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  • Ator fala de amor, drogas e "Os Outros" O ator Milhem Cortaz está vivendo uma transformação incrível em sua vida pessoal e profissional. No início da década de 1990, quando ainda era adolescente, ele foi mandado por sua família para morar com a tia na Itália após “se enfiar na obsessão da cocaína”, como ele mesmo define. “Isso me levou para um buraco muito grande. Eu quase acabei com a minha família, emocionalmente e financeiramente”, conta. Hoje, o artista enxerga o que viveu como algo que o fez crescer.Outro momento importante em sua trajetória, principalmente no que diz respeito à saúde, aconteceu pouco antes da pandemia. Milhem encontrou um médico que o ajudou a superar suas crises de pânico, que o afligiam desde 1998, e até mesmo abriu, mais recentemente, uma padaria aconchegante na garagem de casa. Essa mudança o aproximou de seus vizinhos em Perdizes, bairro nobre onde mora em São Paulo, reacendendo relacionamentos que há muito tempo estavam adormecidos. “Hoje, eu conheço muita gente do meu bairro, como se eu ainda andasse de skate, andasse de bicicleta, como se eu me relacionasse, jogasse taco na rua.”Em uma conversa sincera com o Trip FM, o ator compartilha ainda sua jornada de amor, fala sobre seu vício precoce em cocaína e revela detalhes dos bastidores de "Os Outros", um marco de maturidade em sua carreira.O programa está disponível aqui no site da Trip e no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/09/6504bea5af3fa/milhem-cortaz-ator-tripfm-mh.jpg; CREDITS=divulgação / Globo / Estevam Avellar; LEGEND=Milhem Cortaz; ALT_TEXT=Milhem Cortaz]

  • Ator fala sobre seu receio de ficar pobre, o começo conturbado no teatro e o trabalho na televisão Rodrigo Lombardi é um dos mais requisitados atores da televisão brasileira. Paulistano, ele tentou uma carreira no vôlei antes de se jogar nas artes cênicas. Sua trajetória pelo palco começa em 1999, no grupo Tapa de teatro. Sua estreia na televisão aconteceu no mesmo ano, na novela Meu Pé de Laranja Lima, da Bandeirantes. Em 2005, com Bang Bang, fez seu primeiro trabalho na Rede Globo, onde trabalha até hoje e viveu importantes personagens, como o Raj, da novela Caminho das Índias, Herculano Quintanilha, da O Astro, e Alexandre Ticiano, da Verdades Secretas.Na conversa com o Trip FM, o ator fala do seu começo conturbado na carreira e revela que tem receio de ficar pobre: “Sempre tive medo de virar mendigo”.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2018/10/5bca19312a8b3/1935x964x960x540x488x130/rodrigolombardi.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=]

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  • A economista ficou 2 meses na UTI, recebeu um novo coração aos 30 anos, virou atleta campeã e acaba de lançar um livro sobre sua trajetória Assim como a notícia do transplante de coração do apresentador Faustão parou o Brasil no mês passado, a história da economista Patrícia Fonseca também ganhou destaque nacional, em 2015. Na época, ela chegou às capas de revista por se tratar de uma das primeiras transplantadas de coração do mundo a se tornar triatleta. “Eu dou valor a ficar em pé, a andar. Na minha família a gente tem o conceito do ‘problema bom’: estourar um cano, bater um carro é problema bom, problema de quem está vivo. A vida é isso, é errar, aprender e descobrir”, diz. Hoje, Patrícia batalha para desmistificar os equívocos que cercam esse tipo de cirurgia e encorajar mais pessoas a optarem pela doação de órgãos. Ela acaba de lançar o livro “Coração de Atleta”, em que narra sua jornada.Em entrevista ao Trip FM, ela compartilha suas experiências, relembrando a angústia de aguardar na UTI por um coração compatível, as dificuldades enfrentadas durante a infância devido às complicações cardíacas e os medos após a cirurgia. A entrevista fica disponível no Spotify e aqui no site da Trip.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/09/64f25a602c151/tripfm-patricia-fonseca-coracao-transplante-triatleta-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Patrícia Fonseca; ALT_TEXT=Patrícia Fonseca]Trip. O que você sentiu quando já estava internada esperando por um coração?Patrícia Fonseca. Eu fiquei cinco meses na espera por um coração, dois deles na UTI dependendo dos aparelhos para bombear o meu sangue. É um período de muita angústia porque a sua vida depende da escolha de outra pessoa, que não te conhece e vai decidir se salva você ou não. Pode chegar dali um dia ou não chegar nunca. Você começa a se perguntar se é o fim, mas na mesma medida é uma alegria enorme quando o coração chega. E que alegria que chegou para Faustão – e que chegou logo. Já vi coração chegar em uma hora e já vi rico morrer na fila da espera também. A nossa luta é para que as pessoas esperem cada vez menos nas filas.Antes disso, do ponto de vista psicológico, como você enfrentou todas as limitações que sua saúde impunha? Eu nunca olhei para o lado me comparando ao outro. Em um primeiro momento, precisei entender o que poderia fazer de melhor com aquela vida que eu tinha. Tem tanta coisa boa para fazer que a gente não pode escolher ficar bitolada num objetivo só, ou em um sonho ou pessoa qualquer. Eu não podia dançar, que era o que eu mais gostava, mas eu podia ler, a segunda coisa que eu mais gostava na vida. A questão cardíaca nunca me definiu.Hoje, olhando para trás, dá para tirar algo de positivo de tudo o que aconteceu? É muito duro com a Patrícia do passado falar isso, mas eu não mudaria a minha história. Foi muito difícil, mas isso me faz ter uma clareza do mundo que está à minha volta que eu não teria de outra maneira. Eu dou valor a ficar em pé, a andar. Tudo vira uma brincadeira. Na minha família a gente tem o conceito do problema bom: estourar um cano, bater um carro é 'problema bom', problema de quem está vivo. A vida é isso, é errar, aprender e descobrir.

  • O surfista foi um dos primeiros a chegar em Lahaina, na ilha de Maui, após o incêndio que destruiu a região histórica e deixou 115 mortos No dia 25 de fevereiro de 2016, às 8 da manhã, o big rider baiano Yuri Soledade pegou a onda da sua vida. O paredão de mais de 20 metros que avançava em um bloco, feito um tsunami, é considerado uma das maiores ondas já surfadas na história. Mas não foi para falar de esporte que Yuri participou do Trip FM desta semana. Morador da ilha de Maui, no Havaí, ele foi um dos primeiros a chegar de barco em Lahaina após o trágico incêndio que destruiu a região histórica e deixou, por enquanto, 115 mortos; outras centenas de pessoas estão desaparecidas. No papo, ele conta como a comunidade com menos de 200 mil pessoas se uniu para tentar se reerguer, fala do prejuízo de perder o seu restaurante para o fogo, responsabiliza as autoridades americanas e descreve o que viu horas depois da tragédia. A conversa completa fica disponível no Spotify e aqui no site da Trip.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/08/64e913403a140/yuri-soledade-surfista-havai-incendios-lahaina-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Lahaina; ALT_TEXT=Lahaina]Trip. Você consegue explicar o que aconteceu? E como você e sua família estão?Yuri Soledade. A gente teve um furacão que passou perto, ventos muito fortes, e isso, somado a fatores como o verão muito seco e a falta de preparação do governo, causou uma das piores tragédias dos Estados Unidos. Graças a Deus, a minha família está a salvo: a destruição aconteceu toda em Lahaina. Eu tinha um restaurante na região e fui uma das primeiras pessoas a pisar lá, a levar um barco. Ainda estava pegando fogo em tudo. Quando cheguei, entrei em choque. São cenas que nem em filme você vê. Meus empregados perderam tudo, mas estão bem.E como vai ser o impacto financeiro? O prejuízo é muito grande, mas a gente precisa olhar para frente. A comunidade precisa da nossa garra e esse é o nosso foco agora. Não quero pensar em dinheiro, mas estou preocupado com meus funcionários. Espero que o governo ajude, pois as pessoas estão precisando muito. Ainda não sei como a gente vai recuperar essa ilha de Maui.O que você viu quando chegou em Lahaina? Imagino que em poucos lugares do mundo já tenha ocorrido uma tragédia dessa. A quantidade de pessoas mortas, animais, o prejuízo cultural… Lahaina foi a primeira capital do estado havaiano, era a principal cidade turística. E não tinha infraestrutura, não tinha polícia, corpo de bombeiros, não tinha nada. Isso acarretou nesse desastre com mais de mil pessoas desaparecidas. Sem contar os imigrantes mexicanos, filipinos, que são pessoas invisíveis ao sistema e vão continuar invisíveis. Nos primeiros dias, quem ajudou foi a comunidade. Fora que começou uma campanha para evitar que as pessoas venham para cá – o que forma uma segunda onda de obstáculos, já que a população vive do turismo.

