índia, segurança e política regional, democracia e relações Europa-Ásia

    Aproveitei uma visita do Constantino a Portugal, no mês passado, para o convidar para o podcast. É um privilégio poder trazer ao podcast um especialista de renome mundial em assuntos indianos.

    Durante a conversa, falámos sobre uma série de aspectos relacionados com a Índia.

    Desde logo, as especificidades deste país gigantesco e ultra-diverso, composto por 29 Estados, com diferentes culturas, dezenas de religiões e quase 400 línguas diferentes.

    Não podíamos passar ao lado da política interna do país, que tem sido agitada nos últimos anos, com o com a ascensão do partido do actual Primeiro Ministro, o carismático Narendra Modi, e a vaga de nacionalismo hindu que lhe tem estado associada e que é um dos grandes desafios à unidade do país.

    Aliás, estão agora na Índia a decorrer as eleições gerais, um processo verdadeiramente hercúleo, não só em dimensão (é a maior democracia do mundo) como em duração, visto que dura, vejam só, desde 11 de abril e estende-se até dia 23 de maio!

    Falámos também da China, um tema praticamente incontornável hoje em dia quando se analisa a Índia no contexto internacional. Por um lado, a China representa um modelo para a Índia do ponto de vista do desenvolvimento económico. Mas é, também, cada vez mais, uma ameaça ao domínio a que a Índia estava habituada na sua vizinhança. Para além disso, e falámos disso também, é um país com uma cultura muito distinta da da Índia, algo que é visível também nas diferentes abordagens entre os dois países à política e à cooperação internacionais.

    Finalmente, como não poderia deixar de ser, falámos também do Paquistão, a eterna dor-de-cabeça dos governos indianos. As relações entre os dois países têm sido ultra-tensas (para usar um eufemismo) desde a partição da Índia Britânica em 1947 e a independência dos dois países; juntamente com o Paquistão Oriental (agora Bangladesh).

    Nota: A qualidade do som durante os primeiros 18 minutos é de pior qualidade do que o normal.

    Obrigado aos mecenas do podcast:

    Gustavo Pimenta; João Castanheira João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Gonçalo Martins; Tiago Leite Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha, André Lima Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves, Duarte Martins, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Ricardo Duarte

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    Ligações:

    Prémio recebido pelo convidado

    Ranking de países por PIB per capita

    LKY School of Public Policy

    Modi e o Nacionalismo Hindu

    Influência de Vivekananda sobre Modi

    Livro recomendado: The Idea of India Paperback, de Sunil Khilnani

    Territórios disputados entre Índia e China

    Belt and Road Initiative

    Escaramuças entre a Índia e o Paquistão em 2019

    Artigo citado sobre o conflito com o Paquistão: “Whatever others may believe, my opinion is simply that it is better for India to brave a costly nuclear attack by Pakistan, and get it over with even at the cost of tens of millions of deaths, than suffer ignominy and pain day in and day out through a thousand cuts and wasted energy in unrealized potential.”

    Estudo do Banco Mundial sobre os custos da não integração regional

    Bio: Constantino Xavier é investigador na Brookings India, em Nova Deli, onde se dedica à política externa indiana, segurança regional, democracia e relações Europa-Ásia. É doutorado em Estudos do Sudeste Asiático pela Universidade Johns Hopkins

  • Daniel Santos é um designer de serviços com uma carreira que já passou por várias geografias, da Índia ao Reino Unido, e a desempenhar papéis diferentes, de professor a praticante. Actualmente, é designer de serviços no LabX - Laboratório de Experimentação da Administração Pública, onde aplica metodologias do Design para tornar os serviços públicos melhores tanto para os cidadãos como para os funcionários.

    A conversa, como é habitual, estendeu-se por vários terrenos. Comecei por tentar perceber o que é design. Acho que todos os leigos, como eu, tendem a associá-lo intuitivamente à estética, mas, como vamos ver, é muito mais do que isso. Falámos também de alguns exemplos de design com que nos cruzamos no dia-a-dia, como os tipos de letra que usamos para escrever um texto no computador. A letra Arial, descobri há pouco tempo, tem muito má fama entre os designers.

    De seguida, discutimos alguns dos princípios do Design, como o conceito de ‘modelos mentais’, que significam essencialmente o modo como o utilizador do produto ou serviço que se está a desenhar interpreta e representa na sua mente a realidade em que vive. Ora, para um designer, é essencial conhecer o modelo mental do utilizador, porque só assim pode assegurar que vai entender e beneficiar das características que estão a ser desenhadas naquele produto. O problema - ou o desafio - associado aos modelos mentais é que estes variam muito entre pessoas, pelas experiências e backgrounds de cada um e, sobretudo, pelas culturas diferentes, quando falamos de diferentes países.

