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  • Quando o Kleber Bambam venceu a primeira edição de "Big Brother Brasil" abraçado com a famosa boneca Eugênia todos os participantes eram anônimos.

    Nesse começo, o programa rendia, quando muito, convites para festas com cachês mínimos e o espaço menos nobre das colunas de fofoca. Mas com as redes sociais a história mudou, principalmente para as celebridades. Embora às vezes saiam canceladas, elas têm suas carreiras alavancadas pelo programa.

    A maioria dos famosos que participaram do "BBB" desde o ano retrasado, quando Boninho passou a convidá-los, ganharam milhões de seguidores nas redes sociais, o que rende ações publicitárias tão lucrativas quanto um trabalho na televisão. Mesmo entre os poucos que viram os números caírem, caso de Karol Conká, eliminada com 99,17% de rejeição, o prejuízo tem sido contornável a longo prazo.

    A edição de 2021 teve outros casos similares. Rodolffo, que foi acusado por parte do público de homofobia e racismo, lançou uma música na casa que entrou para as mais tocadas do ano no Brasil.

    Já o Fiuk, que ficou marcado por forçar a barra ao pedir desculpa por ser homem, ganhou um monte de seguidores. Até a Viih Tube, sister que foi acusada de ser manipuladora no jogo, tentou monetizar a experiência na casa com um livro sobre o cancelamento.

    Nessa semana, em que começou uma nova edição do BBB, o Expresso Ilustrada discute a escolha de elenco, o que leva famosos a entrarem na casa, apesar de todo o risco de cancelamentos, e como os brothers se preparam até com coach de influenciadores para não fazer feio no programa.

    Para isso, o podcast conversa com Projota, Karol Conká e Viih Tube, que estiverem no programa em 2021. Participam ainda Pedro Martins, repórter da Ilustrada que conversou com três ex-BBBs, e o Chico Barney, colunista do UOL. ​

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  • Após meses de uma retomada de atividades presenciais, da chegada da ômicron e da H3N2, de doses de reforço da vacina e de quase dois anos de pandemia, o ano de 2022 começa com grandes incertezas para a cultura.

    Enquanto grandes festivais de música, como o Lollapalooza e o Rock in Rio, estão marcados para este ano, uma série de casas de show adiaram recentemente suas programações. Teatros também começaram a mudar as estreias de peças com a alta de casos de Covid no país.

    Será que a chegada de novas variantes vai frear a volta triunfante da cultura neste ano? O Expresso Ilustrada desta semana discute quais são as expectativas para o setor em 2022, que planejava um ano agitado de eventos e comemorações, como o centenário da Semana de Arte Moderna. 

    O centenário da Semana de 22 promete agradar os fãs de literatura e artes plásticas, com uma série de livros e mostras que debatem o modernismo brasileiro.

    Já no cinema, com a ascensão do streaming durante a pandemia, 2022 deve trazer uma série de lançamentos focando produções nacionais, e o setor anseia por uma normalização do calendário de estreias.

    Mas crescem as tensões na política com a corrida eleitoral, e gestores do governo Bolsonaro se envolvem em polêmicas sobre o Iphan e a Secretaria de Cultura ainda na primeira semana do ano.

    Para comentar o que esperar de 2022, o programa ouve os repórteres da Ilustrada Lucas Brêda, Leonardo Sanchez, Henrique Artuni, Walter Porto e Eduardo Moura.

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  • Chegou aquela época do ano em que a voz da Simone cantando “Então é Natal”, uma das canções natalinas mais conhecidas do Brasil, não sai cabeça. E essa, na verdade, é uma versão de uma música estrangeira —a original é  “Happy Xmas (War Is Over)”, do John Lennon.

    A versão da música que a Simone fez saiu em 1995, uma época em que o cenário de canções natalinas brasileiras estava mudando. As composições do Brasil perderam espaço para as versões de músicas estrangeiras, o que acabou escondendo uma tradição muito rica da música nacional. 

    Desde os anos 1930, o Brasil teve dezenas e dezenas de músicas que cantam o Natal dos trópicos, com nomes como Luiz Gonzaga, Chico Buarque e os MCs Bin Laden, Brinquedo e Pikachu. 

