Bölümler

  • O mais grave atentado contra o Estado democrático de direito no Brasil tem consequências criminais e políticas. Na esteira da invasão às sedes dos Três Poderes, um governador foi afastado, um ex-ministro está preso e mais de 650 pessoas foram denunciadas – entre elas políticos, policiais e financiadores. Para fazer o balanço deste último mês, Natuza Nery recebe dois convidados: a jornalista Camila Bomfim, apresentadora do Conexão GloboNews, e Oscar Vilhena, professor de Direito Constitucional da FGV-SP e integrante da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns. Neste episódio:

    - Camila identifica as quatro frentes de investigação da Polícia Federal: a busca pela identificação de incitadores e executores; policiais militares omissos; mentores intelectuais e políticos; financiadores.

    - Ela descreve como os agentes estão atuando para identificar os envolvidos, e conclui como o “núcleo político vai ser bem maior", no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está na lista de investigados;

    - Oscar analisa de que modo a legislação brasileira pode enquadrar os golpistas e como a PEC apresentada pelo ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), atende as demandas do pós 8 de janeiro – a exemplo da “feliz troca” da Força Nacional de Segurança para uma Guarda Nacional;

    - E explica como os ministros do Supremo avaliam a concentração de processos no gabinete de Alexandre de Moraes: avaliam desmembrar e distribuir os casos aos juízes da vara criminal do DF ou levar a julgamento em plenário.

  • Um tremor devastador de magnitude 7,8 deixou milhares de mortos e feridos nos dois países nesta segunda-feira (6). A região mais atingida é a fronteira, onde está concentrado um grande número de refugiados da guerra civil na Síria. A situação é agravada por um inverno rigoroso e pela falta de infraestrutura, destruída depois de mais de uma década de conflito. Para entender como esse terremoto agrava a situação de refugiados, Natuza Nery conversa com Guga Chacra, correspondente da Globo em Nova York e colunista do Jornal O Globo. Neste episódio:

    - Guga explica que a ajuda humanitária externa deve vir de todos os lados. Pelo lado turco, o governo tem condições de acolher a população afetada. Mas do outro lado da fronteira, o “catastrófico empobrecimento da Síria” deixa milhares sem o cuidado adequado;

    - Analisa de que modo o presidente turco Recep Tayyip Erdogan pode capitalizar em cima da tragédia, e suas chances de vitória nas eleições que ocorrem neste ano – ele é favorito e tende a “não jogar limpo” com a oposição;

    - Relembra o histórico da Guerra da Síria, que já levou a mais de 5 milhões de refugiados no mundo, e descreve a situação atual do conflito.

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  • Treinado com textos feitos por humanos, o chat criado pela empresa OpenAI foi lançado em novembro de 2022 e atingiu 100 milhões de usuários em apenas 2 meses. "Funciona como uma rede neural artificial treinada por linguagem”, como define o próprio ChatGPT, respondendo a uma pergunta da produção de O Assunto. Para entender como essa inteligência artificial funciona, seus mecanismos e suas deficiências, Natuza Nery conversa com Nina da Hora. Cientista da computação, Nina é pesquisadora e especialista em Inteligência Artificial e Cibersegurança no Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas. Neste episódio:

    Nina explica o mecanismo por trás do ChatGPT – e como em poucos segundos ele cumpre comandos como “escrever um discurso presidencial como se fosse um rapper” ou “escrever uma mensagem motivacional”;

    Define que o robô do momento produz “uma colagem de várias informações que ele conseguiu aprender em determinado período e ele compartilha como se fosse algo criado independente do cérebro humano”;

    Natuza e Nina discutem os riscos de descumprimento de direitos autorais da ferramenta, além da disseminação de informação não verificada e de notícias falsas;

    E Nina aponta como o setor de Inteligência Artificial tem como desafio desenvolver sistemas de maior impacto social: “a tecnologia precisa estar alinhada com a sociedade", diz. E cita o exemplo de robôs que já conseguem ajudar na identificação de pessoas com mais risco de ter câncer de pele.