  • Publicitária segue caminhada em direção às produções autorais e lança documentário sobre cavalos que questiona relação do homem com o mundo Flavia Moraes, uma das principais personalidades do cenário audiovisual brasileiro, está prestes a lançar um de seus projetos mais autênticos. Reconhecida por sua atuação dominante no mercado publicitário na década de 1990 e nos anos 2000, ela tomou um novo rumo na direção, focando em filmes com mais profundidade. “Não é uma questão de esclarecer os ignorantes, mas é preciso fazer uma reflexão dessa cegueira contemporânea”, explica. Esse novo caminho fica evidente em sua mais recente empreitada, o documentário "Visions in the Dark", em que explora a habilidade de um treinador de cavalos de demonstrar, de maneira intuitiva e não violenta, como é possível transformar nossa compreensão da natureza e de nós mesmos.Da Califórnia, nos Estados Unidos, onde mora atualmente, Flavia bateu um papo com o Trip FM sobre arquitetura, o cinema em Hollywood e sua identidade como pessoa não binária, entre outros assuntos fascinantes. O programa fica disponível no Spotify e aqui no play aqui em cima. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/08/64dfe2ab0f7a9/flavia-moraes-cineasta-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Flavia Moraes; ALT_TEXT=Flavia Moraes]Trip. Tem publicitário que te elogia como cineasta e diretor de cinema que fala que você é uma grande publicitária. Você sempre andou por vários mundos?Flavia Moraes. Eu sempre fui fora da casinha. Essa coisa do não binária me acompanha desde a questão de gênero até a questão profissional. Fiz uma carreira importante na propaganda, mas queria fazer cinema, então nunca me senti publicitária, mas também não era cineasta. Eu era gaúcha, mas morava em São Paulo. Tem uma pluralidade que vem de uma certa característica da busca, da vivacidade que eu tenho apesar de já ter uma certa idade.É verdade que quando criança você se disfarçava de menino pra entrar em campeonato de futebol? Eu jogava futebol na rua com os meninos. Durante os anos 60 o que se esperava de uma menina era boneca, mas eu batia um bolão. Chegou um momento em que a gente precisava jogar um campeonato e a Flavia entrou como Flavio. Eu lembro muito da situação, foi um pouco traumática porque eu não podia jogar, por exemplo, do lado dos sem camiseta. Engraçado, mas traumático. Tenho problema na coluna até hoje por tentar esconder o seio. Foram inúmeras situações complicadas e que não têm graça nenhuma; já levei uma surra de caminhoneiros em um posto de gasolina.O que te levou aos Estados Unidos? Eu vim para os EUA para me profissionalizar, pois no Brasil a gente trabalhava com sucata nos anos 90. Me apaixonei pela Califórnia, mas aqui eles também estão voltando para trás. A polarização é impressionante, está cada vez mais difícil ter amigos: o dinheiro é sempre o assunto principal. E o tipo de cinema que eu quero fazer acabou aqui, eles estão atrás de entretenimento e escapismo. Não estão comprando nada que obrigue o espectador a pensar. A palavra de ordem é desligar.O seu novo filme, "Visions in the Dark", fala muito da ignorância humana, da incapacidade de ver outra forma de olhar para o animal. Com esse filme eu fiz questão de mostrar, por exemplo, que os gaúchos adoram os seus cavalos: cantam, dizem poesia para eles. É um amor inegável, mas também uma ignorância por aquilo que já está posto. Eles aprenderam que o animal se ensina com violência, algo passado pelo avô, pelo bisavô. Os rodeios acontecem todos os finais de semana no Brasil, na Argentina, no Uruguai... Não é uma questão de esclarecer os ignorantes, mas é preciso fazer uma reflexão dessa cegueira contemporânea. A gente inventou a inteligência artificial enquanto o mundo dá sinais claros de que nós temos problemas globais para resolver. Não podemos continuar nessa desconexão.

  • Maria Carvalhosa perdeu a visão aos 13 anos. Aos 21, ela fala sobre a cegueira da sociedade Vítima de um erro médico, Maria Carvalhosa tinha 13 anos quando perdeu quase toda a visão. Sem o apoio da escola, que se mostrou despreparada para lidar com a mudança, a adaptação não foi fácil. Mas, com o tempo, ela aprendeu a lidar com o desafio mais complexo deste processo: “Ser cega é uma experiência única. O que me enche o saco é o jeito como me tratam”. Maria vem se transformando em uma voz importante na luta pelos direitos das pessoas com deficiência e hoje, aos 21 anos, assume o papel de curadora e editora na recém-inaugurada Supersônica. A iniciativa é responsável pela produção de audiolivros narrados por atores como Isabel Teixeira e Caio Blat.Em entrevista ao Trip FM, Maria compartilha sua jornada, fala sobre a perda do pai, o artista plástico Carlos Carvalhosa, e os desafios para conseguir o apoio de um cão-guia. O programa fica disponível no play aqui em cima e no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/08/64d6a46e159e5/tripfm-maria-carvalhosa-mh.jpg; CREDITS=Jorge Bispo; LEGEND=Maria Carvalhosa; ALT_TEXT=Maria Carvalhosa usando uma blusa preta segura no colo seu cachorro preto]Trip FM. Quanta tristeza perder a visão aos 13 anos lhe causou?Maria Carvalhosa. Com a minha cegueira, eu passei a enxergar melhor a dor do outro. Mas esse foi um movimento unilateral porque, ao mesmo tempo, o mundo passou a me ver como extraterrestre. As pessoas não têm instrumentos para lidar com alguém com deficiência. Elas ficam perturbadas e é muito difícil você sentir que incomoda. O jeito como me tratam não faz sentido nenhum. Não há parâmetro de razoabilidade para lidar com isso. Me chacoalhou muito. Saber que você perturba significa sempre ter que mostrar que você não é o que a outra pessoa acha.Você tem alguma raiva do médico que causou a sua cegueira? Quando você é criança, confia muito nos médicos e em qualquer figura de autoridade. Foi muito confuso entender que as pessoas em quem eu estava depositando a minha saúde, o meu corpo, estavam fazendo a coisa errada e ainda não admitindo que não estavam encontrando o caminho. Eu poderia ter morrido. Fomos presos na loucura da medicina carioca. Ainda tenho muita raiva, pois sei que pode acontecer com outros. É muito fácil para um médico sentir que é Deus.O que precisa mudar para o mundo receber melhor a pessoa com deficiência? O que pode ser revolucionário no mundo da pessoa com deficiência é parar de ser vista como falta. Ser cega é uma experiência única. O que me enche o saco é o jeito como me tratam. Nas escolas, em primeiro lugar, você precisa fornecer material para os alunos com deficiência se conhecerem e se empoderarem. Inclusão não significa deixar a gente igual. Eu não sou igual, sou diferente, e essa diferença precisa ser tema. Precisa haver uma mudança na ordem de como a deficiência é colocada.O mundo hoje dá uma importância descabida para a aparência, com todas as harmonizações e procedimentos possíveis. Para você, após perder a visão, como ficou essa questão? A aparência ainda é muito importante para mim — não nesse lugar da perfeição porque eu não sei como é minha cara. Eu sempre me importei com a construção da minha aparência, pois eu não estou me vendo, mas outras pessoas estão. E ser cega faz parte da minha aparência. Hoje eu quero que dê para ver que eu não estou seguindo um parâmetro totalmente feminino, perfeito e imaculado. Eu não sou assim. É doido porque muitas vezes as pessoas acham que os cegos não se preocupam com isso. Eu sou bem vaidosa, mas de outra forma.