    O Expresso Ilustrada dessa semana retoma a tradição da canção natalina brasileira e discute como ela foi mudando ao longo do tempo.

    Para isso, o episódio entrevista Luiz Antônio Simas, historiador, escritor e compositor que tem um interesse especial pelo assunto e pesquisou uma série de canções que retratam o Natal nos trópicos.

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  • Você já parou pra pensar de onde vem o desejo sexual? O que faz alguém se sentir atraído ou não por alguém? Se as nossas preferências forem discriminatórias, por exemplo, elas também devem ser respeitadas?

    Essas são questões que a filósofa feminista Amia Srinivsan, professora de Oxford, se pergunta no conjunto de ensaios "O Direito Ao Sexo", recém-lançado no Brasil pela editora Todavia. A resposta a que ela chega é que o nosso desejo sexual é complexo e profundamente marcado pela cultura.

    Isso acontece porque, segundo ela, o sexo não está imune às relações de poder, às diferenças sociais e a várias outras esferas da nossa vida. Para tratar dessa questão, ela cunhou o termo “fuckability”, que em português seria algo como “fodabilidade” —a possibilidade que alguém tem de transar.

    E essas relações de poder são construídas justamente por opressões como o racismo, o capacitismo e a transfobia, entre outros recortes sociais. Essa percepção levanta a questão sobre como os preconceitos se entrelaçam ao nosso desejo sexual.

    Neste debate delicado, Srinivsan diz, no título de um de seus ensaios, que não existe um “direito ao sexo”. Por isso, a autora não faz sua reflexão com base em opções individuais, mas sim de olho no coletivo, e bota o público para imaginar: como seria o nosso desejo se ele fosse livre dessas amarras sociais?

    O Expresso Ilustrada desta semana debate o que é o direito ao sexo e quais são os elementos culturais que constroem nosso desejo sexual, segundo a Amia Srinivsan. O programa também analisa como esse tema atravessa a política, a cultura e o que a autora propõe para repensar o desejo sexual.

    Para isso, o Expresso conversa com Fernanda Perrin, que é jornalista da Folha e escreveu uma reportagem sobre “O Direito Ao Sexo”, que chega agora no Brasil, e João Pereira Coutinho, escritor, doutor em ciência política pela Universidade Católica Portuguesa, e colunista deste jornal, que também escreveu sobre o assunto.

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  • Quem escuta "Ela Me Falou Que Quer Rave", música do MC Levin que está entre as músicas mais tocadas do país, pode reconhecer ali outro hit, de dez anos atrás. O refrão do funk vem de “Pumped Up Kicks”, lançada a dez anos atrás pela banda Foster The People.

    E essa não é a única música com sample de um sucesso antigo nas paradas de hoje. A dupla de forró Ávine Vinny e Matheus Fernandes são as vozes por trás do hit "Coração Cachorro", que usa o famoso uivo do britânico James Blunt em "Same Mistake".

    Mas muitas vezes esse cruzamento de músicas acaba em briga. Recentemente, o Toninho Geraes, compositor de “Mulheres”, que é sucesso na voz de Martinho da Vila, acusou na Justiça a britânica Adele de ter plagiado a música brasileira em uma de suas canções, a "Million Years Ago", lançada em 2015.

    Esses casos levam a discussão sobre o conceito de autoria na música, como provar um plágio na Justiça e quando o uso de sample pode ser, de fato, enquadrado como plágio. 

    O Expresso Ilustrada dessa semana debate a ideia de autoria na música e como ele tem se modificado ao longo dos anos, com batalhas judiciais emblemáticas --como a disputa entre Pharrell Williams e Robin Thicke com a família de Marvin Gaye ou mesmo o de Jorge Ben Jor com Rod Stewart.

    Para isso, o episódio conversa com Luiz Guilherme Valente, advogado especializado em propriedade intelectual e membro da Comissão de Artes da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo.

    "Nem tudo o que parece uma obra que já existe é plágio. Quando a gente fala de direitos autorais a gente fala de originalidade e não de novidade absoluta", diz ele no programa.