  • No momento em que o conflito chega a um novo momento decisivo, Volodymyr Zelensky reassegurou o apoio de seus aliados ocidentais. Diante de mais uma ofensiva russa, Kiev recebe nesta sexta-feira (3) uma cúpula com a presença de líderes europeus, um movimento de “renovação de votos” em favor da Ucrânia. Mais importante ainda é a decisão de Joe Biden e Olaf Scholz de enviar mais tanques e munição para abastecer o exército ucraniano – o que, de acordo com Vladimir Putin, configura interferência externa e pode levar o conflito “a outro nível”. Para contextualizar o momento da guerra, Natuza Nery conversa com Tanguy Baghdadi, professor de relações internacionais da Universidade Veiga de Almeida e fundador do podcast Petit Journal. Neste episódio:

    - Tanguy explica por que este é um momento de “agora ou nunca” no conflito: com as recentes vitórias russas no leste ucraniano, Moscou pode tomar o controle de novos territórios;

    - Ele avalia como “muito sério para a imagem ucraniana” o conjunto de denúncias de corrupção no coração do governo de Zelensky;

    - O professor também comenta a recusa de Lula (PT) em enviar à Ucrânia munições brasileiras. “É uma questão de coerência”, afirma, em relação à longa “tradição de neutralidade em relação a conflitos”.

  • Logo depois de tomar posse neste 2 de fevereiro, parlamentares votaram para eleger os comandantes das duas Casas Legislativas. No Senado, Rodrigo Pacheco (PSD) conquistou 49 votos e derrotou o ex-ministro bolsonarista Rogério Marinho. Na Câmara, Arthur Lira (PP) bateu um recorde e recebeu 464 dos 513 votos possíveis. Mantidos em suas cadeiras, ambos fizeram discursos exaltando a democracia, marcando a reação aos atos terroristas de 8 de janeiro. Nesta conversa, gravada na antessala do gabinete de Arthur Lira, Natuza Nery recebe Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Neste episódio:

    - Bernardo explica como Pacheco e Lira – que enfrentaram disputas em contextos diferentes – mandaram “recados” ao STF em seus discursos pós-vitória;

    - Diz que a vitória de Pacheco é uma boa notícia para o Planalto, que nos últimos dias estava “assustado com a hipótese de virada” de Rogério Marinho, para quem Bolsonaro fez campanha: “uma virada criaria um problema enorme para a governabilidade”;

    - Avalia como a eleição do Senado era importante para a defesa da democracia, já que “[Rogério] Marinho era a grande aposta do bolsonarismo para se reagrupar depois do 8 de janeiro”, e lembra como o ex-presidente Bolsonaro fez campanha para seu ex-ministro;

    - E analisa o que a vitória superlativa de Lira significa para o futuro do governo Lula: “Lira sai mais forte do que estava na véspera”, mas pondera que é preciso "ver se esse acordo vai valer para os próximos dois anos”.

  • Datam da década de 1980 os primeiros sinais da presença de garimpeiros ilegais na região onde historicamente vive a etnia. Quando o então presidente Fernando Collor assinou a demarcação da Terra Indígena, em novembro de 1991, estima-se que o garimpo tivesse cerca de 40 mil pessoas em atividade. Aquele foi o início de um bem-sucedido processo de desintrução: liderada pela Funai e pela Polícia Federal, a operação Selva Livre expulsou os garimpeiros e desobstruiu os rios que abastecem as aldeias com água e peixes. O presidente da Funai à época era Sydney Possuelo, um dos principais indigenistas do país - ele relata a Natuza Nery as ações que liberaram o território da atividade criminosa. Natuza conversa também com a jornalista Sônia Bridi, que acompanhou in loco a comitiva do governo que decretou estado de emergência para levar comida e resgatar indígenas doentes. Neste episódio:

    - Sônia recorda o que viu ao ir à região do garimpo em terras Yanomami: cenário de destruição, pessoas com fome, crianças muito abaixo do peso, muitos contaminados com malária. “E os relatos mais horríveis que você pode imaginar”, reforça;