  • À luz dos acontecimentos desta semana no Guarujá e em Santos, Trip FM relembra conversa com especialista em homicídios e crime organizado A chacina que aconteceu nos últimos dias no litoral de São Paulo, nas cidades de Guarujá e Santos, voltou a evidenciar a situação precária do Brasil quando o assunto é o combate à violência. Policiais, traficantes e pessoas comuns morrem em um cenário que só pode ser comparado a uma guerra. E esse problema não é de hoje. Em 2018, o Trip FM conversou com o jornalista Bruno Paes Manso, que também é economista e doutor em Ciência Política pela USP, para tentar jogar luz nessa escuridão. “Os presídios estão fortalecendo as gangues prisionais mais do que estão combatendo o crime e é preciso ainda lidar com uma séria restrição orçamentária”, disse ele.Na conversa, o pesquisador contou como a política de guerra às drogas criou o crime organizado no país, como o modelo carcerário alimenta e nacionaliza essas organizações e fala ainda sobre temas importantes como segurança pública e o estatuto do desarmamento. O programa está disponível no play acima ou no Spotify.

  • Com a comemoração dos 40 anos da banda, o Trip FM relembra uma entrevista icônica de 2019 com o músico Trinta anos após a saída de Arnaldo Antunes, Os Titãs estão com a formação completa e, mais uma vez, lotando shows pelo Brasil. O momento não poderia ser melhor: apoiados por um desejo do público por música ao vivo, represada durante a pandemia, e com o aporte da produtora 30E, que chegou em 2021 para balançar o mercado nacional de entretenimento, o grupo comemora também a volta de Branco Mello após a recuperação de um tumor na garganta. Para celebrar esse momento, o Trip FM relembra uma entrevista marcante que Nando Reis deu ao programa em 2019. No papo, ele fala do início da carreira, da vontade de diminuir o ritmo, de morte, de Roberto Carlos e muito mais. O programa fica disponível aqui no site e também no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/07/64c42fe1dfb65/nando-reis-musico-titas-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Gabriel Rinaldi; LEGEND=Nando Reis; ALT_TEXT=Nando Reis]

  • Jornalista analisa avanços em equidade de gênero dias antes de Copa Feminina, fala de morte de torcedora e dificuldades da profissão Com vinte anos de carreira, a jornalista Carol Barcellos já participou de grandes coberturas esportivas e superou seus limites físicos com reportagens em ambientes extremos, como quando participou da maratona do Polo Norte. Em um papo com o Trip FM, ela falou de suas aventuras, as expectativas para a Copa do Mundo feminina, que começa no próximo dia 20 de julho, e também sobre a violência no futebol. “É triste, como sociedade, ver isso. É preciso educação, mas para algumas pessoas não há mais tempo. Então de que forma será feita a punição? Porque os casos têm sido recorrentes — foram vários só nos últimos meses”, afirmou, referindo-se à morte de uma torcedora do Palmeiras, atingida por uma garrafa de vidro no início desse mês.Mãe de Júlia, de 11 anos, a jornalista refletiu sobre a dificuldade de conciliar a maternidade, a vida pessoal e os desafios profissionais. "Estar no Japão cobrindo a Olimpíada por 43 dias significa não estar próxima da minha filha. Já vivi vários momentos de muita felicidade, mas já chorei muito, mas muito mesmo", disse. O programa está disponível no Spotify e no play nesta página.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/07/64b19bb6eac15/carol-barcellos-jornalista-globo-esporte-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Carol Barcellos, Galvão Bueno e Ana Thaís Matos; ALT_TEXT=Carol Barcellos, Galvão Bueno e Ana Thaís Matos]Trip. A pressão sobre as mulheres para dar conta de tudo é enorme – e a gente sabe que é impossível atender a essa cobrança. Quais são os seus momentos de maior frustração?Carol Barcellos. Já tive muitos momentos de frustração como mãe. Toda grande cobertura que vou é sempre difícil lidar com meus sentimentos. Estar no Japão cobrindo a Olimpíada por 43 dias significa não estar uma mãe próxima da Júlia. São tristezas, as escolhas tem um preço. Já vivi vários momentos de muita felicidade — porque nós trabalhamos para isso, para os grandes ciclos de Copa e Olimpíada —, mas, ao mesmo tempo, já chorei muito em coberturas, mas muito mesmo.Ao que tudo indica nós vamos viver uma Copa do Mundo de futebol feminino com uma repercussão gigante. Mas há ainda muito o que se fazer para um tratamento mais igualitário do esporte? A Copa de 2019, em termos de repercussão, já foi algo inédito para as mulheres. E de lá para cá mudou mais ainda: a gente já assiste ao Campeonato Brasileiro feminino pela televisão, por exemplo. É um salto, mas falta muito para chegar mais perto do que se entende como igualitário. O futebol e a Copa escancaram muita coisa. O futebol é um reflexo da nossa sociedade. A Copa do Mundo é muito interessante porque é também um pretexto para trazer debates sociais e, naturalmente, de uma forma mais leve. Historicamente as mudanças não são tão rápidas assim, até porque antes elas precisam acontecer dentro da gente, elas vêm com uma mudança de mentalidade. É um processo de educação e lento.Já que o futebol é um reflexo da sociedade, como você vê a morte dessa torcedora do Palmeiras? Esses atos de violência contínuos nos estádios são muitos sérios, assustadores e tristes. Ali deveria ser um momento de respiro diante de tudo que se enfrenta. Dá uma dor, nós estamos falando de uma menina de 23 anos. É triste, como sociedade, ver isso. É preciso educação, mas para algumas pessoas não há mais tempo. Então de que forma será feita a punição? Porque os casos têm sido recorrentes – foram vários nos últimos meses. Como você chega até essa pessoa que acha que faz sentido cair na porrada e nem assistir ao jogo? É uma semana para repensar muita coisa.