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  • Na música "Menina da Colina", do grupo Fundo de Quintal, é possível ouvir bem a virada tocada no repique de mão, um instrumento de percussão que não existia antes do grupo ícone da história do samba ser formado.

    Ele foi criado pelo Ubirany, que fazia parte do grupo e morreu no ano passado, de Covid-19, aos 80 anos. Hoje, o repique é um elemento comum nas rodas de samba no Brasil todo —e, na verdade, é só uma das inovações trazidas pelo Fundo de Quintal ao samba e à música brasileira.

    O grupo completa 45 anos de sua fundação neste ano e celebrou a data com um show gratuito no Rio de Janeiro, que vai dar origem a um novo DVD. Além disso, 2021 marca os 60 anos do Cacique de Ramos, um dos blocos mais tradicionais do Carnaval carioca e berço do Fundo de Quintal.

    O Expresso Ilustrada desta semana retoma a criação do Cacique de Ramos e conta como as rodas de samba do bloco deram origem ao Fundo de Quintal. O episódio também explica como o grupo transformou a estética do samba.

    Para isso, participam do Expresso Ilustrada o mestre do pandeiro Bira Presidente, Sereno, inventor do tantã, instrumento que substituiu o surdo como responsável pelos graves nas rodas de samba do Cacique de Ramos, e Junior Itaguay, que toca banjo e canta no Fundo de Quintal.

     

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  • Gilberto Gil se tornou o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras neste mês. Ministro da Cultura de 2003 a 2008, durante o governo Lula, Gil é um dos principais expoentes do movimento tropicalista, responsável por uma revolução na música e na estética brasileira a partir dos anos 1960.

    Sua chegada à Casa de Machado de Assis acontece quase junto a da atriz Fernanda Montenegro, duas movimentações que sugerem que a Academia Brasileira de Letras está passando por uma mudança significativa.

    Afinal, trata-se de uma instituição acusada com frequência de se encastelar numa torre de marfim, e que agora acolhe nomes com vasta popularidade e em áreas que não a literatura. Será que a ABL quer estender os braços a um público maior?

    O episódio desta semana discute se a Academia aponta para uma trajetória mais popular com os novos eleitos, além de explicar qual era a importância da instituição quando foi criada e como funcionam as votações.

    Para isso, o Expresso Ilustrada conversa com o jornalista Walter Porto, colunista de livros da Folha, que ouviu com uma série de pessoas próximas à Academia para uma reportagem sobre essa nova leva de imortais e quais devem ser os próximos passos da ABL

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  • O sol de Goiânia obrigou milhares de pessoas a se esconderem debaixo de guarda-chuvas ou da sombra de poucas árvores no último sábado. Eram fãs que formavam uma longa fila no ginásio Goiânia Arena para se despedir da rainha da sofrência, a Marília Mendonça, que morreu num trágico acidente de avião na última sexta-feira, aos 26 anos.

    A imensa comoção dos fãs, de nomes de peso do sertanejo e de pessoas próximas à Marília, tanto em Goiás quanto no resto do país, era esperada. Afinal de contas, Marília Mendonça foi a rainha da sofrência e a cantora mais ouvida do Brasil com "Infiel" em 2016.

    O Expresso Ilustrada dessa semana fala sobre como foi o adeus à Marília Mendonça em Goiânia e sobre como é o luto dos fãs de um ídolo, que sofrem com a partida de alguém que eles não conhecem pessoalmente.

    O episódio também relembra a carreira da Marília e discute sobre o que fez dela uma das mais talentosas artistas da música brasileira contemporânea. Para isso, participam do Expresso a Camila Appel, coautora do blog Morte sem Tabu, da Folha, e André Piunti, jornalista especializado em música sertaneja.

    "Marília abre a porta de uma maneira tão forte que ela conseguiu trazer a Maiara e Maraisa, a Naiara Azevedo, que estava também muito tempo batalhando", diz Piunti no episódio. "E aí ninguém conseguiu fechar essa porta mais", diz Piunti no episódio.

    Com novos episódios todas as quintas, às 16h, o Expresso Ilustrada discute música, cinema, literatura, moda, teatro, artes plásticas e televisão. A edição desta semana é de Natália Silva, e o roteiro é de Lucas Brêda e Carolina Moraes, que também apresentam o programa.