    - Ela também conta a história por trás da imagem na qual está segurando um bebê no colo – uma ação de emergência para evitar que as crianças morressem;

    - Sydney compara a situação do garimpo ilegal de 1992 e a de agora. E conta como agiu a operação Selva Livre: fechamento do espaço aéreo e dos rios, ação de tropa em campo e corte no abastecimento de alimentação e combustível dos garimpeiros. “Não vejo maiores problemas em fazer isso”;

    - O indigenista pondera que, embora o contingente atual de garimpeiros seja metade daquele enfrentado em 92, eles são “mais eficazes na destruição ambiental”. Ele também questiona sobre a presença do crime organizado e do narcotráfico na região;

    - E conclui, sobre a urgência da interferência das Forças Armadas em prol dos yanomamis: “Se a gente fala em guerra, uma guerra não avisa quando chega. Basta uma ação rápida”.

  • Nos bastidores do Congresso, dois cenários distintos definem o clima da véspera de eleição para a presidência das casas. Na Câmara, Arthur Lira (PP) tem a expectativa de chegar a quase 500 votos a favor de sua reeleição – um bloco muito heterogêneo que vai de PT a PL. No Senado, Rodrigo Pacheco (PSD) segue favorito a mais um mandato, mas o bolsonarista Rogério Marinho (PL) avança na construção de uma candidatura competitiva. Para explicar e desvendar o que deve acontecer nesta quarta-feira (1º), Natuza Nery recebe o jornalista Paulo Celso Pereira, editor-executivo do jornal O Globo. Neste episódio:

    - Paulo Celso explica por que a eleição dos presidentes das casas legislativas “é fundamental para definir o andamento do governo Lula”;

    - Ele recorda os “traumas do PT” nas eleições da Câmara em 2005 e 2015 e diz por que isso foi importante no apoio imediato do partido a Lira – e como o Centrão deve tirar proveito da situação;

    - E descreve as diferenças entre o espírito “ideológico” do Senado em contraste com o “fisiológico” da Câmara - o que significa, para o governo petista, a necessidade de garantir a vitória de Pacheco para evitar a oposição sistemática da casa;

    - O jornalista conclui que, uma vez que o Congresso eleito é “bastante conservador”, será difícil para Lula aprovar uma agenda progressista, embora tenha apoio quase consensual nas pautas reformistas.

  • Um alerta ao vivo para milhões de brasileiros chamou a atenção para um relacionamento dentro do BBB. O apresentador Tadeu Schimidt falou sobre “limites gravemente ultrapassados” dentro de uma relação - limites esses que milhões de mulheres sentem rompidos diariamente, vítimas de violência de gênero, seja ela psicológica, patrimonial ou física. Para falar sobre o funcionamento dos ciclos de abuso e alertar sobre seus sinais, Natuza Nery recebe a psicóloga e psicanalista Natalia Marques, mestre em psicologia da saúde. Neste episódio:

    - Natalia define o que é um relacionamento abusivo, explica que vai muito além de eventos de agressões físicas, e informa que sinais podem indicar uma relação inadequada: “A manipulação pode ser sutil”;

    - Ela afirma que “não há um perfil traçado” para identificar o agressor. Destaca também que qualquer mulher, independentemente do nível de educação formal ou renda, pode ser submetida à violência de gênero;

    - A psicóloga descreve as ações mais adequadas para conseguir sair de um relacionamento abusivo: “A relação não acaba no momento em que termina”.