  • Nascida em Diadema, na periferia de SP, a atriz que trabalhou como babá aos 10 anos, se tornou um dos grandes nomes das séries brasileiras “Em relação à minha saída de vida, hoje estou milionária. E construí com o dinheiro do meu trabalho como artista no Brasil, como mulher negra. Tenho uma segurança hoje em dia, um chão, um teto. Que é o sonho de todo mundo, ter uma casa. Esse cenário era muito impensável”, diz Ana Flavia Cavalcanti. A atriz nascida em Diadema, na Grande São Paulo, construiu sua carreira no teatro, ganhando destaque com a peça “A babá quer passear”, onde reflete sobre questões estruturais e de raça no Brasil. “Acho que muitos dos nossos problemas estruturais, e do racismo, estão relacionados ao trabalho doméstico. Tudo bem você contratar uma babá, ter uma faxineira, mas como essa pessoa está vivendo? Quais são as condições de trabalho que você vai oferecer? E os filhos dessa pessoa? Também fazem natação? Deu para ela financiar um carro? Acho que todo mundo merece e quer uma vida melhor para si e sua família”, diz ela.Nos últimos anos, passou a estrelar grandes produções na TV, como a novela “Amor de Mãe”, e fez parte do elenco de séries aclamadíssimas como “Sob Pressão”, “Onde Está Meu Coração”. Hoje, ela dá vida à personagem Sandra, uma vizinha que se dá bem com todos os moradores, na série "Os Outros", sucesso de audiência no Globoplay. A atriz é responsável também por uma série de intervenções artísticas que refletem sobre a sua infância pobre nas periferias das cidades de Diadema e Atibaia. No papo com o Trip FM, Ana conta um pouquinho de tudo isso, fala de sua mãe, uma empregada doméstica aposentada, de beleza, dinheiro, sexualidade, televisão e muito mais. A conversa fica disponível no play aqui em cima e no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/07/64a8918e28661/ana-flavia-cavalcanti-atriz-os-outros-globoplay-mh.jpg; CREDITS=Jorge Bispo; LEGEND= Ana Flávia Cavalcanti, uma das atrizes brasileiras que mais tem elevado o nível do audiovisual no país; ALT_TEXT= Ana Flávia Cavalcanti]Trip. Você dá vida à personagem Sandra na série "Os Outros", que está fazendo muito sucesso no Globoplay. Como foi sua experiência nesta obra?Ana Flavia Cavalcanti. Em "Os Outros", você pensa: não dá para ficar pior. Só que dá. Essa série é um retrato disso e da incomunicabilidade que tomou o Brasil nos últimos anos. E eu não quero falar aqui de um ou outro governo. Estou falando de quanto, como sociedade, a gente se distanciou, se perdeu. Brigou com a família, rompeu com o pai, com a mãe…. Imagina com o vizinho. Uma incapacidade geral de diálogo. Acho que a gente tem um trabalho longo pela frente. E se você parar para analisar, os motivos das brigas são muito pequenos, mas eles estão enraizados. Na série, tudo começa com a briga das crianças, dos filhos. E a gente sabe que é muito difícil ser adolescente nas escolas. E o bullying está diretamente relacionado com as personalidades que estão fora da curva, que estão fazendo o caminho inverso do pelotão. Então se você tem um cabelo liso meio pro lado é considerado um menine e tratado de um jeito diferente. Se você é gorda, se você é gay, se você é preto, 'ah, não senta aqui com a gente'. Os jovens estão assistindo muito essa série e isso tem a ver com esse sucesso estrondoso.Nos espetáculos "Serviçal" e "A babá quer passear", que falam sobre raça e questões estruturais, você joga luz e busca trazer a conversa sobre a condição das trabalhadoras domésticas no Brasil. Como você enxerga essa situação no país? "Serviçal" é um trabalho que eu trago para trazer a luz e a conversa sobre a condição das trabalhadoras domésticas no Brasil. As pessoas me perguntam não pode ter mais empregada doméstica? Não pode ter mais babá? Acho que muitos dos nossos problemas estruturais, e do racismo, estão relacionados ao trabalho doméstico. Tudo bem você contratar uma babá, ter uma faxineira, mas como essa pessoa está vivendo? Quais são as condições de trabalho que você vai oferecer? E os filhos dessa pessoa? Também fazem natação? Deu para ela financiar um carro? Acho que todo mundo merece e quer uma vida melhor para si e sua família.Você fala do orgulho e da satisfação de ter construído uma casa, de estar fazendo coisas que antes não tinha condições. Nesse momento, você é protagonista de um movimento de mudança nas artes cênicas. Ao mesmo tempo em que agora existem produções para o streaming, independentes, a estabilidade que os atores tinham na Globo acabou. Como é ser atriz diante desse descolamento de placas tectônicas do tablado das artes cênicas? Essa pergunta é muito interessante porque ela é bem controversa. Em relação à minha saída de vida, eu estou milionária. Eu tô vivendo no sul da Bahia, apenas. E construí o meu palácio com o dinheiro do meu trabalho como artista no Brasil, mulher negra. Então quando eu junto tudo isso, sim, tenho uma segurança hoje em dia, um chão, um teto. Que é o sonho de todo mundo, ter uma casa. Aqui eu tô segura. Em relação ao mundo, ao mundo do trabalho, das artes, não dá para ter segurança no Brasil. Os últimos seis anos foram muito perigosos, tenebrosos.

  • Ícone da Jovem Guarda, a cantora retorna aos palcos com seu novo trabalho “Wanderléa canta choros” — e quer mostrar que é ela quem segura a Wanderléa está de volta. Voltou porque não pode ficar parada que se enche de angústia. Voltou porque não tem nada de “ternurinha” — um apelido que, segundo ela, foi criado para colocá-la no diminutivo. E voltou também porque precisava cantar o estilo que Erasmo Carlos dizia ser sua especialidade. Aos 79 anos, a cantora da Jovem Guarda acaba de lançar “Wanderléa canta choros”, um disco com clássicos do chorinho.Depois de estourar ainda muito jovem, hoje ela entende que nem tudo na vida é alegria, mas há muita beleza para enxergar — e desfrutar. "Eu tive momentos duros: perdi um filho, uma irmã por bala perdida, o acidente do meu noivo Zé Renato — que sofreu um acidente na piscina e ficou tetraplégico —, a morte do meu pai... Encontrei uma forma de transpor a dificuldade, de continuar a vida", diz."Eu sou privilegiada, tenho até hoje muitas alegrias e amor para distribuir, e me sinto muito amada por tantas pessoas". No papo com o Trip FM, a cantora falou sobre sua vida, passando a limpo todos os seus sofrimentos — que não foram poucos — e discutindo assuntos como feminismo, fama e dinheiro. A conversa completa você escuta no play nesta página ou no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/06/649eebb960a61/wanderlea-artista-cantora-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Wanderléa; ALT_TEXT=Wanderléa]Trip. Você passou por muitos sofrimentos na vida, inclusive pelo maior de todos eles, que é a perda de um filho. Acredita que a dor pode servir como crescimento?Wanderléa. Foi muito difícil me recompor após a partida do meu filho. Eu tive momentos duros na minha vida: perdi uma irmã por bala perdida, o acidente do meu noivo Zé Renato — que sofreu um acidente na piscina e ficou tetraplégico —, a morte do meu pai... Tudo isso me deixou com uma percepção de que a vida não é só alegria. Sei que vivi com meu filho intensamente e me acostumei a chorar muito, encontrei uma forma de transpor a dificuldade, de continuar a vida. Está tudo vivo ao nosso redor, mas a gente existe adormecido com a beleza da vida. Eu sou privilegiada, tenho até hoje muitas alegrias e amor para distribuir, e me sinto muito amada por tantas pessoas. Minha vida é uma balança equilibrada de coisas felizes e difíceis. Não podemos esquecer do que é simples: de tomar um banho, acordar e fazer um bom café da manhã...Você nunca pareceu estar muito deslumbrada com a fama. Quando eu era menina eu dava autógrafos com um certo prazer, mas isso foi diluindo. A fama não me picou. Eu valorizo cada coisa, lido com as pessoas mais influentes com o mesmo respeito que lido com qualquer um. Valorizo as pessoas pelo que elas são. Eu percebo no olhar os artistas que foram picados pela fama. Se eu tivesse a cabeça que tenho hoje, teria aproveitado a minha fama para fazer coisas maiores, mas não estava preparada para isso.Desde o começo você esteve à frente na libertação do feminino. Depois de todos esses anos, acha que o tratamento da mulher na sociedade mudou ou ainda continua muito parecido? Desde muito tempo as mulheres conduzem, apenas a força externa que costumava passar uma imagem de segunda classe. Na época de Jovem Guarda o Roberto, por exemplo, achava meus decotes exagerados. O apelido de "ternurinha" era para colocar no diminutivo porque eu era muito solta nas minhas atitudes, na maneira de atuar nos filmes. O Roberto e o Erasmo tiveram uma criação machista. E em casa eu me sentia acuada por meu pai soltar mais os meninos. Na hora de segurar a barra, é a mulher que segura. Pelo fato de ter ficado ausente na sociedade tanto tempo, evoluíram mais rapidamente que os homens. Socialmente eles são mais ousadas, mais fortes.