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  • Um dos maiores sucessos da TV brasileira de 2015, "Verdades Secretas" se tornou a primeira novela adulta do país a ganhar uma segunda temporada e a ser lançada em uma plataforma de streaming. Apesar da fama, que fez o Globoplay bater recordes de audiência, a novela está recebendo muitas críticas negativas.

    Com uma campanha publicitária apelativa, a Globo tem atiçado a curiosidade do público definindo a novela como "indecente", "obscena" e "não recomendada", nos teasers picantes da nova temporada, que tem 67 cenas de sexo, um número maior que o de capítulos, que são apenas 50.

    Há sequências de "beijo grego", "ménage à trois", sadomasoquismo, strip-tease e até mesmo shibari, técnica japonesa em que uma pessoa é imobilizada por cordas enquanto outra estimula suas zonas erógenas.

    Nas redes sociais, a sensação é de que toda trama de "Verdades Secretas 2" é apenas pretexto pras cenas de sexo. Além disso, muitos críticos de TV têm falado mal do roteiro e desenvolvimento da produção, que peca na verossimilhança.

    Por ser a primeira novela a ser lançada no streaming, os episódios são também um teste da indústria do TV nacional, que pode começar a investir em novos formatos de novela, o gênero mais popular no país.

    O Expresso Ilustrada desta semana traz uma entrevista com Tony Goes, que é colunista deste jornal e recentemente conversou com a Amora Mautner, diretora-artística da novela, e o Walcyr Carrasco, autor de "Verdades Secretas".

    Com novos episódios todas as quintas, às 16h, o Expresso Ilustrada discute música, cinema, literatura, moda, teatro, artes plásticas e televisão. A edição desta semana é de Natália Silva, e o roteiro é de Lucas Brêda e Marina Lourenço, que também apresentam o programa.

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  • O penúltimo disco lançado por Caetano Veloso, “Abraçaço”,  saiu em 2012, há quase dez anos. De lá pra cá, muita coisa aconteceu, não só com a mente por trás da tropicália, mas também com o Brasil e o mundo ao redor dele.

    Na semana passada, Caetano lançou “Meu Coco”, um novo álbum de inéditas. Alguns dias antes, ele tinha divulgado o single “Anjos Tronchos”, música serve como uma ponte entre o Caetano de 2012 e de 2021.

    “Abraçaço” marcou o fim da chamada trilogia “Cê”, quando Caetano se aproximou do rock em três álbuns, desde 2006. A música “Anjos Tronchos” é a único do novo disco que tem esse som da guitarra.

    Mas “Anjos Tronchos” também traz uma conexão temática. Caetano fala sobre as consequências do avanço tecnológico ao redor do mundo, com os computadores pessoais e a internet. Ele reflete sobre várias aspectos dessas tecnologias, como a ascensão da extrema direita no Brasil e ao redor do mundo

    Mas esse é só o ponto de partida de “Meu Coco”, um disco que renova a fé de Caetano na nossa música popular como o caminho para um destino autêntico e vibrante do Brasil. É por isso que ele repete o nome de vários músicos, de Milton Nascimento ao DJ Gabriel do Borel, passando por Marília Mendonça, Nara Leão, Djonga e Chico Buarque, entre muitos e muitos outros. Isso sem falar em João Gilberto, o pai da bossa nova, que surge novamente como grande inspiração, mentor e mestre de Caetano.

    O Expresso Ilustrada desta semana traz uma entrevista exclusiva com Caetano Veloso, um dos nomes mais importantes da música brasileira. Ele fala sobre o novo álbum, João Gilberto, a língua portuguesa, o anticolonialismo, Lula e Ciro Gomes, entre outros assuntos. O autor da entrevista é Claudio Leal, que é colaborador da Folha.

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  • Em vez dos gêneros feminino e masculino, a linguagem neutra adota artigos, pronomes e substantivos sem gênero definido. A prática, que não existe oficialmente na língua portuguesa, tem se tornado cada vez mais comum na cultura pop e gerado polêmicas.  