    Conversámos, ainda, sobre a área de trabalho do convidado, Design de serviços, uma área muito centrada na funcionalidade e, portanto, onde este conceito de modelos mentais é essencial.

    Finalmente, falámos também de outro conceito-chave do Design, este um que se tem tornado quase uma moda no mundo da gestão (e adulterado QB pelo caminho): o Design Thinking, ou “pensar como no design”. A utilidade da abordagem do design para a gestão de empresas e organizações é fácil de entender. O design, na essência, o que fAz é tentar encontrar soluções para problemas práticos. As intersecções entre isto e o objetivo de uma empresa de melhorar a proposta de valor para os clientes são fáceis de encontrar. O que é especial na abordagem do design é que, por ter que lidar com objectos e tipos de utilizadores muito variados, tem de fazer uso de trabalho colaborativo, de equipas multidisciplinares, e de ter uma grande atenção às necessidades dos utilizadores. Trazer estes métodos para dentro de uma empresa, se for bem feito, pode ser uma grande ajuda para encontrar soluções mais inovadoras.

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    Gustavo Pimenta; João Castanheira João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Peralta; Duarte Dória; Gonçalo Martins; Tiago Leite Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa; Daniel Correia, António Padilha Vasco Sá Pinto, Luis Ferreira, Pedro Vaz, André Gamito, Henrique Pedro, Manuel Lagarto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, Filipe Ribeiro, Joana Margarida Alves Martins, Joao Salvado, Luis Marques, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Tiago Pires, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, João Bastos, João Raimundo, Hugo Correia, Mariana Barosa, Marta Baptista Coelho, Paulo Ferreira, Miguel Coimbra, Pedro Silva, António Amaral, Nuno Nogueira, Rodrigo Brazão, Nuno Gonçalves

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    Steve Jobs: “Most people make the mistake of thinking design is what it looks like. People think it’s this veneer – that the designers are handed this box and told, “Make it look good!” That’s not what we think design is. It’s not just what it looks like and feels like. Design is how it works. O espremedor de limões de Philippe Starck Teste referido pelo convidado Episódio podcast ‘Sobretudo’ (parte 1; parte 2) Reconsidering The Effect Of Aesthetics On Usability Canal Reddit ‘Oddly Satisfying’ Unsatisfying Comic Sans e a dislexia Cheryn Flanagan Hotéis Citizen M PepsiCo CEO Indra Nooyi on Design Thinking Design Council - Measuring the value and role of design Design Management Institute - The Value of Design Design Thinking by Herbert Simon Just Enough Research, Erika Hall Nudge theory Wicked problem Livro recomendado: Dark Matter and Trojan Horses: A Strategic Design Vocabulary, de Dan Hill Frédéric Bastiat Necessidades funcionais, hedonistas e simbólicas

    Bio: Daniel Santos, é service designer e um entusiasta da inovação centrada nas pessoas. Foi Design Lead na FutureEverything, em Manchester, no Reino Unido, onde trabalhou em projectos smart-cities e ciência colaborativa. Antes disso, viveu na Índia, cerca de 4 anos, onde leccionou design no ensino superior. Mudou-se para Lisboa para ser service designer no LabX, onde aplica metodologias de Design de Serviços para tornar os serviços públicos mais eficientes e melhorar o quotidiano dos funcionários públicos e cidadãos portugueses. Daniel é mestre em Design de Experiência Digital, pós-graduado em Gestão de Design e licenciado em Artes Digitais.

  • Joana Amaral Dias é psicóloga, comentadora e política. Conversámos sobre Psicologia Política, a propósito do seu livro “O Cérebro da Política - Como a personalidade, emoção e cognição influenciam as escolhas políticas”. Este é um dos temas que me têm dado mais que pensar nos últimos tempos, sobretudo desde que gravei a série de episódios sobre Orientações Políticas.

    A Psicologia Política é, então, o estudo de como as diferenças psicológicas entre as pessoas - como a personalidade, as emoções, os valores ou mesmo a cognição - ajudam a explicar, por exemplo, o eterno mistério de duas pessoas igualmente bem intencionadas e capazes, chegarem a visões políticas antagónicas. Dito isto, vale a pena, se calhar, esclarecer que o objectivo da PP não é reduzir a política à psicologia. Claro que o nosso egoísmo nos leva a alinhar com visões políticas que defendam a nossa posição na sociedade, e é claro que o próprio meio em que nascemos influencia a nossa posição. Mas o que é incrível, e que a Psicologia Política ajuda a explicar, é que isso não é suficiente para explicar porque é que pessoas, por exemplo, dois irmãos que nasceram no mesmo meio e receberam a mesma educação chegam a visões políticas diferentes.

