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  • A estratégia de aplicar diferentes imunizantes contra a covid na mesma pessoa tem sido usada em países como EUA, Canadá, Alemanha, Israel e Coreia do Sul. Estudos preliminares indicam que, a depender da combinação, a resposta imune cresce. E até “dilui o risco de eventos adversos”, explica o professor Edecio Cunha-Neto, chefe do Laboratório de Imunologia Clínica e Alergia da Universidade de São Paulo. No Brasil, a prática passou a ser adotada por necessidade, em resposta a um apagão de Astrazeneca no início de setembro. Em estados como São Paulo, quem estava com a segunda dose pendente completará o esquema vacinal tomando Pfizer. A repórter da TV Globo Mariana Aldano conta como a população reagiu nos postos: de início teve dúvidas, mas logo entendeu a eficácia do arranjo e, principalmente, a importância de tomar as duas doses. Mariana mostra também como, mais uma vez, os governos federal e paulista se desentendem sobre como administrar a campanha de vacinação. E Edecio opina sobre outro ponto de discórdia: a ciência, ele afirma, dá razão aos que recomendam evitar a Coronavac como 3ª dose (o reforço) para os mais idosos, ao contrário do que prega a gestão Doria.

  • Enquanto o governo busca espaço no Orçamento para chegar ao ano da eleição com uma versão turbinada do programa, na vida real cerca de 1,2 milhão de famílias aptas a receber o benefício seguem desassistidas. Um drama que se desenrola em meio ao aumento da pobreza no país, prestes a se agravar com o fim do auxílio emergencial da pandemia, explica Fernanda Trisotto, repórter do jornal O Globo. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa também com a socióloga Marta Arretche, professora titular da USP e pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole. Ela mostra como o Bolsa Família, embora visto como ativo eleitoral pelos políticos, é vulnerável a cortes e roda hoje em patamares muito inferiores aos do passado. “O programa é pouco protegido contra estratégias silenciosas de retração”, ao contrário do que acontece, por exemplo, com o Benefício de Prestação Continuada, inscrito na Constituição. “Seu tamanho depende da disposição do governo de plantão”. Marta não acredita que a solução seja “constitucionalizar” o Bolsa Família, mas defende clareza e respeito a critérios de elegibilidade e fontes mais estáveis de financiamento.

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  • O golpismo escancarado do presidente da República no 7 de Setembro provocou palavras duras de autoridades importantes, mas, apenas dois dias depois, a temperatura baixou, e a perspectiva de alguma consequência concreta desapareceu, por obra de uma operação de socorro capitaneada por ninguém menos do que Michel Temer. “A turma do deixa-disso barrou o impeachment", resume o sociólogo Celso Rocha de Barros, colunista da Folha de S. Paulo. Ele reconhece que o impedimento de Jair Bolsonaro via Congresso nunca foi cenário provável, mas avalia que o crime de responsabilidade enunciado com todas as letras na avenida Paulista colocou as coisas em outro patamar. E, como o presidente continua “sem a menor intenção” de mudar, pretendendo de fato "melar a eleição" de 2022, a sustentabilidade do arranjo endossado por boa parte do establishment político ainda está por ser demonstrada. Na conversa com Renata Lo Prete, Celso também analisa os protestos do fim de semana passado, capitaneados por ex-apoiadores de Bolsonaro como MBL e Vem pra Rua, e as dificuldades de construção de uma Frente Ampla. E lembra que, enquanto o país segue em suspense na trama do golpe, “não está nem por um segundo” se debruçando sobre seus graves problemas reais.

  • A escalada dos preços foi sentida primeiro e não parou mais: a taxa acumulada em 12 meses vai se aproximando dos dois dígitos. Recentemente, somaram-se a isso sinais de que a retomada da atividade patina: o PIB ficou negativo no segundo trimestre. “Não chega a ser recessão, mas praticamente não tem crescimento; e, apesar disso, a inflação está muito elevada”. Assim a economista Silvia Matos, do Ibre-FGV, define o quadro de estagflação que, em seu entender, já se configura no Brasil. Como em outros países, parte do problema se deve à pandemia, mas ela aponta pelo menos dois diferenciais: desvalorização da moeda local muito além da média e acentuada instabilidade política. “O governo contribui para a depreciação cambial”, diz. Embora reconheça o efeito perverso sobre a atividade, Silvia não vê alternativa ao aumento dos juros promovido pelo Banco Central, que tenta ser “bombeiro” enquanto o Planalto “joga gasolina” na inflação. Para abrir espaço no Orçamento aos programas sociais, ainda mais urgentes diante da corrosão da renda das famílias, ela defende o enfrentamento de algumas perguntas inconvenientes. “Precisamos de R$ 35 bilhões para emendas parlamentares?” ou de tantos “benefícios fiscais ineficientes?”.