  • Parceira do fotógrafo há quase 60 anos, ela fala sobre a falta de reconhecimento de seu trabalho ao lado do marido, família e dinheiro Se o olhar sensível de Sebastião Salgado tocou e transformou tantas pessoas ao redor do mundo, esse êxito tem mais um nome: Lélia. Parceira de vida e obra do fotógrafo há quase seis décadas, foi ela quem comprou a primeira câmera fotográfica do casal e, desde então, desempenha um papel fundamental no trabalho que construíram juntos, organizando expedições, mostras, editando livros e ampliando o alcance dos registros de Sebastião. Lélia Wanick Salgado não aceita ser classificada como a mulher "por trás" de um grande homem e, aos 76 anos, faz questão de reivindicar seu crédito quando alguém elogia apenas seu marido pelo livro que ela construiu. "A mulher ser colocada em segundo plano me irrita profundamente e cada dia mais", diz.Caçula de nove irmãs e mãe de Juliano e Rodrigo, ela também é fundadora do Instituto Terra, que recriou uma floresta em Aimorés (MG) com o plantio de milhões de mudas. No papo com o Trip FM, Lélia fala sobre maternidade, a morte precoce dos pais, a fuga para Paris na época da ditadura e muito mais. “Eu ainda choro, depois de cinquenta anos, a morte de meus pais. Foi um golpe duro. Na minha cabeça, eu tinha que me virar, pois perdi minha família, meu sol, meu país, minha farofa, meu feijão. Foi duro, mas foi uma vitamina para a minha capacidade de adaptar”, conta. Você pode ouvir a entrevista completa no play nesta página ou no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/06/6495e56f0bd02/lelia-salgado-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Arquivo pessoal; LEGEND=Lélia Salgado; ALT_TEXT=Lélia Salgado]Trip. Você se irrita com o papel secundário que a mulher pode tomar em uma dupla como a sua e o Sebastião Salgado?Lélia Wanick Salgado. A mulher ser colocada em segundo plano me irrita profundamente e cada dia mais. É de uma injustiça profunda. É irritante uma pessoa abrir um livro ao lado de um artista e elogiar somente o artista. Hoje em dia, com 76 anos, eu sinto que tenho direito de falar: “Quem fez fui eu, não ele”.Você acha que o Sebastião dava peso correto ao seu trabalho? O Sebastião não dava peso ao meu trabalho. Não era comum, naquela época, alguém valorizar o esforço da mulher. Mas à medida que a gente foi vivendo ele entendeu que o trabalho era conjunto – e feito por nós para a nossa família. Logo a gente entendeu que juntos éramos uma força.Você perdeu os pais muito cedo e em um intervalo curto de tempo. Como fez para superar isso? Até hoje eu não consegui superar a morte dos meus pais. Eu ainda choro, depois de cinquenta anos. Não é fácil ter tido eles por apenas vinte anos: foi um golpe duro. Na minha cabeça, eu tinha que me virar. Eu perdi minha família, meu sol, meu país, meu feijão. Foi duro, mas foi também uma vitamina para a minha capacidade de adaptação.Quais lições você aprendeu mais tarde, quando teve o Rodrigo, que nasceu com síndrome de Down? Meu filho me ensina muito, justamente pela diferença. Viver com uma pessoa que não é igual a todo mundo muda a nossa maneira de ver o mundo e as pessoas. Também ensina a ter paciência com as diferenças dos outros.

  • Criador da drag Ikaro Kadoshi, Tiago Liberato fala sobre o preconceito que sofreu desde a infância, masculinidade, amor e dor Quem escuta o paulista Tiago Liberato falar com toda a doçura que traz na voz e nas palavras não pode imaginar tudo o que ele passou desde que assumiu a homossexualidade aos 13 anos – com resquícios de crueldade medieval, como define sua infância. Hoje, por meio da drag queen Ikaro Kadoshi, que criou no fim dos anos 1990, o artista apresenta no Prime Video o programa “Caravana das Drags”, ao lado de Xuxa Meneghel, e quer ser a inspiração que lhe faltou. “Estou rompendo um ciclo, devolvendo ao mundo o que ele não me deu. Gostaria de ter passado pelo que eu passei? Não. Mas já que passei, vou fazer o melhor disso”, diz. Tiago também foi a primeira drag queen a assinar um contrato com a Nike para ser embaixador da causa LGBTQIANP+ nos esportes.No papo com o Trip FM, ele também falou sobre dinheiro, masculinidade e preconceito. “O Brasil é um país de ironia. Somos os que mais matam LGBTQIAPN+ no mundo, o país que mais consome pornografia de travestis e transexuais e também o que tem as drag queens mais famosas. Repressão é isso: ame e odeie ao mesmo tempo, na mesma intensidade”, afirma. Você pode ouvir essa conversa no play aqui em cima e também no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/06/648c9dd1b4c22/ikaro-kadoshi-drag-queen-jornlista-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Blad Meneghel / Divulgação; LEGEND=íkaro Kadoshi, Drag Queen, apresentador de TV e jornalista; ALT_TEXT=íkaro Kadoshi, Drag Queen, apresentador de TV e jornalista]Trip. Você sofreu muito com a família do seu pai. Quanta importância teve a aceitação da sua mãe?Tiago Liberato. Quando a minha mãe disse que eu não precisava mudar em nada o que sou, ganhei uma força para enfrentar o mundo. Ser LGBTQIAPN+ no Brasil é enfrentar a sociedade todos os dias, de uma maneira que as pessoas desconhecem. O amor de mãe me deu esse porto-seguro. Se vocês soubessem a importância de amar as pessoas como elas são... A gente só consegue chegar à nossa plenitude quando recebe esse tipo de amor. Hoje eu faço um esforço gigantesco para me amar, para não ser o meu pior inimigo. E faço um esforço tremendo para não devolver ao mundo o que ele me dá, que é raiva, ódio e humilhação. A dor é a melhor professora que a gente tem. Estou rompendo um ciclo, estou devolvendo ao mundo o que ele não me deu. Gostaria de ter passado pelo que eu passei? Não. Mas já que passei, vou fazer o melhor disso. Por que você conta que ser drag é se assumir duas vezes? Porque muda toda a estrutura à sua volta. Eu perdi todos os meus amigos e tive que começar do zero. O que me dá orgulho é que a nova geração vive em um mundo diferente. Hoje as drags são casadas, têm namorado, são orgulhosas de si e seguram as rédeas de suas vidas. Antes era uma morte social. Eu ouvi muito: "Se for pra namorar você eu namoro uma mulher". Até hoje ainda não consegui andar de mão dada com alguém na rua – me gera um gatilho de que vou ser morto. Quando me tiram o direito de exercer o afeto, me transformam em um bicho. E as consequências disso são culpa de quem? Falam: "Eles são agressivos, são reativos". Experimenta tirar todo o afeto que você pode ter, tirar os espaços...