    Durante a conversa, falámos sobre uma série de aspectos da influência da psicologia na política. Começámos por uma das descobertas fundacionais desta área: o facto de o nosso julgamento moral e político começar sempre por uma intuição, isto é, de forma inconsciente. É dessa forma inconsciente - e muitas vezes de forma emocional - que formamos a nossa visão - positiva ou negativa - sobre, por exemplo, o que defende determinado partido ou político. Só depois é que a nossa ‘mente racional’ entra ao serviço e vai sobretudo ter o trabalho de justificar aquela conclusão apriorística, e, só muito raramente, rever criticamente essa conclusão. É muito curiosa esta descoberta e, para mim, de certa forma - lá está - intuitiva. Ocorreu-me logo, por exemplo, a descrição que o Francisco Mendes da Silva fez, no episódio que gravámos, sobre como se tinha tornado conservador muito cedo na vida, com a sistematização dessa perspectiva a ocorrer só mais tarde.

    A comprovação de que o nosso julgamento moral é, primeiramente, intuitivo, deve muito ao trabalho do psicólogo moral Jonathan Haidt, cujo livro ‘The Righteous Mind’ (algo como ‘A Mente Íntegra’) me foi recomendado, em boa hora, por dois ouvintes - João Cotrim de Figueiredo e Pedro Macedo Alves - a quem aproveito para agradecer.

    Compreendendo, então, que as nossas opiniões são formadas sobretudo de forma inconsciente, rapidamente percebemos que a nossa forma de pensar, o nosso software mental, tem um papel importante. Por isso, as diferenças de personalidade são essenciais para explicar porque é que pessoas diferentes têm visões distintas do mundo e da política. E foi disto que falámos a seguir na conversa, usando como referencial o chamado ‘modelo dos cinco factores’, o modelo com maior validação empírica na Psicologia da Personalidade. A propósito desse modelo, recomendo ouvirem, se ainda não o fizeram, o episódio #11, com Margarida Pedroso de Lima. Estas características de personalidade são facilmente observáveis sobretudo nos próprios políticos. Falámos, aliás, de alguns casos portugueses que é interessante analisar por esta lente.

    Das diferenças de personalidade entre as pessoas partimos para as diferenças ao nível dos valores com que cada um de nós se identifica. A principal diferença é que a personalidade tem sobretudo que ver com a nossa forma de pensar, enquanto os valores representam juízos concretos, isto é, aquilo que acreditamos, que sentimos, estar certo ou errado, ser importante ou irrelevante. A propósito dos valores, socorremo-nos do dito livro de Jonathan Haidt, de que falei há pouco, que organiza os valores universais da Humanidade (encontrados em todo o tipo de culturas) em cinco dimensões:

    O cuidado e a empatia pelo outro A justiça, que pode implicar princípios de igualdade ou, pelo contrário, de meritocracia A lealdade ao grupo A autoridade e tradição A liberdade, isto é, a rejeição de restrições externas à liberdade individual

    Como é fácil de perceber, diferentes valores estão associados, de uma forma até mais clara do que as diferenças de personalidade, a preferências políticas diferentes entre as pessoas, e por vezes contraditórias.

    Durante o resto da conversa, tivemos ainda tempo para falar sobre o grande mistério de qual é a origem de todas estas diferenças entre nós (quanto é culpa genes, quanto é causado pelo meio em que crescemos ou a educação que tivemos). Falámos, ainda, sobre liderança na política, e a distinção entre líderes que procuram “poder sobre” e aqueles que buscam “poder para”, que tem sido muito estudada na Psicologia Política. Mesmo a terminar, perguntei à convidada, que sempre se assumiu de esquerda, que valores tradicionalmente da Direita é que tinha ficado a ver de uma forma mais positiva depois deste trabalho de investigação.

    Resumindo, antes só de passarmos à conversa, esta é uma área fascinante e que me tem ajudado não só a ser muito mais compreensivo com quem pensa de forma diferente de mim, como também a tentar aprimorar a minha própria filosofia política de forma a corrigir os enviesamentos que a minha intuição inevitavelmente traz. Embora, como digo durante a conversa, seja difícil fugirmos ao nosso ‘software moral’, pensar sobre estes temas tem-me tornado, julgo, um pensador mais robusto. Por exemplo: ao compreender a relevância de alguns valores da direita, dou hoje mais valor, por exemplo, a preservar instituições que vêm de trás (e que por algum motivo subsistem) e à necessidade de manter uma sociedade estruturada. Da mesma forma, compreendendo a relevância de alguns valores da esquerda, reconheço hoje que a minha preocupação inata com as chamadas liberdades negativas é, em certa medida, um enviesamento de privilegiado, e que tem de ser temperada pela necessidade de intervir para corrigir desigualdades e, noutra dimensão, pelos limites práticos à chamada meritocracia.