  • Acusado de cometer estupro contra uma jovem de 23 anos dentro de uma boate em Barcelona, o atleta brasileiro completa uma semana de detenção. A Justiça espanhola agiu rápido para coletar provas e testemunhos sobre o caso – resultado de uma lei recém aplicada no país, que prevê atendimento imediato às vítimas de abuso sexual. Natuza Nery conversa com a jornalista Renata Mendonça, comentarista do Sportv que acompanha o caso Daniel Alves desde o início, e com a advogada Marina Ganzarolli, presidente do Me Too Brasil, iniciativa de enfrentamento à violência sexual. Neste episódio:

    - Renata recorda o que aconteceu imediatamente após o suposto estupro: “A vítima foi acolhida dentro da boate e foi levada a um hospital”;

    - A jornalista fala também sobre como o futebol é um ambiente tomado pela “cultura naturalizada do estupro” e conta episódios de assédio que viu ao longo da carreira;

    - Marina explica por que este caso teve uma resposta tão rápida da justiça: depois do caso “La Manada”, que chocou a Espanha, foram instituídas a campanha e a lei “Solo sí es sí”, de proteção sexual à mulher;

    - Ela compara as medidas de proteção à mulher no Brasil e na Espanha, e cita as leis do Minuto Seguinte e de Importunação Sexual: “O que nos falta é garantir que o protocolo que já existe seja aplicado”.

  • Em seu primeiro discurso como presidente eleito, Lula (PT) revelou que a América Latina seria a prioridade nas relações internacionais durante seu terceiro mandato. Empossado, sua primeira viagem internacional foi à Argentina – seguida imediatamente pelo Uruguai – onde reforçou o compromisso com o Mercosul e apresentou um projeto conjunto com o governo da Casa Rosada para estudar a viabilidade de uma nova moeda, dedicada às transações bilaterais entre os dois países. Para explicar o que isso significa, Natuza Nery conversa com a economista Monica de Bolle, professora e pesquisadora de estudos latino-americanos e mercados emergentes da Universidade Johns Hopkins. Neste episódio:

    - Monica descreve as funcionalidades de uma moeda regular (como o Real e o Peso), e o que as difere do projeto de moeda que seria usada para transações comerciais;

    - Analisa o papel de liderança que o Brasil quer assumir na construção de um grande bloco comercial na América Latina: “Para nos inserirmos nos debates e negociações internacionais, precisamos ter coesão regional”;

    - Avalia a função do dólar como principal moeda da economia global, e diz por que ganha corpo a avaliação de que ele “não deve ter a escala que tem”.

  • Não começou em 2018, com a eleição à Presidência da República, a saga de Jair Bolsonaro (PL) pró-garimpo em terras indígenas. No ano de 1998, em pronunciamento na Câmara dos Deputados, onde era parlamentar, sugeriu “dizimar” os povos indígenas. Duas décadas depois, instalado no Palácio do Planalto, Bolsonaro liderou o desmonte das políticas públicas dedicadas a esta parcela da população brasileira e instigou a proliferação de garimpeiros ilegais em terras demarcadas. No centro do ataque está a maior delas, a Terra Indígena Yanomami, onde centenas sofrem com malária e desnutrição - tragédia humanitária que pode incriminar o ex-presidente por genocídio. Para explicar as ações e omissões do Governo Federal no caso da etnia Yanomami, Natuza Nery conversa com a advogada Juliana de Paula Batista, assessora jurídica do Instituto Socioambiental, e Eloísa Machado, professora de direito constituição na FGV-SP e uma das advogadas que atuam na denúncia contra Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional. Neste episódio:

    - Juliana lista as decisões da Justiça que obrigavam o Governo Federal a empregar medidas de proteção aos yanomamis: “Nada, ou quase nada, foi feito”, resume;

    - Ela descreve as responsabilidades do Ministério da Justiça, do Ministério do Meio Ambiente e do Exército na série de malfeitos que resultou na “explosão de garimpos” e suas consequências na saúde pública indígena;

    - Eloísa relaciona a “política anti-indígena” adotada na gestão Bolsonaro às denúncias de genocídio: “Tudo isso junto mostra intenção de destruir esse grupo”;

    - Ela explica a quais indiciamentos o ex-presidente pode responder no Tribunal Penal Internacional e o recente inquérito pedido pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, à Polícia Federal.