  • Por dois meses, o presidente da República insuflou a mobilização de caminhoneiros para o 7 de Setembro. No dia seguinte, o país viu rodovias bloqueadas e, com elas, o fantasma da grande paralisação da categoria em 2018. E daí Jair Bolsonaro teve que “desarmar a bomba que ele próprio armou”, diz Valdo Cruz. O colunista do G1 e comentarista da GloboNews se refere à mensagem de áudio que o presidente enviou, para espanto desses apoiadores, pedindo que liberassem as estradas. Para desativar outra bomba - a da ofensiva contra o Supremo - foi chamado ninguém menos do que o ex-presidente Michel Temer, completando o dia de ressaca do golpismo. Neste episódio, Valdo narra e analisa o bastidor desses eventos, enquanto o economista Claudio Frischtak explica por que a perspectiva de caminhões parados assusta, em especial diante da atividade já fraca e da inflação em alta. Ele observa que desta vez o movimento - estimulado por empresários bolsonaristas - tem demandas "predominantemente políticas". E que, se não for controlado, "todos nós perderemos".

  • Os atentados fundadores do século 21 produziram alguns de seus efeitos mais duradouros bem longe dos Estados Unidos, onde aconteceram. Para discuti-los, Renata Lo Prete recebe neste episódio o jornalista da TV Globo Marcos Uchôa, que ao longo dessas duas décadas visitou 22 países do mundo islâmico. O primeiro foi aquele em que a chamada guerra ao terror começou e do qual os americanos só agora se retiraram. Ele conta que nunca, em sua trajetória profissional, sentiu tanto medo quanto no Afeganistão. E que, ao mesmo tempo, se lembra de saraus vespertinos "para conversar sobre poemas de 800 anos com idosos, mulheres e crianças". A alternância de análise política e memórias do cotidiano das pessoas que encontrou dá o tom do depoimento de Uchôa sobre suas passagens por lugares como Iraque, Tunísia e Síria. Prestes a lançar uma série no GloboPlay com esse rico material, ele conclui que, duas décadas depois, a questão do terrorismo está longe de ser resolvida. “A vitória do Talibã traz a mensagem de que a violência funciona”, diz.

  • O 7 de Setembro não trouxe ruptura, mas deixou claro que o presidente continuará dobrando a aposta na depredação institucional para se manter na cadeira. Ao discursar em dois dos eventos que convocou para a data, ele escalou mais um degrau, declarando abertamente que não pretende respeitar decisões do Supremo (no momento, as do ministro Alexandre de Moraes) e do Congresso (que já enterrou o voto impresso, ressuscitado por Bolsonaro na pregação desta terça). “Uma reação para tentar sair do cerco”, resume Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da Rádio CBN. Ela se refere tanto à ausência de respostas do governo para as crises econômica e social quanto ao avanço de investigações que vão das fake news às rachadinhas da família presidencial, passando pelas suspeitas de corrupção na compra de vacinas. “Bolsonaro pode estar fraco para se reeleger", mas tem ainda um dispositivo para "dar cara de povo a seu golpismo", diz a jornalista, que esteve no ato da avenida Paulista. Na conversa com Renata Lo Prete, Maria Cristina prevê que os ataques a Moraes acabem por “unir ainda mais” os ministros do Supremo. Quanto ao Congresso, embora a palavra impeachment tenha voltado a ser pronunciada, tudo continua a depender do grande ausente neste 7 de Setembro: o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