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    Ligações:

    Livro da convidada: O Cérebro da Política Novo canal de Yotube da convidada: Voto Nulo António Damásio - O Erro de Descartes Modelo dos Cinco Factores Personalidade e comportamento político The Righteous Mind - Jonathan Haidt Paul Bloom - Against Empathy: The Case for Rational Compassion José Mujica Filme recomendado: First Reformed

    Bio: Psicóloga e exerce psicologia clínica desde 1997. Licenciou-se em Psicologia, ramo de Psicologia Clínica, pela Universidade de Coimbra, tendo igualmente concluído a componente teórica do Ramo de Psicossociologia das Organizações. Fez o Mestrado em Psicologia do Desenvolvimento, também na Universidade de Coimbra. Pós-graduou-se em Terapia Familiar Sistémica e em Psicodrama (é sócia didata da Sociedade Portuguesa de Psicodrama), foi bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia e doutoranda pelo Chicago Center for Family Health/ University of Chicago e pela Universidade de Coimbra. Leccionou em diferentes universidades, colaborando com o Instituto Superior de Psicologia Aplicada desde 2004, designadamente nas disciplinas de Modelos de Desenvolvimento e Processos de Inclusão/Exclusão Social e de Minorias étnicas e culturais. Foi dirigente associativa, deputada à Assembleia da República, dirigente partidária e mandatária para a juventude da candidatura presidencial de Mário Soares. Convidada para inúmeros colóquios, seminários e conferências, publicou dois livros sobre temáticas políticas, nomeadamente Maníacos de Qualidade (2010) e Portugal a Arder (2011). Colabora assiduamente em jornais, revistas e televisão enquanto comentadora/analista política, sendo que a Psicologia Política, a confluência da sua formação em Psicologia e da sua atividade política, é um dos temas mais significativos da sua pesquisa

  • Pedro Boucherie Mendes é actualmente director de Planeamento Estratégico da SIC. Para além disso, assina uma coluna de opinião no site Vida Extra, no Expresso, sobre séries de televisão e conduz o programa Irritações na SIC Radical, para não falar de outras etapas de um longo currículo ligado à televisão e à imprensa.

    Conversámos a propósito do seu último livro, AINDA BEM QUE FICOU DESSE LADO, onde o convidado aborda uma série de aspectos do mundo da televisão, desde a evolução do meio, aos bastidores da produção, passando pelo novo mundo dos conteúdos disponíveis on demand.

    Mas dizer que conversámos sobre televisão é um retrato muito curto da conversa. À boleia da televisão, falámos sobre uma série de e temas. Até porque o Pedro é mais do que apenas um profissional de televisão. É, como eu, um curioso inveterado, e com uma veia forte de crítico cultural. Há muitos anos que se dedica, por exemplo, a analisar e criticar as idiossincrasias da cultura nacional.

    Começámos por abordar a má fama que a televisão tem enquanto meio (todos sabemos que dá um ar sofisticado a pessoa dizer com um ar indiferente: “naa...eu já não vejo televisão”. Ora, a nossa relação com este meio, quer queiramos quer não, não é de indiferença.

    Falámos, também do importante papel da televisão, por exemplo, na promoção da tolerância ou na educação cívica. Uma das coisas curiosas que a televisão faz como nenhum outro meio, e que não é devidamente valorizada, é gerar empatia por pessoas diferentes de nós, ao trazê-las para a nossa sala e mostrar o que temos em comum. A televisão aproxima o que está longe, e a proximidade é o condutor da empatia. Isto levou-nos aos desafios da produção: como é a vida de um profissional de televisão, ou quais são os desafios para um argumentista adaptar a narrativa de uma série depois do surgimento dos telemóveis, por exemplo.

    E é claro que não resistimos a falar das séries da chamada era de ouro das séries americanas, do Breaking Bad ao Sopranos, passando por títulos mais recentes, como o Black Mirror. À boleia disto, falámos sobre o mistério que é a nossa predilecção por ficção, por histórias, o facto de sermos capazes de, no jargão científico, ‘suspender a nossa descrença’, isto é, pôr de lado o nosso sentido crítico para podermos desfrutar de uma boa história. A propósito disto, se, como eu, este mistério vos fascinar, não deixem de ler o artigo do site Psychology Today cujo link deixo na descrição deste episódio.

    Mesmo a terminar, tivemos ainda tempo para falar sobre a visão do convidado em relação ao que vai ser a televisão daqui a 20 anos, nomeadamente o futuro da chamada ‘televisão de fluxo’ que é, basicamente, a velha televisão, ou seja, o que está a dar ee eu for ali à sala ligar o televisor.