  • Entre 2019 e 2022, durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL), pelo menos 570 crianças yanomami morreram de causas evitáveis — um aumento de quase 30% em relação aos 4 anos anteriores. Uma crise humanitária que envolve garimpo ilegal, desnutrição, epidemia de malária, falta de remédios e ausência total do Estado. Para dimensionar as perdas humanas e explicar a sucessão de decisões política que configura aquilo que o ministro da Justiça, Flávio Dino, afirma ser “forte materialidade de genocídio”, Natuza Nery conversa com André Siqueira, médico da Fundação Oswaldo Cruz e enviado do Ministério da Saúde à região, e Dario Kopenawa, vice-presidente da Associação Hutukara Yanomami. Neste episódio:

    - André relata as “condições angustiantes e bastante graves” as quais os indígenas estavam submetidos quando chegou à Terra Indígena: “É comovente, é uma dor coletiva”;

    - O médico aponta os fatores que contribuíram para a emergência sanitária: faltou suporte dos órgãos de Estado no diagnóstico de doenças e na assistência nutricional;

    - Dario acusa o governo Bolsonaro de ser aliado de empresários do garimpo ilegal e de saber desde o primeiro ano de mandato da situação do povo Yanomami: “Ele não tinha interesse em cumprir o seu papel como presidente da República”;

    - Sobre as trágicas imagens de crianças e idosos subnutridos que correram o mundo, o líder indígena explica por que na cultura de seu povo é proibido tirar fotos de quem está doente: “A fotografia também pega a alma da pessoa”.

  • Durante cerca de dois meses, grupos golpistas se concentraram em frente a quartéis do Exército pelo país clamando por intervenção verde-oliva – o que, de acordo com a Constituição Federal, é crime. Não houve qualquer repressão. Pelo contrário, os grupos foram protegidos pelos oficiais militares, inclusive durante o ataque terrorista contra os prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro. O ministro da Defesa, José Múcio, balançou no cargo e o presidente Lula (PT) prometeu punição “não importa a patente”. Depois que a temperatura subiu entre o Alto Comando e o governo federal, uma reunião na última sexta-feira (20) aparentemente apagou o incêndio. Para entender esse cenário de alta instabilidade, Natuza Nery recebe o antropólogo Piero Leirner, professor titular da Universidade Federal de São Carlos, que pesquisa as Forças Armadas há mais de três décadas. Neste episódio:

    - Leirner esclarece que muitos daqueles que acamparam em quartéis integram a “Família Militar” e agem sob o “controle coletivo da instituição”;
    - Ele recorda que a construção da candidatura de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência começou em 2014, “no interior da instituição militar” antes de ganhar densidade e se consolidar;
    - O antropólogo descreve o modus operandi das Forças Armadas para impor suas “pautas corporativas” a outras instituições de Estado: “além da politização da caserna, é uma militarização da política”;
    - Por fim, ele diz acreditar que, entre governo e militares, “a reconciliação já está feita” - e explica os porquês.

  • Surpresa e incredulidade tomaram o mercado assim que o recém-empossado presidente da gigante varejista anunciou “inconsistências contábeis” da ordem de R$ 20 bilhões. Seria o maior tombo já registrado pela empresa que nasceu como uma lojinha de rua em Niterói, em 1929, e convertida em uma companhia com mais de 40 mil funcionários, sob o controle acionário da 3G Capital, dos bilionários brasileiros Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles. Ficaria ainda pior: a dívida revisada chega aos R$ 43 bilhões e a Americanas agora está em recuperação judicial. Neste episódio, Natuza Nery entrevista a jornalista Mariana Barbosa, editora da coluna “Capital” do jornal O Globo.
    - Mariana descreve a prática irregular na contabilidade da empresa que configurou a “fraude” que elevou a dívida de R$ 8 bilhões para mais de R$ 40 bilhões;
    - Explica o que é uma recuperação judicial e quais as consequências para a Americanas e para os fornecedores – e o que significa a forte reação do banco BTG Pactual;
    - E aponta os possíveis próximos capítulos: perda para pequenos investidores, venda de ativos de alto valor e muitas demissões.