    Esse tipo de linguagem surge da tentativa de evitar a padronização do gênero masculino na língua e de representar pessoas não binárias, ou seja, quem não se identifica exclusivamente como homem ou mulher. 

    A novela “Pega Pega”, da Globo, e as séries “Todxs Nós”, da HBO, “Sex Education” e "Love Goes", ambas da Netflix, são exemplos de produções audiovisuais que usam a linguagem neutra, que também está  presente no mercado editorial, gerando desafios aos tradutores de livros. 

    O Expresso Ilustrada desta semana discute quais os impactos dessa linguagem na indústria do entretenimento, os argumentos usados por quem critica e quem defende a prática, os obstáculos da adoção do gênero neutro na língua portuguesa e algumas obras que têm adotado o estilo. 

    “Uma forma linguística emerge para atender demandas comunicativas de um grupo e, quando ganha aceitação entre os outros, está em vias de regularização. Mas nada na língua é rápido. São décadas e décadas para uma mudança como essa vingar", diz Raquel Freitag, professora da Universidade Federal de Sergipe e vice-presidente da Associação Brasileira de Linguística. 

    Além de Freitag, o programa ouviu o Iran Mello, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco e criador de uma cartografia sobre o uso do gênero neutro no Brasil, e a Paula Drummond, editora de livros juvenis da Globo.

    Com novos episódios todas as quintas, às 16h, o Expresso Ilustrada discute música, cinema, literatura, moda, teatro, artes plásticas e televisão. A edição desta semana é de Natália Silva, e o roteiro é de Lucas Brêda e Marina Lourenço, que também apresentam o programa.

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  • Levou pouco tempo para que a série sul-coreana "Round 6" se tornasse um sucesso global. Esta semana, a produção virou oficialmente a série mais vista de todos os tempos da Netflix.

    Criada pelo cineasta Hwang Dong-hyuk, "Round 6" tem inspirado uma enxurrada de memes e debates dentro e fora das redes sociais. É ainda cercada de polêmicas e faz parte do atual fenômeno de internacionalização da indústria cultural sul-coreana. 

    O enredo traz centenas de pessoas endividadas e marginalizadas que são convidadas a participar de um misterioso jogo de brincadeiras infantis. O prêmio é de aproximadamente R$ 200 milhões, o que atrai os participantes.

    Os jogos, porém, funcionam com uma dinâmica macabra: seus eliminados são sempre assassinados. Ou seja, para ganhar a grana e ficar vivo, o jogador tem que seguir todas as regras, enquanto vê pessoas sendo assassinadas o tempo inteiro. 

    O Expresso Ilustrada desta semana discute o que tem de tão atraente em “Round 6”, como ela retrata a alta competitividade, a desigualdade e a falta de oportunidades na Coreia do Sul e também relaciona o sucesso da produção à expansão da indústria cultural do país.

    Para abordar o tema, o programa ouviu Luciana Coelho, que assina uma coluna sobre séries e é secretária-assistente de redação da Folha, e Tony Goes, colunista do jornal. “Round 6 vai exatamente na veia da questão da desigualdade e do nosso voyeurismo para violência, ao mesmo tempo tem o personagem bem construído que é uma coisa indispensável para a dramaturgia”, diz Goes.

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  • Na madrugada de 31 de outubro de 2002, Manfred e Marísia von Richthofen foram assassinados com golpes de barra de ferro enquanto dormiam em casa, num bairro rico de São Paulo. Quatro anos depois, a Justiça concluiu que Suzane von Richthofen, filha do casal, agiu junto dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, e o trio foi condenado a quase 40 anos de prisão por duplo homicídio qualificado.

    O caso Richthofen, um dos crimes que mais chocaram o Brasil, é contado em dois filmes, “A Menina que Matou os Pais” e “O Menino que Matou Meus Pais”, dirigidos por Mauricio Eça e lançados no Amazon Prime Video. Os longas são parte de uma onda recente de produções do gênero true crime no Brasil.

    Esse gênero, que tem filmes, séries e podcasts que surgem a partir de crimes reais, faz sucesso no exterior já há algumas décadas, mas só ganhou força no Brasil nos últimos anos. Casos como o do menino Evandro, que foi sequestrado e assassinado, e a história de João de Deus, condenando pelo estupro de centenas de mulheres, estão extrapolando o noticiário e ganhando as telinhas, as telonas e também as plataformas de streaming.