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    Ligações:

    Livro do convidado: ‘Ainda Bem Que Ficou Desse Lado - Como ser um melhor espectador de televisão na era das séries, da netflix e da escolha infinita’ Hofstede - Portugal Seth MacFarlane

    O mito da má dentição dos britânicos

    Actriz da série Mad Men (a propósito dos dentes)

    ‘Soap’ (comédia) Suspensão da descrença What Brain Activity Can Explain Suspension of Disbelief? Diegese Séries ‘The Shield’ Deadwood Black Mirror You Jump the Shark The Reith Lectures - Bertrand Russel Pensar, Depressa e Devagar de Daniel Kahneman Projeto Refazer de Michael Lewis Marshall McLuhan - Hot and cool media

    Bio: Pedro Boucherie Mendes é actualmente director de Planeamento Estratégico da SIC. Anteriormente, foi director dos canais temáticos do mesmo canal. Licenciado em Comunicação Social, tem uma pós-graduação em Ciência Política. Entre outras coisas, foi crítico de música, fez rádio e na imprensa trabalhou no semanário O Independente, na Maxmen e fundou a FHM. Escreveu nas revistas Grande Reportagem e «NS’» (Diário de Notícias) e Index, do jornal I e colabora com o Expresso. O seu último livro é AINDA BEM QUE FICOU DESSE LADO, Como ser um melhor espectador de televisão na era das séries, da Netflix e da escolha infinita. Actualmente assina uma coluna no site Vida Extra, no Expresso sobre séries de televisão; conduz o programa Irritações na SIC Radical. Na SIC participou ainda no programa «Prazer dos Diabos» e foi jurado em três edições do «Ídolos».

  • João Júlio Cerqueira é médico e fundador do Scimed, um site que tem como missão divulgar informação sobre vários temas da área da ciência - sobretudo, mas não só, na área da saúde.

    Recomendo fazerem uma visita ao site, porque vale mesmo a pena e o João tem sido um verdadeiro paladino da ciência baseada na evidência. O que não quer dizer, como ele próprio chama a atenção, que os artigos que escreve não sejam contestáveis. Podem sê-lo claro, mas o mérito deste projecto é forçar a que o debate decorra como deve ser, isto é, usando a evidência e não as opiniões.

    O João aborda no site uma série de temas, que vão das terapias alternativas à nutrição, passando pela protecção do ambiente e mesmo por outras áreas da ciência como, por exemplo, a energia nuclear. Neste trabalho de esclarecimento, o convidado tem, muitas vezes, posto em causa, por exemplo, algumas terapias alternativas de que já todos ouvimos falar ou algumas das modas (e não são poucas) na área da nutrição e ainda algumas medidas ambientalistas, muitas vezes bem-intencionadas mas que nem sempre têm validação científica à altura do peso que têm nos media ou nas redes sociais.

    Esta conversa foi particularmente extensa, por isso vale a pena guiar-vos pelos tópicos que abordámos:

    Começamos, claro, por falar do projecto do convidado e, como não podia deixar de ser, da primeira área em que o João centrou agulhas (pun intended): as chamadas pseudociências / medicinas alternativas, como por exemplo a homeopatia ou a acupunctura. Ainda na lógica da ciência baseada na evidência, mas neste caso aplicada ao ambiente, falámos também do caso do glifosato, um herbicida que tem dado muita polémica ultimamente.

    Um tema subjacente a esta parte e sobretudo ao que se seguiu na conversa é o enorme desafio que é para a ciência, enquanto instituição da sociedade, conviver com os enviesamentos cognitivos deste nosso cérebro de primata. Esta é uma questão com uma série de ramificações, que vão desde a má relação entre a natureza lenta e parcelar da investigação científica e a lógica imediatista das notícias até à base emocional que está subjacente a muitos movimentos ambientalistas, cujos defensores que caem, por exemplo, muito facilmente na chamada falácia naturalista.

    Finalmente, conversámos ainda sobre a energia nuclear, e o modo como pode ser parte da solução para o problema mais importante deste século: as alterações climáticas, e terminámos regressando ao tema inicial, isto é, às terapias alternativas. A este propósito, falámos do fascinante efeito placebo e também do facto, que deve servir de reflecção para a comunidade médica, de que, em muitos casos, estes tratamentos alternativos, não sendo válidos cientificamente, têm em quem os pratica uma componente humana, de cuidado e atenção ao doente, que muitas vezes não falta aos médicos.