  • Na manhã desta quarta-feira (18), o presidente Lula (PT) recebeu Natuza Nery e a equipe da GloboNews no Palácio do Planalto e concedeu sua primeira entrevista exclusiva desde que assumiu a Presidência da República pela terceira vez. Lula falou sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, a relação do Executivo com as Forças Armadas, o agrupamento internacional de forças para frear a extrema-direita, as negociações com o novo Congresso eleito e as prioridades do Orçamento federal. Neste episódio especial de O Assunto:

    - O presidente recorda como foi informado sobre os ataques aos Três Poderes em Brasília e o passo a passo da reação: “Fiquei com a impressão de que era o começo de um golpe de Estado”;

    - Recusa o tom de “caça às bruxas” contra as forças de segurança, mas diz ter “mágoa” da negligência: “Minha inteligência não existiu”. O presidente, agora, promete punição;

    - Conta que chamou os comandantes das Forças Armadas para uma conversa e fala sobre “despolitizar” as corporações militares;

    - Lista as lideranças globais com quem já falou sobre a necessidade de formar uma “unidade” para barrar o “ressurgimento do nazismo e do fascismo”;

    - Destaca suas discordâncias em relação ao teto de gastos e à independência do Banco Central, mas reforça seu compromisso com a agenda fiscal: “É preciso que haja uma contrapartida social. Nós queremos uma sociedade de classe média”;

    - Reforça a necessidade de realizar a reforma tributária com a promessa de campanha de isentar salários de até R$ 5 mil no Imposto de Renda. E diz estar otimista em formar maioria no Congresso para aprovar a proposta.

  • Dois anos depois do ataque ao Capitólio, nos EUA, o mundo voltou a ver um ato de terrorismo contra os poderes constituídos de uma democracia. Dessa vez, o palco do movimento de extrema-direita foi Brasília, e o Brasil entrou no centro da pauta de lideranças globais e de instituições multilaterais – que, unânimes, condenaram os atos de golpismo e reforçaram apoio à democracia brasileira. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o analista político Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV-SP e colunista do Estadão.
    - Oliver diz que, à luz dos ataques ao Capitólio e aos três Poderes em Brasília, analistas internacionais observam o risco de “uma onda de vandalismo contra parlamentos” nas principais democracias do mundo;
    - O analista político explica por que o “medo do contágio global” da erosão democrática coloca o Brasil em evidência e destaca a importância de uma “punição exemplar, rápida e visível” aos olhos da comunidade internacional;
    - Ele também destaca como “o apoio internacional à democracia” foi fundamental para pautar a atuação das Forças Armadas na crise do golpismo de 8 de janeiro.

  • A queda do sigilo nos dados do cartão corporativo da Presidência da República durante os 4 anos de mandato de Jair Bolsonaro (PL) escancarou um gasto superior a R$ 27 milhões. Na fatura revelada pelo Planalto estão despesas superlativas em hospedagem de luxo (R$ 13,6 milhões ao todo) e na compra de marmitas (R$ 109 mil pagos a apenas uma lanchonete em Boa Vista, Roraima) e de sorvetes (mais de R$ 8 mil em um único dia). Para explicar as funções e as responsabilidades no uso do cartão corporativo, Natuza Nery conversa com Leopoldo Ribeiro, professor de orçamento e finanças públicas da Escola de Políticas Públicas e Governo da FGV-Brasília, e com o jornalista Luiz Fernando Toledo, cofundador da agência independente de jornalismo de dados Fiquem Sabendo. Neste episódio:

    - Leopoldo recorda a criação do dispositivo em 2002 e seu objetivo de dar “mais flexibilidade, agilidade e eficiência à administração pública”;
    - Ele detalha também a quais agentes da máquina pública é permitido o uso do cartão e sob quais regras: “o mais importante é que seja transparente”, diz;
    - Luiz Fernando explica por que a lei permite que todas as informações que ponham em risco a segurança do presidente - por exemplo, os gastos com hospedagem e alimentação - fiquem em sigilo durante todo o mandato;
    - O jornalista demonstra surpresa diante da discrepância nos números divulgados pelo governo federal e pelo Portal da Transparência: “são gastos só do presidente? Ainda não sabemos”.