  • Ator emenda dois protagonismos e se torna principal nome em novo momento da Globo

    Há apenas cinco anos, a novela "Segundo Sol" — ambientada na Bahia, o estado brasileiro com a maior porcentagem de negros na população — figurava um elenco quase todo branco. Hoje, em um sinal de mudança em uma sociedade ainda muito desigual, os três principais títulos da Rede Globo têm protagonismo de atores negros. É para falar sobre esse novo momento da televisão que o Trip FM recebeu o ator Paulo Lessa, que acaba de emendar dois papéis importantes na emissora. “Quando você traz um personagem negro, protagonistas e bem-sucedido, você ajuda a quebrar um estereótipo e mostra que é possível estar em outra posição. A televisão constrói o imaginário popular. Fico feliz de estar construindo novas possibilidades”, disse ele.
    Filho da trancista Idalice Moreira Bastos, a Dai, uma figura muito importante da cultura do Rio de Janeiro, Paulo se dedicou muito tempo ao futebol antes de mergulhar na carreira artística. “Onde a gente se via antes? O cara só sonhava em ser jogador de futebol e ter uma banda de pagode, era o auge da vida de um jovem negro. Hoje eu recebo mensagens de jovens de diversos mercados falando que o meu trabalho foi uma injeção de ânimo. Estar na tela hoje como protagonista é revolucionário. Ajuda a mexer a roda".
    Casado com a cabo-verdiana Cindy Cruz e pai da Jade, de dois anos, ele também falou sobre família, grana, Vini Jr. e muito mais. A conversa está disponível aqui nesta página e também no Spotify.
    [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/06/647a4023d199a/paulo-lessa-ator-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Jorge Bispo ; LEGEND=Paulo Lessa; ALT_TEXT=Paulo Lessa]
    Trip. Quais dificuldades você sofreu quando decidiu ser ator?
    Paulo Lessa. Quando eu comecei a estudar artes cênicas, houve um enfrentamento familiar. Meus pais olhavam na televisão e não viam ninguém negro: em uma novela com sessenta atores tinham dois. Para eles, eu ia entrar numa fria, mas sempre acreditei que era possível. Apesar de viver da arte de ser trancista, minha mãe desejava muito uma profissão mais segura para mim. Eu mesmo nunca achei que fosse me tornar protagonista de novela. Quando entrei na oficina de atores da Globo, éramos em vinte alunos e eu o único negro. Eu sonhava em me manter como ator, estar nos elencos, mas não tinha nenhuma perspectiva de ser protagonista. Até porque entre Milton Gonçalves e Tony Tornado você só vê o Lázaro Ramos, que é muito mais novo, cinquenta anos de diferença.
    Qual a importância de representar um personagem negro e rico? Quando você traz um personagem negro, protagonista e bem-sucedido, você ajuda a quebrar um estereótipo e mostra que é possível estar em outra posição. A televisão constrói o imaginário popular. Eu fico feliz de ser uma peça que está construindo novas possibilidades. Isso dá para as pessoas a chance de sonhar, de serem protagonistas de suas vidas. Onde essas pessoas se viam antes? O cara só sonhava em ser jogador de futebol e ter uma banda de pagode, era o auge da vida de um jovem negro. Hoje eu recebo mensagens de jovens de diversos mercados falando que o meu trabalho foi uma injeção de ânimo. Estar na tela hoje como protagonista é revolucionário.
    E quanto ao dinheiro? Dá pra dizer que você ganha tanto quanto um ator branco da mesma idade? Ainda existe uma discrepância grande de salários e cachês. Eu estou tendo um reconhecimento artístico muito interessante, fruto de muito trabalho, de uma evolução artística, mas a parte financeira a gente ainda precisa chegar, ainda não encaixou. Se tivermos acesso aos números, as pessoas podem ficar até espantadas. Eu tenho lutado para melhorar isso.

  • Quem é e como pensa João “Chumbinho", o surfista de Saquarema que superou Medina e Ítalo para alcançar o primeiro lugar do ranking Um dia antes de cair no Surf Ranch, a famosa ‘piscina’ de Kelly Slater onde corre a onda mais perfeita já criada artificialmente pela mão humana, o atual líder do ranking mundial João “Chumbinho” Chianca deu uma pausa na preparação para a sexta etapa da WSL para bater um papo com o Trip FM. O surfista brasileiro que superou Gabriel Medina e Ítalo Silva para alcançar o primeiro lugar do ranking falou sobre a difícil preparação física e mental, a cidade de Saquarema – onde ele nasceu e lapidou a sua técnica – e o irmão Lucas Chumbo, ex-BBB e surfista de ondas gigantes. A conversa fica disponível no play aqui em cima e no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/05/64711d9832523/joao-chumbo-surf-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Thiago Diz/WSL; LEGEND=João “Chumbinho” Chianca; ALT_TEXT=João “Chumbinho” Chianca]Trip. Como tem sido a sua preparação física esse ano? João "Chumbinho" Chianca. O trabalho físico não é fácil: meu tempo é 100% comprometido com o surf. É dolorido, sim, mas é dessa forma que eu me sinto confiante, que reconheço meu mérito. É treino de força e levantamento de peso todos os dias, sempre em movimento para fortalecer os músculos, prevenir lesões e estar com as articulações boas. E muda a cada etapa do circuito. No Taiti, por exemplo, eu preciso de força para a remada. Já na piscina do Surf Ranch eu preciso estar leve e flexível. E sempre comendo muito: é um esporte que gasta calorias e eu nunca consigo suprir tudo o que gasto sem suplementação.Ter crescido surfando em Saquarema ajudou a surfar as ondas mais pesadas do circuito? Quando eu decidi ser um surfista profissional eu me lembro que a vontade era de estar sempre treinando, independente das condições. Saquarema tem condições desafiadoras que me deram a oportunidade de lapidar o meu surf. Quando o mar crescia eu continuava. Não era uma paixão e nem uma vocação, mas eu queria estar na água e isso veio muito ao meu favor, de saber que eu já me botei à prova em qualquer situação. A gente vai construindo a nossa bagagem de experiências – e Saquarema é a minha.No ano passado, você chegou a ser cortado do circuito. Como se sentiu? Senti que precisava estar presente, focado. As derrotas são as lições mais marcantes. Foi uma experiência difícil porque em um certo momento eu senti que voltava à estaca zero. Isso só mudou quando consegui colocar minha cabeça no momento.