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    Gustavo Pimenta João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Ferreira; Duarte Dória; Gonçalo Martins; Tiago Leite Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Pinto; Daniel Correia; João Saro; Rita Mateus; Tomás Costa Vasco Sá Pinto; David; Pedro Vaz; Luís Ferreira; André Gamito, Rui Baldaia; Henrique Pedro; Manuel Lagarto; Rui Carrilho; Luis Quelhas Valente; Tiago Pires; Mafalda Pratas; Filipe Ribeiro; Renato Vasconcelos; João Salvado; Joana Martins; Luís Marques; João Bastos; João Raimundo; Francisco Arantes; Francisco dos Santos; Mariana Barosa; Hugo Correia; Marta Baptista Coelho

    Ligações:

    Artigos do convidado abordados no episódio Manuel Pinto Coelho e a água do mar Glifosato Pós-modernismo Energia nuclear Efeito placebo Ordem dos Médicos acusa Manuel Pinto Coelho de fazer “afirmações potencialmente graves para os doentes” Documentário da HBO sobre a Cientologia Glifosato e o câncro Homeopatia: um, dois, três Elsa Pegado: “O Recurso às Medicinas Complementares e Alternativas: padrões sociais e trajetórias terapêuticas” (tese de doutoramento) The Dissenter - entrevista a Gad Saad Peça da SIC Notícias sobre o Glifosato, com a participação do convidado Uma opinião em sentido contrário Efeito Dunning-Kruger Virtue signalling Notícia “Insetos podem desaparecer em 100 anos e isso é catastrófico” Livros de Steven Pinker “O Iluminismo Agora - Em Defesa da Razão, Ciência, Humanismo e Progresso” “Os Anjos Bons da Nossa Natureza” Artigo de Steven Pinker no Quillette Polémica da expulsão de Peter Gøtzsche da Cochrane Jonathan Haidt (Psicólogo Moral) - The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion Daniel Kahneman - “Pensar, Depressa e Devagar” (sistema 1 vs sistema 2) Livro recomendado: Richard Dawkins - O Gene Egoísta

    Bio: Nascido em 1985, natural do Porto. Licenciatura em Medicina pela Faculdade de Medicina do Porto (6 anos). Mestrado Integrado em Cronoterapêutica. Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar (4 anos). Médico Especialista em Medicina do Trabalho (4 anos). Fundador da marca PT Medical – Serviços de Saúde ao Domicílio em 2013 – Neste momento sem qualquer ligação à empresa. Vencedor do Prémio João Cordeiro – Inovação em Farmácias em 2015. Orador TEDxPorto, na edição de 2018. Defensor do método científico e na medicina baseada na evidência. Dedicado ao estudo e refutação científica das medicinas alternativas desde 2013. Criador do projeto Scimed, com o objetivo de promover a literacia em saúde da sociedade portuguesa

  • Ricardo Paes Mamede é professor de Economia Política na Escola de Ciências Sociais e Humanas do ISCTE. Para além disso, é membro do Conselho Económico e Social, um dos autores do blog Ladrões de Bicicletas, autor de livros sobre economia - o mais recente dos quais ‘A Economia Como Desporto de Combate’ - e é, desde há alguns anos, comentador regular na televisão.

    O convidado é dos economistas portugueses mais reputados e um caso particular, porque não só não evita como assume abertamente transmitir a visão de um “economista de esquerda”. Aliás, confesso que o meu objectivo até era ter uma conversa mais sobre a economia enquanto ciência, mas rapidamente a economia política tomou conta da conversa.

    Como é hábito no 45º, tocámos numa série de assuntos.

    Começámos por discutir a visão do convidado em relação às limitações da ciência económica. Desde logo, do currículo que é dado nos cursos da faculdade, mas também da própria investigação que é feita. E o Ricardo faz observações muito relevantes a este respeito. Por um lado, nota que as verdades em economia, quando as conseguimos encontrar, são sempre específicas a um tempo e espaço (e não gerais, portanto). Por outro, argumenta que as conclusões da investigação são sempre influenciadas pelos valores de quem investiga, até na escolha dos indicadores que se privilegia quando se avalia uma realidade económica que é, sempre, ultra-complexa, com efeitos de ordem diferente e desfasados no tempo. Dito isto, embora partilhe de alguma dessa embirração, não concordo, como já vou explicar, que em economia tudo seja relativizável. Seguidamente, a conversa levou-nos a muitos dos debates centrais da Economia Política, como: Keynes e contexto histórico do keynesianismo; a história do capitalismo, o neoliberalismo (na definição particular do convidado), o papel explicativo da qualidade das instituições, para lá de políticas de esquerda ou direita, sobre a prosperidade económica dos países e ainda o caso específico do modelo económico das chamadas sociais-democracias escandinavas (que combinam uma economia capitalista competitiva com um Estado Social forte). Finalmente, tentei desafiar o convidado para algo que considero faltar em Portugal. É que, apesar das ditas limitações da ciência económica e de muitos economistas com acesso próximo aos ouvidos dos políticos terem inflacionado as capacidades reais da disciplina, julgo que existem bons exemplos de conclusões da investigação que são relativamente transversais à orientação política dos investigadores, e que fazia falta que tivessem mais protagonismo no debate político, que é tantas vezes, de um lado e de outro, ignorante e simplista. Acho mesmo que esse é um contributo que os economistas, enquanto cientistas, ainda que sociais, podiam dar conjuntamente. Um bom exemplo disto de que falo, noutra realidade, foi o exercício feito pelo podcast Planet Money da NPR (rádio pública dos Estados Unidos), que conseguiu identificar cinco grandes medidas de reforma fiscal apoiadas por economistas da esquerda à direita. Encontram, como habitual, o link na descrição do episódio. No final do episódio, falámos ainda das limitações do PIB e de políticas potenciais de crescimento económico em Portugal.