    O Expresso Ilustrada desta semana debate porque as produções de true crime estão em alta no país. E também como muitas dessas histórias vão além do sensacionalismo e podem revelar questões mais profundas sobre as sociedades.

    Para destrinchar o tema, o podcast ouve a atriz e ex-BBB Carla Díaz, que interpreta Suzane von Richthofen, além de Ivan Mizanzuk, autor do podcast “Projeto Humanos: O Caso Evandro”, que virou série no Globoplay. “Eu costumo dizer que só o crime em si não basta você precisa de um você precisa da história ser bem contada e ela ter elementos que prendam a atenção”, diz Mizanzuk.

    Também falam no programa Branca Vianna, a fundadora da Rádio Novelo e idealizadora do podcast “Praia dos Ossos” —que conta o assassinato de Ângela Diniz pelo então namorado, Doca Street— e Flora Thomson-DeVeaux, pesquisadora e coordenadora de produção do programa.

    “Se a Branca estivesse me contando que tinha um cara que matou a namorada nos anos 1970, OK, que triste. Mas o interesse da história, o momento em que meus olhos brilharam com raiva e interesse, foi quando ela contou do julgamento do Doca Street e do uso da tese da legítima defesa da honra”, diz Thomson-DeVeaux.

    O Expresso Ilustrada também conta com a participação do sociólogo Dmitri Cerboncini Fernandes, da Universidade Federal de Juiz de Fora. “Por sermos uma sociedade extremamente violenta, um tecido social violento, as pessoas também no fim se interessam por aqueles assuntos que estão na ordem do dia, que acontecem cotidianamente, que elas vêm a correr na rua delas de noite”, ele diz.

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  • Araçuaí é uma cidade com pouco mais de 36 mil habitantes no Vale do Jequitinhonha, uma área do interior de Minas Gerais. Quem chegasse nesse município ainda na década de 1990, podia encontrar uma mulher de meia idade, com o cabelo repartido em duas tranças longas, cavoucando a terra ao lado de um padre de batina.

    Nessa época, a artista Maria Lira Marques começava a observar as tonalidades da terra —amarelas, brancas, avermelhadas ou rosadas. Ela viajava acompanhada pelo frei Chico, uma figura importante da cidade, e a dupla fazia paradas para recolher as amostras do solo da região. Com esses pigmentos, ela pintava criaturas que ela mesma inventava.

    As pinturas da Maria Lira, que hoje tem 75 anos de idade, têm passado por uma valorização nas mãos de galeristas e colecionadores recentemente. Essa é uma espécie de segunda vida do trabalho dela, que já foi reconhecida anteriormente pela produção de máscaras de cerâmica e por uma pesquisa extensa de cantos populares da região do Vale. Isso acontece em um momento que o mercado também volta seus olhos à arte popular.

    O Expresso Ilustrada dessa semana conta a história de Marques, que têm trabalhos expostos em galerias em São Paulo e em Belo Horizonte agora e também fez um trabalho importante de pesquisa de cantos populares do Vale do Jequitinhonha.

    “Você vê que meus bichos não são esses bichos daqui desse mundo, não. Às vezes esse ali parece que é um veado, eu não tive a intenção de fazer um veado, eu não tive a intenção de fazer determinado animal. Mas se as pessoas acham que parece, tudo bem”, diz a artista.

    Para debater como o circuito artístico tem olhado para trabalhos como o de Marques, também participa do episódio Renan Quevedo, pesquisador de arte popular brasileira.

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  • O filme mais recente de Pedro Almodóvar, "Madres Paralelas", teve seu cartaz automaticamente excluído do Instagram quando começou a ser divulgado no mês passado.

    Isso porque ele é formado por uma fotografia de uma gota de leite escorrendo de um mamilo, e foi acusado de desrespeitar as condições de uso da plataforma, que proíbe esse tipo de imagem.

    O caso fez com que os fãs do cineasta espanhol se voltassem para o debate sobre a censura que as redes sociais impõem aos seus usuários, principalmente a artistas que trabalham com nudez.