  • Brasileiro que se especializou na cobertura de áreas de conflito fala sobre guerras da Ucrânia, Síria e embates na Amazônia Em preparação para uma segunda viagem à Ucrânia, o fotógrafo e documentarista de guerra Gabriel Chaim conversou com o Trip FM sobre seus dez anos de experiência cobrindo alguns dos mais violentos conflitos que assolaram a humanidade. Gabriel esteve na Palestina, fez várias coberturas na Síria e, mais recentemente, acompanhou a Polícia Federal em operações contra o garimpo na Amazônia. Conhecido por estar onde a notícia se forma, muitas vezes em meio ao fogo cruzado, ele garante que teme muito a morte, mas aprendeu a lidar com ela enquanto está em campo – e para cada dose de tragédia há também muita esperança. “Na guerra, morte e vida convivem muito próximas”.Em um papo reflexivo, Gabriel falou também de como se sente ao voltar à sua realidade no Brasil, dos povos yanomamis, da desvalorização da fotografia, entre outras coisas. A conversa fica disponível no play aqui em cima e no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/05/6467a6607cef1/gabriel-chaim-fotografo-guerra-ucrania-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Gabriel Chaim (@gabrielchaim); LEGEND=; ALT_TEXT=]Trip. Você acha que há fim para os conflitos no Oriente Médio?Gabriel Chaim. Historicamente, os conflitos no Oriente Médio nunca acabaram. Muda-se a tecnologia de guerra, a catástrofe se torna maior, mais pessoas vão se deslocando de suas casas, mas o conflito não cessa. São muitas as coisas que estão por debaixo dessas ideologias que dizem buscar o bem. O motivo geralmente é muito mais econômico do que qualquer outro. Na Síria, por exemplo, é uma complexidade tão grande que nem os sírios entendem o que está acontecendo. Esse conflito da Ucrânia foi importante não só para demonstrar o quão destrutiva pode ser uma guerra, mas também para mostrar o quão seletivo o ser humano é em relação à dor do próximo. Imagina se existisse toda essa comoção no início da guerra da Síria? Quantas vidas não poderiam ser salvas?Para que serve a fotografia de guerra? A fotografia de guerra é uma denúncia singular de uma parte do mundo que não vai bem. De algo da sociedade que está indo para o caminho oposto ao que se deveria. É um testemunho, é uma denúncia, é tudo isso junto. É um capítulo de um livro que vai ficar para sempre na história, o registro de uma época para uma nova geração se lembrar que aquele é um caminho para não se seguir. É importante para fazer com que as pessoas se sintam desconfortáveis.A partir de suas experiências cobrindo guerras, como você passou a enxergar a nossa relação com o dinheiro? Eu saio de uma realidade completamente oposta ao que eu estou inserido quando volto ao Brasil, de forma muito impactante. Eu percebo pelo Instagram, por esse culto pelo milhão, por ficar muito rico, como se esse fosse o sinônimo do sucesso. Como as pessoas estão cultuando algo que deveria ser apenas uma utopia e deixando de acreditar em outros valores, em relação ao mundo como ele deveria ser. Na maior parte do ano eu estou filmando pessoas que passam necessidades econômicas por conta da ganância humana. Eu não trocaria o que aprendi nos últimos dez anos por nenhum dinheiro do mundo. Eu conquistei um valor imaterial que não tem preço. É um conhecimento maravilhoso? Não, é um caminho complicado com coisas que não são belas, mas agradeço todos os dias por ter tido essas experiências.

  • Luiz Rocha enfrenta mergulhos de 150m de profundidade com até seis horas de duração para revelar animais desconhecidos Há mais de vinte anos, o biólogo Luiz Rocha, natural da Paraíba, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos em busca de melhores condições de pesquisa. Lá ele alcançou o auge da carreira ao ser nomeado Herói da Ciência pela Academia de Ciências da Califórnia, uma instituição de São Francisco dona um acervo de 26 milhões de espécies, incluindo descobertas feitas pelo próprio Rocha. Mas a paixão de Rocha vai muito além da vida na universidade: ele se aventura em expedições subaquáticas, explorando as profundezas dos mares, mergulhando entre arriscados 120 e 150 metros abaixo do nível do mar. Em uma entrevista descontraída com o Trip FM, Rocha compartilhou histórias sobre seu início de carreira, suas experiências mais marcantes de mergulho no Brasil e discutiu a ameaça representada pelo peixe-leão em nossas costas. Além disso, ele expressou otimismo em relação à possibilidade de recuperação dos recifes de coral.A conversa fica disponível aqui no site da Trip e no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/05/645eb1eb4256e/1116x586x960x540x90x9/tripfm-luiz-rocha-so.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=]Trip. De onde você veio, como era a sua família?Luiz Rocha. De uma família pobre, mas o mar é de graça. Nossa diversão era ir para a praia e, desde pequeno, eu ficava vendo os bichinhos nas poças de maré. Isso virou snorkel e depois o mergulho.Você é um biólogo, mas muito conhecedor de uma outra ciência, a do mergulho. Como você usa essa ferramenta? Meu mergulho é o técnico, a até 150 metros de profundidade. A gente usa um equipamento que recicla o ar. Nessa profundidade, o nitrogênio e o oxigênio, respirados sob pressão, eles te deixam bêbado e até podem te apagar. Então a gente mistura eles com o hélio. É uma coisa bem mais complicada, quase como pilotar um avião pequeno. A temperatura é muito fria, às vezes 12 graus. A gente desce o mais rápido possível, mas só trabalha lá por dez minutos. O que demora muito é subir, com paradas de descompressão. São cinco horas até a superfície, mas em profundidades diferentes.E você acredita que a Terra já passou do ponto de não retorno? É fácil de pensar que a natureza não tem recuperação, mas mergulhei em lugares antes destruídos por testes com bombas atômicas e encontrei o recife de coral mais saudável que já vi. Tudo que foi preciso fazer foi deixar o ser-humano longe por 50 anos. Às vezes a solução vai ser essa, ou deixar de pescar alguma espécie, ou pescar apenas peixes maiores. Ainda estamos destruindo o planeta, mas a ciência sabe o que fazer, o que falta é vontade.

  • Nadador mais vitorioso da história do país fala do medo de aposentar, de grana, de preparação física e muito mais O único nadador brasileiro a conquistar uma medalha de ouro em Olimpíadas, Cesar Cielo acaba de entrar para o Hall da Fama da modalidade. Apesar de estar fora das competições há quatro anos, ele garante que, se uma voz divina chamar, ele volta. A verdade é que o Cesão, como é conhecido pelos amigos, ainda não encontrou as palavras para dizer adeus. Apesar de afirmar que odiou 99% de seu tempo dentro das piscinas (passou frio, dor e cansaço), a glória encapsulada dentro deste 1% restante é tão grande que o atleta ainda não encontrou a vontade de tirar seu nome das federações internacionais.Em um papo com o Trip FM, ele fala do desalento de se aposentar, mas também da vida nova que encontrou longe das competições, passando tempo com a família e passeando com o cachorro em Itajaí, Santa Catarina. Isso além de comentar sobre preparo físico, grana e muito mais. “Hoje a minha profissão não é mais ser atleta de alto rendimento, mas vou ser atleta a minha vida inteira. Nadar para mim é como escovar o dente”, diz. Confira um trecho abaixo, dê o play no programa completo ou procure a gente no Spotify para mais episódios.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/05/6455282459ac3/cesar-cielo-nadador-tripfm-mh.jpg; CREDITS=undefined; LEGEND=undefined; ALT_TEXT=undefined]Trip. O que você sentiu antes de se aposentar?Cesar Cielo. Aposentar é infinitamente o pior momento da minha vida, tanto que oficialmente o meu nome ainda está no cadastro das federações internacionais. Eu tive a oportunidade de ganhar todos os grandes torneios de natação. A sensação de parar de fazer algo em que você foi o melhor do mundo, colocar em um caixão, é um vazio muito grande. É difícil porque você continua com a mentalidade do campeão. Eu vejo os campeonatos e quero nadar, mas não quero pagar o preço de acordar cedo e cair na água fria todo dia, com dor. Tem hora que você começa a atrapalhar a pessoa que você pode se tornar porque está preso à pessoa que você já foi.Você chegou a pegar desgosto pela natação? Hoje a minha profissão não é mais ser atleta de alto rendimento, mas vou ser atleta a minha vida inteira. Nadar para mim é como escovar o dente. A natação tem um estilo de vida por trás dela. Tem dias que eu vou para a piscina com aquele sol, aquela energia, eu não vou deixar de ter isso na minha vida de jeito nenhum.O seu corpo hoje sofre pelo esforço ao qual você o submeteu? Eu fui mais do que devia pela maior parte do tempo. Uma parte da minha carreira a quantidade foi um fator importante no meu treino e eu bati bastante no meu corpo. Eu sinto que, agora que eu baixei a bola, eu sou um cara um pouco mais velhinho do que deveria ser. O esporte de alto rendimento não é saúde, é profissão. A gente compra esse sonho sabendo dos riscos. Mas eu tenho um corpo que eu consigo fazer tudo que quero, ainda.E a questão de grana, como foi? Ajuda de custo é preciso ser feita para a base, para viabilizar o treinamento de mais pessoas. Você não pode falar em ajuda de custo para o atleta profissional. O setor privado, por exemplo, não investe no esporte. Eles preferem pegar qualquer outra celebridade. A gente fica nesse limbo e é muito difícil. São um ou dois que conseguem fazer uma carreira por geração. Muito disso também vai do apelo do esporte e eu acho que o problema da natação é o formato que a gente tá vendendo ela. A televisão não quer mostrar seis dias de Troféu Brasil. A gente precisa fazer algo com maior apelo. Por muito tempo eu achei que o patrocínio viria com a medalha, mas só depois eu fui descobrir também que é a postura que você tem em cima da exposição. Eu falo para a molecada que eu não ganhei dinheiro com a piscina, ganhei dinheiro com a minha imagem. O resultado é só uma catapulta.