  • Segundo o último dado oficial disponível, são cerca de 3 milhões de pessoas que, como Maria Helena Ferreira da Silva, chegam à vida adulta (e eventualmente à idade avançada) sem certidão de nascimento. No caso da agricultora de 70 anos, que vive no interior do Paraná, a carência virou barreira na hora de se vacinar contra a Covid-19. No posto, recomendaram-lhe que se conformasse em ficar sem o imunizante, “porque o governo nem sabia que eu existia”. Ela só veio a receber a primeira dose meses depois, por ação da Defensoria Pública, e agora está perto de conseguir a tão sonhada certidão de nascimento. “A gente fica envergonhado, né?” O relato feito por Maria Helena ao podcast introduz a conversa de Renata Lo Prete com Fernanda da Escóssia, autora do recém-lançado livro "Invisíveis - Uma Etnografia sobre Brasileiros sem Documento", fruto da tese de doutorado da jornalista na Fundação Getúlio Vargas. Ela explica o papel fundador desse registro e o efeito bola de neve que a ausência dele provoca: vai ficando mais difícil obter outros documentos e, com o passar dos anos, limitações muitos concretas se apresentam, notadamente no acesso aos serviços públicos de educação e saúde. Editora na revista Piauí, com longas passagens pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo, Fernanda se interessa há quase duas décadas por um fenômeno que descreve como “transversal”, porque ligado a múltiplos fatores, como miséria e desestruturação familiar. Em sua pesquisa e nesta entrevista, ela conta histórias de pessoas que conheceu no momento em que buscavam o registro de nascimento e reencontrou tempos depois -- quando haviam resgatado direitos, cidadania e às vezes o próprio "fio da vida".

  • O problema tem escala global. A ONU estima que, nos últimos 20 anos, mais de 1,5 bilhão de pessoas entraram em situação de “insegurança hídrica”. E o Brasil, a despeito de sua riqueza natural, é duramente atingido. A escassez crescente de chuvas, associada a queimadas e desmatamento, se traduz em “quase 16% da cobertura de água perdida nos últimos 35 anos”, informa Sônia Bridi, repórter especial do Fantástico. Em conversa com Renata Lo Prete, ela conta o que viu em suas viagens pelo país: um Pantanal 60% mais seco, um rio Paraguai que se pode cruzar a pé, ribeirinhos sem peixes para pescar e agricultores com a colheita reduzida. “São dramas humanos e da natureza, cujos reflexos se espalham até muito longe dali”. Além do Brasil, África, Austrália e China convivem com a ameaça de estiagens mais longas -ou até crônicas- conforme sobe a temperatura do planeta. Participa também do episódio Gilberto Câmara, ex-diretor do Inpe e integrante do conselho consultivo do último relatório da ONU para a redução de riscos e desastres. Ele explica os modelos científicos que embasam as recomendações das Nações Unidas. “A palavra-chave é adaptação”, diz. “Nosso planejamento precisa contemplar ações de adaptação às crises”.

  • Com a autorização da Justiça para quebra dos sigilos fiscal e bancário de Carlos Bolsonaro, o Ministério Público do Rio de Janeiro terá instrumentos para apurar se, além dos indícios de manutenção de fantasmas, o mandato do vereador envolveu outra prática associada a seu irmão mais velho, o senador Flavio, quando deputado estadual: o recolhimento de parte do salário dos funcionários, mais conhecido como rachadinha. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Juliana Castro, da plataforma Jota, que dois anos atrás participou, como repórter de O Globo, da investigação jornalística que deu origem à ação do MP. Ela descreve a teia de familiares, agregados e conhecidos do clã presidencial espalhada pelos diferentes gabinetes dos Bolsonaro - inclusive o de Jair na Câmara. E explica o papel de destaque desempenhado por Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente e chefe de gabinete de Carlos de 2001 a 2008. Participa também do episódio Octávio Guedes, colunista do G1 e comentarista da GloboNews, que lança a seguinte pergunta: “Quem ensinou Flávio e Carlos a fazer rachadinha?" Ele analisa o que há de semelhante no modus operandi dos gabinetes da família e, ao mesmo tempo, por que Carlos é "tormenta maior no planeta Bolsonaro": mais próximo do pai que qualquer um dos irmãos, ele está sob ameaça também no inquérito das fake news.

  • Foram pelo menos dez a agências bancárias do país em menos de dois anos, todos com cidades de médio ou pequeno porte como alvo. E características semelhantes: grupo numeroso de executores, armamentos e explosivos de tecnologia avançada, ação espetaculosa e quase sempre conduzida na madrugada. Neste episódio, a antropóloga Jânia Perla, do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará, resgata o histórico que desembocou nessa modalidade de crime. Ela explica por que “novo cangaço”, termo usado por alguns policiais e analistas, é “nomenclatura imprecisa", que dá caráter rudimentar a algo de planejamento sofisticado e alto potencial de dano. Participa também o jornalista Rafael Honorato, repórter da TV Tem, filiada da Globo no interior de São Paulo. Ele relata o que testemunhou em Araçatuba na madrugada do assalto mais recente. Descreve veículos incendiados e moradores em pânico ao acordar com o barulho dos disparos. “Virou uma cidade deserta, como eu nunca tinha visto”.