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    Ligações:

    Debate: porque é que os economistas discordam tanto (Walter Heller vs Milton Friedman) Escola Austríaca Teoria da Escolha Pública WEF: Economias mais competitivas Debate com Ha-Joon Chang: ‘"Too much Maths, too little History: The problem of Economics" Acemoglu e o papel das instituições Taxas de sindicalização dos países nórdicos. Agradecimento a Guilherme Rodrigues pelo envio (de notar que a queda da sindicalização não é universal na região). Planet Money: The No-Brainer Economic Platform (políticas que reúnem consenso entre economistas) WEF: GDP is no longer an accurate measure of economic progress. Here's why

    Bio: Doutorado em Economia pela Universidade Bocconi (Itália), Mestre em Economia e Gestão de Ciência e Tecnologia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa (ISEG/UL), e Licenciado em Economia pela mesma instituição. Professor Auxiliar e Subdirector do Departamento de Economia Política do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde lecciona desde 1999 nas áreas da Economia e Integração Europeia, da Economia Sectorial e da Inovação, e das Políticas Económicas. É actualmente Director do Mestrado em Economia e Políticas Públicas do ISCTE-IUL e Presidente da Direcção do Instituto para as Políticas Públicas e Sociais (IPPS-IUL). Entre 2008 e o início de 2014 foi Coordenador do Núcleo de Estudos e Avaliação do Observatório do QREN. Foi Director de Serviços de Análise Económica e Previsão do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e da Inovação em 2007 e 2008. Membro do Conselho Económico e Social desde 2017, eleito na qualidade de Personalidade de Reconhecido Mérito. Membro do Dinâmia'CET (Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território). Interesses de investigação: mudança estrutural e desenvolvimento económico, dinâmicas sectoriais e inovação, e políticas públicas.

  • Gautam Agarwal é neurocientista, doutorado pela Universidade da Califórnia (Berkeley) e está, actualmente, a fazer um pós-doutoramento no Laboratório de Neurociência dos Sistemas do Centro Champalimaud.

    A investigação do Gautam no Centro Champalimaud tem passado sobretudo por usar jogos para estudar as diferenças entre a maneira como seres humanos e algorítmos de Inteligência Artificial procuram soluções para os mesmos problemas. Este método tem o potencial de permitir, por um lado, compreender melhor o funcionamento do cérebro humano e, por outro, ao estudar os mecanismos do nosso cérebro que se mostram mais eficazes, obter inspiração para o desenvolvimento de IA mais capaz.

    Conversámos, então, sobre estes temas; isto é: as forças e fraquezas do cérebro humano e das versões actuais de Inteligência Artificial e a comparação entre esses dois modelos de inteligência. É, na verdade, um regresso ao tema da IA, que já tinha abordado em episódios anteriores do podcast, em especial na conversa com Arlindo Oliveira, logo no 5º episódio.

    Falámos sobre os desafios que subsistem na tentativa de criar IA de nível humano (a chamada ‘general AI’), mas também, no sentido contrário, sobre as limitações da nossa própria cognição. A propósito do cérebro humano, que acabou por ser o que nos tomou mais tempo, conversámos sobre vários tópicos, desde o modo como aprendemos, ao papel do inconsciente, passando pelo mistério da consciência, a meditação, o recente interesse da ciência pelas substâncias psicadélicas, os dois hemisférios do cérebro e, mesmo no final, sobre os motivos por que sonhamos!

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    Gustavo Pimenta João Vítor Baltazar; Salvador Cunha; Ana Mateus; Nelson Teodoro; Paulo Ferreira; Duarte Dória; Gonçalo Martins Abílio Silva; Tiago Neves Paixão; João Pinto; Daniel Correia; João Saro; Rita Mateus Vasco Sá Pinto; David; Pedro Vaz; Luís Ferreira; André Gamito, Rui Baldaia; Henrique Pedro; Manuel Lagarto; Rui Carrilho; Luis Quelhas Valente; Tomás Costa; Tiago Pires; Mafalda Pratas; Filipe Ribeiro; Renato Vasconcelos; João Salvado; Joana Martins; Luís Marques; João Bastos; João Raimundo; Francisco Arantes; Francisco dos Santos; Mariana Barosa