    Nesta semana, o Expresso Ilustrada fala sobre trabalhos que foram proibidos nas redes sociais, qual o impacto das restrições nas carreiras de artista e sobre como isso atinge outras personalidades conhecidas por um grande público, como Anitta, Luísa Sonza e Pabllo Vittar.

    Participam do episódio o jornalista Pedro Martins, que escreveu reportagem na Folha sobre o tema, e os artistas visuais Élle de Bernardini e Francisco Hurtz.

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  • Em junho, o cantor João Gomes participou da live de Xand Avião, uma das referências do forró eletrônico. Ele aproveitou a oportunidade para apresentar a um público mais amplo uma música que já bombava no TikTok, “Meu Pedaço de Pecado”.

    Hoje, a faixa é a mais tocada do Spotify no Brasil, tendo passado sete semanas no topo da lista de mais tocadas da plataforma, enquanto Gomes tem cinco das 50 canções mais ouvidas do país. Desde que DJ Ivis —um dos expoentes da cena da pisadinha— foi preso em um caso de violência doméstica, o forró não perdeu espaço. Na verdade, o estilo continua crescendo e se renovando.

    Além de João Gomes, nomes como Mari Fernandez, Barões da Pisadinha, Vitor Fernandes, Wesley Safadão e Zé Vaqueiro, entre outros cantores de forró eletrônico, também têm músicas entre as mais tocadas do país. E além de um crescimento em números, a pisadinha também vem ganhando mais nuances estéticas.

    O Expresso Ilustrada dessa semana ouve João Gomes, o cantor de 19 anos que vem oxigenando o ritmo com influências do forró de vaquejada e do rap, além da voz grave. “É mais difícil pra galera mais antiga conhecer esses artistas e esses estilos que vem chegando agora, tipo o trap e outras coisas. Mas dá para aproveitar muita coisa. [Os rappers] escrevem muito bem no estilo que eles fazem. Isso é bom pra se inspirar”, ele diz.

    O programa também ouve Mari Fernandez, que tem só 20 anos e foi a primeira mulher do forró a ter uma a música mais ouvida no Spotify. Ela mistura o ritmo da pisadinha com letras de sofrência, influenciada por Marília Mendonça. “Não poderia deixar de cantar minha essência, porque eu sou cearense, e aqui a gente vive o forró. Então resolvi escolher por isso. E pelo fato de que no piseiro também não tinha mulher, eu enxerguei isso.”

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  • Quem ligasse a televisão em 2012 para assistir à MTV ou para ver a novela "Cheias de Charme" provavelmente escutaria "Ex Mai Love", uma das músicas que colocou Gaby Amarantos no mapa da música. A cantora já era conhecida no Pará há alguns anos nessa época, mas chegava a um novo patamar com o lançamento do primeiro disco, o “Treme”, que levou o tecnobrega no mainstream.

    Nove anos depois do seu álbum de estreia, Gaby Amarantos lança o segundo disco da carreira. “Purakê”, que saiu na última semana, traz uma nova visão para a música do Pará --agora, a madrinha do tecnobrega imagina uma Amazônia futurista e propõe um pop que tem raízes no ritmo paraense, mas não se limita a ele.

    O Expresso Ilustrada dessa semana entrevista Gaby Amarantos, que fala sobre o novo disco, retoma a história do tecnobrega, das aparelhagens e do modelo de distribuição da música periférica e também comenta sobre a política brasileira hoje.

    “A Gaby do ‘Treme’ tinha uma missão de mostrar essa música que a periferia da Amazônia estava produzindo”, diz ela. “Ninguém sabia o que era tecnobrega, ninguém sabia o que era uma festa de aparelhagem. A gente precisava falar muito desse tema para as pessoas poderem entender. Então por isso que ‘Treme’ era quase todo tecnobrega.”

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  • “Nos Tempos do Imperador” é a primeira novela inédita da Globo desde o começo da pandemia. Mas após um ano marcado por protestos contra o racismo em váris partes do mundo e pelo movimento Black Lives Matter, a trama sobre dom Pedro 2º tem sido criticada por romantizar o período da escravidão e principalmente por uma cena que levantou a ideia equivocada de racismo reverso —ou seja, que uma pessoa branca pode sofrer preconceito como uma pessoa negra.