  • Num quadro de deterioração das expectativas econômicas e seguidas ameaças do presidente da República à ordem democrática, centenas de representantes dos setores financeiro e produtivo costuraram um manifesto que passa ao largo de qualquer crítica direta, apenas pedindo entendimento entre os Três Poderes em nome da recuperação da atividade. Foi o bastante para que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ameaçassem pular fora da Febraban, uma das signatárias. E a publicação do texto acabou adiada (apenas o agronegócio lançou sua carta aberta). Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com o jornalista Thomas Traumann sobre o que extrair de significado desse vaivém e da repercussão que o documento alcançou antes mesmo de vir à luz. À diferença de iniciativas anteriores, esta não é de pessoas físicas. “Reverbera muito mais”, diz ele. Autor de livro sobre a trajetória de 14 ministros da Fazenda, Thomas analisa a coincidência de o manifesto entrar em pauta no momento em que aparecem, na avenida Faria Lima, cartazes nos quais a imagem de Paulo Guedes vem acompanhada da expressão “faria loser”. Mesmo perdendo todas, ele "vai ficando", até porque os candidatos a substituí-lo vão desaparecendo. “A sensação é de um governo que já se exauriu em suas pretensões". No vácuo, ganha protagonismo o presidente da Câmara, que negociou pessoalmente o adiamento. “Em nenhum outro governo Arthur Lira teria tanto poder".

  • Em sua maior mobilização em pelo menos 3 décadas, mais de 6 mil representantes de dezenas de etnias marcam presença, há uma semana, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal. O motivo é um julgamento, que a Corte deve retomar nesta quarta, cujo desfecho ameaça limitar o que há de mais essencial para esses povos: o direito originário à terra. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe duas convidadas: Samara Pataxó, coordenadora jurídica da Articulação dos Povos Indígenas, e Isadora Peron, repórter do jornal Valor Econômico. Samara, entrevistada num intervalo dos trabalhos na manifestação, explica como a tese do “marco temporal” contradiz o texto da Constituição, ao restringir o direito a quem puder comprovar que já estava no território em 1988. A Carta “reconhece claramente que a relação com a terra é ancestral” -- o que, lembra Samara, “não tem relação com critérios temporais”. Ela puxa o fio dessa história, que começa em outro julgamento (do caso da reserva Raposa Serra do Sol, em 2009), passa por decisão tomada na gestão Temer e vem dar na ostensiva política contrária aos indígenas do governo Bolsonaro. A conversa com Isadora esclarece os interesses em jogo no atual julgamento, que trata de disputa envolvendo os Xokleng, de Santa Catarina. Em especial, o interesse do agronegócio pela limitação do direito originário. A repórter adianta a possibilidade de um dos ministros pedir vista, para ganhar tempo. E também a de uma “solução intermediária”, a partir de costura interna no tribunal.

  • Depois de meses de inação, o governo ensaia as primeiras medidas para reduzir o consumo de energia, enquanto o Operador Nacional do Sistema Elétrico alerta: já a partir de outubro, não será possível garantir que as usinas supram a demanda do país. Ainda assim, o ministro da Economia pergunta “qual é o problema” de termos tarifas mais caras “se choveu menos”. A ex-diretora da Aneel Joisa Dutra, atualmente na FGV, explica: os reajustes da conta de luz, um dos vilões da escalada inflacionária, têm o poder de se disseminar por uma série de preços de produtos e serviços. Fora o impacto negativo de um eventual racionamento - que até aqui o governo descarta - sobre o crescimento do PIB, como aconteceu em 2001. Participa também do episódio Manoel Ventura, repórter do jornal O Globo. É ele quem mapeia o status dos reservatórios diante da maior seca em quase um século, detalhando o plano oficial de usar o sistema do Nordeste para socorrer o Sudeste, onde a situação é pior. Manoel comenta ainda o bem-vindo avanço na produção de energia eólica e solar.