  • Conhecida por desfilar para as maiores grifes do planeta, a modelo fala sobre os bastidores das passarelas e a busca pela perfeição No papo exclusivo com o Trip FM, a supermodelo Isabeli Fontana, conhecida por desfilar para as maiores grifes do planeta, mostrou a realidade dos bastidores da moda e como é difícil manter a imagem perfeita que a indústria exige. Além disso, ela abriu o jogo e compartilhou as pressões que enfrentou ao começar tão jovem na profissão: "Aos 12 anos eu já andava de sapato alto para tudo o que é lado, de metrô, de ônibus e não era aprovada nunca. Era muito ruim, você se sente horrível, ainda mais na adolescência. É a pior forma de lidar com o negativo, de pensar que você não serve para nada".Isabeli também revelou como quase perdeu todo o seu dinheiro e falou sobre sua gravidez precoce, além de compartilhar detalhes sobre seu relacionamento com o marido Di Ferrero. Confira o papo completo no player aqui em cima ou no Spotify.[IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/04/644c0abc47c05/isabeli-fontana-modelo-topmodel-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Isabeli Fontana; ALT_TEXT=Isabeli Fontana]Trip. A gente sempre lembra quando você fez uma capa com a Trip em 2007 e pediu para deixar a marca da sua cirurgia de apendicite. Naquela época você já antecipava essa luta pelo corpo real?Isabeli Fontana. Desde pequena eu sempre quis ser aceita. Como eu vivi a adolescência trabalhando, sempre precisei estar dentro do padrão, da medida, e aí se eu falasse algo de errado para alguém que fazia o trabalho acontecer. Eram muitas coisas para carregar: traumas e cobranças. No meio disso, sempre quis servir o cliente, deixar com que eles ficassem satisfeitos com o ser que eu estava construindo. Viver uma vida inteira querendo suprir o que o outro acha que é perfeito é impossível. Algo em mim já estava gritando lá dentro: deixa a minha cicatriz aparecer, a celulite aparecer. Nem mesmo fazendo Paris Fashion Week eu conseguia aceitar a pessoa que eu era, porque era uma personagem, um ser que eu criei. Se eu fosse rica desde criança você acha que eu passaria por tudo isso? Passei porque a gente precisa de grana.Como você lidou com as dificuldades da carreira de modelo tendo começado tão cedo? Aos 12 anos eu já andava de sapato alto para tudo o que é lado, de metrô, de ônibus e não era aprovada nunca. Era muito ruim, você se sente horrível, ainda mais na adolescência. É a pior forma de lidar com o negativo, de pensar que você não serve para nada. É preciso arrumar uma força interior muito grande. É um mercado muito competitivo.Tudo na sua vida foi precoce, inclusive a gravidez. Eu fui a primeira modelo a engravidar no momento hypado da carreira. Eu tinha DIU, mas um dia eu fiquei doente na Itália e a ginecologista de lá tirou ele do lugar, não sabia nem o que era. Eu que já viajei o mundo sei como a saúde do Brasil é boa. Eu engravidei porque a médica tirou meu DIU do lugar. Engravidei aos 19 anos, mas me apaixonei pelo meu bebê. Foi um grande aprendizado na minha vida.

  • Músicos celebram discos clássicos em turnê e falam ainda de fama, morte e surf Preparados para entrar em turnê e celebrar os álbuns “As Quatro Estações” e “V”, da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá bateram um papo com o Trip FM sobre um pouquinho de tudo. Relembraram o passado e Renato Russo, falaram de fama, morte, surf entre outros assuntos. Com mais de 20 milhões de discos vendidos durante os anos 80 e 90, os músicos aproveitam um momento de maior maturidade para voltar a estrada ao lado do vocalista André Frateschi, que está com a banda desde 2015, e reviver clássicos do rock nacional, como ‘Meninos e meninas’, ‘Pais e filhos’, ‘Metal contra as nuvens’, ‘Vento no litoral’ e ‘O teatro dos vampiros’. Eles passam por por vários Estados brasileiros, com apresentações em São Paulo (05/05, em Sorocaba; 06/05, em São Paulo), DF (13/05, em Brasília), Minas Gerais (20/05, em Belo Horizonte), Rio Grande do Sul (24/06, em Porto Alegre), Rio de Janeiro (01/07, no Rio de Janeiro), Paraná (26/08, em Curitiba), Paraíba (15/09, em Joao Pessoa), Pernambuco (16/09, no Recife), Amazonas (26/10, em Manaus), Pará, (28/10, em Belém), Piauí (24/11, em Teresina) e Ceará (25/11, em Fortaleza). Confira a entrevista na íntegra no play, confira um trecho abaixo ou ouça o programa no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/04/643966adb1c43/dado-bonfa-legiao-urbana-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Leo Aversa (@leoaversa); LEGEND=Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá; ALT_TEXT=Dado e Bonfá]Trip. Como vocês lidaram com a fama na época e como acham que o Renato estaria lidando com o mundo de hoje?Dado Villa-Lobos. Quando a gente começou a gravar eu tinha 18 anos. O cavalo passou com cilhada e a gente montou em cima e foi embora. Éramos tão jovens. Mas a fama era muito diferente do que é hoje, não éramos reféns de algoritmo. Isso acaba com o lado criativo da pessoa. O nosso som no primeiro disco era algo completamente fora de FM e tínhamos orgulho disso, de ser assim e ainda tocar na rádio. Eu acho que o Renato estaria enlouquecendo com essa coisa de ChatGPT e o diabo. Tá tudo muito rápido. Mas eu acho que ele iria segurar essa onda e escrever algumas coisas a respeito.Marcelo Bonfá. O Renato hoje estaria muito bem, ele tinha uma bagagem intelectual muito grande para lidar com tudo isso que a gente vê por aí. A criatividade morava nele.Trip. Existe alguma coisa que vocês deixaram de falar para o Renato? Como sair em turnê é diferente hoje comparado com aquela época?Dado. O Renato foi embora e, é claro, que ficão sempre coisas pendentes. Coisas bobas da vida. Um grande respeito por ele, mas eu lembro muito bem que a gente gravou nosso primeiro disco e eu era ainda um aprendiz do instrumento. Um dia eu li o diário dele e ele meteu, em inglês, um: “I Hate Those Guitars” [eu odeio o som daquelas guitarras]. Mas era o que eu tinha para dar, então eu queria ter perguntado pra ele: “Mas como?”. Depois, eu sei que ele começou a curtir e a gente virou essa banda que é a Legião Urbana.Bonfá. Eu não lembro de nada que poderia ter falada e nem ouvido dele. A gente se afastou depois que o Renato faleceu e eu precisei desenvolver várias coisas neste meio tempo. Comecei a cantar e a enveredar por todas as áreas da produção. As coisas mudaram muito e estar na estrada hoje é diferente porque a gente tem todo esse conhecimento de vida. Hoje eu posso falar: ‘Cara, só não vale sofrer, pode amor, pode tudo, mas não vai sofrer’.