  • Os últimos meses registram o crescimento da onda golpista em reação ao resultado das urnas em outubro de 2022. A reação democrática se deu em manifestações de ruas, no discurso de autoridades e nas centenas de cartas e notas publicadas por instituições de Estado e da sociedade civil. Na agenda oficial, somam-se ações do Legislativo, do Judiciário e dos ministérios recém-empossados pelo novo governo federal. Para avaliar o que efetivamente pode ser feito nos próximos anos pelos Poderes em favor da ordem democrática, Natuza Nery entrevista Beto Vasconcelos, ex-secretário nacional de Justiça e professor no Insper no curso de Governança e Compliance. Neste episódio:

    - Beto avalia os riscos e cuidados associados à reformulação da legislação sobre terrorismo, assim como de uma procuradoria recém-criada pela Advocacia Geral da União e que foi alvo de críticas;

    - Analisa o papel que uma Comissão Parlamentar de Inquérito pode desempenhar na investigação dos atos criminosos do dia 8 de janeiro, somada a outras iniciativas como uma nova Comissão Nacional da Verdade;

    - Pondera os desequilíbrios que levaram ao protagonismo do Judiciário nos últimos anos desta missão.

  • Em 2019, após completar 100 dias de mandato, Jair Bolsonaro extinguiu todos os conselhos, comissões e comitês que não tenham sido criados em lei – o equivalente a 75% dos órgãos participativos mais importantes do país. Ao assumir o Planalto, a atual gestão promete reverter essa política ao assinar decreto que remove impedimentos à participação social e anunciar a retomada de organizações de diálogo com a sociedade civil. Para analisar o que muda sob o comando de Lula, Natuza Nery entrevista a cientista política Carla Bezerra, pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole, da USP, e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que assessorou o Conselho de Participação Social do Gabinete de Transição. Neste episódio:
    - Carla explica como a Constituição Federal define a participação do povo nas tomadas de decisão do Estado, e quais são os “mecanismos e princípios gerais de políticas públicas” para tal;
    - Ela, que trabalhou na produção de um levantamento sobre o impacto dos decretos de Bolsonaro, fala sobre as consequências da perda de poder dos comitês e comissões nas políticas públicas brasileiras – especialmente no Meio Ambiente e nos Direitos Humanos;
    - A cientista política analisa também a relação entre novos formatos de participação da sociedade civil – inclusive a partir da nomeação de novas ministras como Anielle Franco (Igualdade Racial) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas – e as pressões pela governabilidade do Executivo diante do Legislativo.

  • Ainda sob o impacto do atentado contra a democracia que tomou de assalto as sedes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em Brasília, os líderes dos três Poderes agem para evitar mais ataques. E nesta quarta-feira a temperatura voltou a subir: diante da convocação para um novo ato terrorista nas redes sociais, a autoridade de intervenção federal ordenou a interdição da Esplanada dos Ministérios e o reforço da segurança pública. Neste episódio, Natuza Nery recebe o jornalista Thomas Traumann, colunista da revista Veja e do Poder 360, para analisar a reação das instituições diante da ameaça golpista:
    - Thomas avalia que as forças de segurança “passaram no teste da índole legalista” desta quarta-feira, ao contrário da postura “leniente à violência” vista no domingo;
    - Natuza e Thomas descrevem o papel do ministro da Defesa, José Múcio, na interlocução com os comandantes das Forças Armadas – e revelam os bastidores do encontro dos ex-ministros da pasta em prol da manutenção de Múcio no cargo;
    - Os jornalistas debatem os objetivos dos atos golpistas. Para Thomas, “eles sabiam que não eram capazes de dar um golpe de Estado, mas achavam que poderiam impedir o governo de funcionar” pela via do caos.