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    O convidado (e a família) Paper enviado pelo convidado: “Building machines that learn and think like people Curse of Dimensionality Regra das 10,000 horas The illusion of consciousness | Dan Dennett The Science of Mindfulness - Mark Williams Sam Harris: Can Psychedelics Help You Expand Your Mind? A nova vida das drogas psicadélicas (Público) Hard Problem of Consciousness — David Chalmers David Chalmers on consciousness Giulio Tononi Is Consciousness Entirely Physical Family Resemblance in Wittgenstein Livro recomendado: Psychotherapy East and West by Alan W. Watts

    Bio: Gautam Agarwal cresceu em diversos sítios, incluindo Detroit, Austin, Shreveport e Berkeley, nos EUA; e Bophal, na Índia. Licenciou-se em Neurobiologia e Computação na Universidade Técnica do Texas (Austin) e doutorou-se em Neurociências na Universidade da Califórnia (Berkeley). Antes de vir para Lisboa, Gautam fez um pós-doutoramento no Centro de Neurociências Teóricas da UC-Berkeley. Está actualmente a fazer um pós-doutoramento em neurociências no Laboratório de Neurociência dos Sistemas | Mainen Lab do Centro Champalimaud.

    Gautam Agarwal grew up in a variety of places including Detroit, Austin, Shreveport, Berkeley in the US and Bhopal in India. He got his bachelor of Science degree in Neurobiology and Computer Sciences at UT Austin, and his PhD in Neuroscience at UC Berkeley. Gautam was a postdoc at the Redwood Theoretical Neuroscience Center, also at UC Berkeley, before coming to Lisbon. He is currently a neuroscience postdoc in the Systems Neuroscience Lab | Mainen Lab at the Champalimaud Centre for the Unknown.

  • Isabel Moreira é jurista e deputada à Assembleia da República pelo PS.

    Gastámos grande parte do tempo, inevitavelmente, a discutir temas da esfera dos direitos sociais / individuais, o que acaba por complementar conversas anteriores, mais focadas noutras questões. Conversámos, então, sobre liberdades individuais, em particular sobre projectos-lei a que a convidada esteve ligada (como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a co-adopção), mas também de temas quentes e ainda com muito por fazer, como a liberdade de expressão, o racismo, o feminismo e a desigualdade de género. A propósito do racismo, note-se que gravámos antes da polémica dos acontecimentos no bairro da Jamaica. O feminismo acabou por dominar a conversa, um tema que acho demasiado complexo para ter uma opinião peremptória. A propósito, deixo na descrição do podcast um link para uma conversa com um casal de biólogos evolucionistas que é das coisas mais simultaneamente esclarecidas e de bom-senso que tenho visto sobre o tema. No final, falámos ainda sobre políticas económicas.

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    Ligações:

    Ronald Dworkin Contubérnio John Stuart Mill sobre a liberdade de expressão: First, if any opinion is compelled to silence, that opinion may, for aught we can certainly know, be true. To deny this is to assume our own infallibility. Secondly, though the silenced opinion be an error, it may, and very commonly does, contain a portion of truth; and since the general or prevailing opinion on any subject is rarely or never the whole truth, it is only by the collision of adverse opinions that the remainder of the truth has any chance of being supplied. Thirdly, even if the received opinion be not only true, but the whole truth; unless it is suffered to be, and actually is, vigorously and earnestly contested, it will, by most of those who receive it, be held in the manner of a prejudice, with little comprehension or feeling of its rational grounds. And not only this, but, fourthly, the meaning of the doctrine itself will be in danger of being lost, or enfeebled, and deprived of its vital effect on the character and conduct: the dogma becoming a mere formal profession, inefficacious for good, but cumbering the ground, and preventing the growth of any real and heartfelt conviction, from reason or personal experience]” Karl Popper - Paradoxo da Tolerância Adriano Moreira e o estatuto do indigenato Yuval Noah Harari sobre género Joe Rogan - Gender & Biology Artigo de Safaa Dib, membro do LIVRE, em que é explicada a dificuldade em preencher listas e respeitar quotas Blind recruitment trial to boost gender equality making things worse, study reveals Steven Pinker “Why are there no libertarian countries?” Livro de Isabel Moreira - “Cela” Livro recomendado: A Dignidade da Pessoa Humana, de Jorge Reis Novais Ética Kantiana X Utilitarismo

    Bio: Isabel Moreira é licenciada em Direito e mestre em Direito Constitucional – Direitos Fundamentais. Foi docente universitária, advogada, consultora jurídica, sendo, desde 2011, deputada à Assembleia da República pelo PS. Tem também obra publicada que se situa na indefinição de género. Entre outubro de 2014 e junho de 2015, foi comentadora do programa Barca do Inferno, na RTP Informação.