    Thereza Falcão, que assina o roteiro da novela ao lado de Alessandro Marson, afirmou após as críticas que o diálogo “foi péssimo”. “Pedimos muitas desculpas. Eu mesmo quando vi a cena aqui em casa, falei: o que foi isso?”, disse ela.

    Algumas cenas da novela ainda podem ser reeditadas pra corrigir outros erros históricos em relação à visão dos brancos sobre os negros escravizados ou recém-libertos.

    Esse, no entanto, não é um caso isolado. Ainda em 1999, Sueli Carneiro, uma das principais intelectuais brasileiras, apontava que a novela "Terra Nostra" reforçava estereótipos da população negra brasileira. O artigo foi relembrado pela colunista da Folha Djamila Ribeiro, que também apontou que a cena de "Nos Tempos do Imperador" não devia acontecer.

    Para entender essa incompatibilidade da novela com o período que ela retrata, e também para discutir o histórico do racismo na teledramaturgia, o episódio traz Thiago André, historiador e produtor do podcast História Preta.

    "A ideia de racismo reverso não se sustenta na realidade porque o racismo pressupõe poder", diz Thiago André no episódio. "Naquele período histórico quando se passa a cena, as pessoas negras não tinham absolutamente nenhum poder para poder oprimir uma pessoa branca. Aqui, no século 21, isso ocorre também."​

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  • Parisienses voltaram a tomar vinhos em bares, moradores de Madri correm para suas casas de veraneio e a música agita as ruas americanas.

    Esse é um retrato de 2021, com as restrições pela Covid diminuindo em alguns países do mundo. Mas poderia ser também de 1921, década que ficou conhecida como os “loucos anos 20”.

    O período ficou marcado por ser a Era do Jazz, pelos movimentos de vanguarda nas artes visuais e pelo desenvolvimento do cinema, da fotografia e também da moda.

    Nesse episódio, o programa retoma o que foram esses “loucos anos 20”, que são relembrados em uma exposição na Espanha, e o que foi o modernismo aqui no Brasil. Por aqui, esse período marcou a busca por uma identidade nacional nas artes, e da ascensão de nomes como Pixinguinha na música.

    O Expresso Ilustrada também tenta entender se, passada a pandemia, também viveremos loucos anos 20 no século 21. Para isso, participam do programa o repórter Felipe Maia e as curadoras Regina Teixeira de Barros e Aracy Amaral.

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  • A escritora Carolina Maria de Jesus foi um sucesso instantâneo quando foi lançada. Ela era uma mulher negra, mãe e pobre que narrou como era sua vida como moradora de uma favela em “Quarto de Despejo”. Quando seu livro de estreia saiu, em 1960, a tiragem inicial de 10 mil exemplares esgotou em uma semana.

    Mas, um ano depois, Carolina estava descontente. Em janeiro de 1961, ela escreveu nos seus diários: "É que eu percibi que eles queriam expoliar-me! Que sugeira! Eu dou lucro a imprensa. Era para comprar uma casa limpa para mim porque eu não tenho tempo de limpar".

    Ela também estava irritada com o jornalista Audálio Dantas, que foi quem convenceu ela a publicar "Quarto de Despejo" após eles se conhecerem anos antes na favela do Canindé, em São Paulo.

    Muitas das tensões entre Audálio e Carolina se tornaram públicas ao longo dos anos. Mas as desavenças e as contradições dessa relação estão sendo ainda mais expostas e debatidas com o relançamento de “Casa de Alvenaria” pela Companhia das Letras, com passagens inéditas dos diários da escritora.

    O episódio desta semana relembra a carreira de Carolina Maria de Jesus e também analisa essas tensões entre ela e Audálio Dantas que estão sendo debatidas agora.

    Para isso, conta com a participação de Tom Farias, jornalista e biógrafo da Carolina, Ricardo Balthazar, repórter especial da Folha, e João Fernandes, diretor artístico do Instituto Moreira Salles.

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