  • Em meio século de viagens pelo país, Araquém Alcântara testemunhou como poucos as mudanças sofridas por nossos principais biomas. Tempo suficiente para se indignar com “a incapacidade dos brasileiros de entender a importância de seu maior patrimônio”. Neste episódio, que celebra o aniversário de 2 anos de O Assunto, Araquém conta a Renata Lo Prete algumas das histórias que ouviu e, principalmente, das cenas que registrou em fotos premiadas aqui e no exterior. Em uma dessas passagens, relata seu encontro com uma onça-pintada, em setembro de 2020, no Pantanal destruído pelas chamas. “Nunca tinha visto um fogo tão avassalador”, relembra. E ali teve “uma epifania”, diante “daquele animal belo como uma esfinge, me olhando com uma expressão que dizia ‘vai dar certo’.” Araquém fala ainda da Amazônia, cuja paisagem, em anos recentes, foi transformada pelo “crescimento vertiginoso do garimpo ilegal”. E alerta para a urgência de tratar da questão ambiental como “do pão que comemos”.

  • Da sabatina amistosa na Comissão de Constituição e Justiça ao folgado placar no plenário, nada fez lembrar a turbulência política dos últimos dias e os questionamentos que pesam sobre o procurador-geral da República. Diante da CCJ, Augusto Aras cantou a música que todos ali queriam ouvir, analisa Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo, comentarista da Rádio CBN e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura. A saber: contra a “criminalização da política” e os excessos da extinta força-tarefa da Lava Jato. Em conversas prévias, “ele convenceu senadores a descasar a recondução dele da indicação de André Mendonça ao Supremo”, explica Vera na conversa com Renata Lo Prete. No caso de Mendonça, prevê a jornalista, o Senado tende a optar pelo "banho-maria", pelo menos até ver até onde vai a escalada golpista de Jair Bolsonaro. Com mais dois anos à frente da PGR, caberá a Aras receber o relatório final da CPI da Covid -o que abre a perspectiva de alguma redução de danos para o presidente da República.

  • Faz tempo que o discurso animado do ministro Paulo Guedes tem pouca aderência com a realidade da maioria dos brasileiros. A novidade é a deterioração das expectativas de quem, até aqui, vinha endossando as opções do governo Bolsonaro na economia. Ibovespa negativo no acumulado do ano, real se desvalorizando muito além de outras moedas, juro futuro empinando na contramão do mundo: é a “reprecificação do risco Brasil”, explica neste episódio Mário Torós, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central e sócio-fundador da Ibiúna Investimentos. Na origem do fenômeno está, segundo ele, o desmantelamento do edifício fiscal que começou a ser construído no governo Temer. “O que a gente vê são notícias constantes de busca de novos gastos e despesas", diz ele, referindo-se à primazia do projeto reeleitoral do presidente da República sobre o teto de gastos. E a constante pregação golpista de Bolsonaro também tem seu peso: “Essa direção é equivocada. Economias prósperas são democracias modernas".

  • Noadias Novaes é professora no sertão do Ceará. Desde o início da pandemia ela vai de bicicleta dar aulas a crianças com deficiência — e com escolas fechadas, passou a agregar alunos sem deficiência, a pedido das famílias. "Todos ganham, principalmente com a descoberta de valores que não se aprendem nos livros: respeito, diversidade, empatia", diz Noadias em conversa com Natuza Nery neste episódio. A professora relata como é seu dia a dia ao ensinar crianças de várias idades e níveis diferentes de conhecimento. "O ambiente escolar é uma extensão da sociedade – e por isso não pode ser excludente", resume. Noadias relata como a inclusão de crianças com deficiência em salas "comuns" ajuda no aprendizado de todos, ao contrário do que declarou o ministro da Educação Milton Ribeiro no fim da semana passada. "Um aluno com deficiência não atrapalha. Ele só nos ensina", afirma. Neste episódio participa também Rodrigo Hübner Mendes, fundador e diretor do Instituto Rodrigo Mendes, que pesquisa técnicas de ensino para pessoas com deficiência. Rodrigo relembra a revolução pela qual o país passou nas últimas duas décadas em relação à inclusão. "É um direito da criança estar em convívio em uma escola comum", diz. Sobre a fala do ministro – que declarou que 12% das crianças com deficiência tornam "impossível a convivência" em sala de aula - Rodrigo é claro: "estudo esse assunto há 25 anos, não sei de onde ele tirou esse número". Para ele, o apoio ao professor é um dos pilares da inclusão. Rodrigo reforça ainda como a educação "melhora para todos" quando escolas matriculam alunos com deficiência. "Poder ter perfis variados é muito valioso. Isso estimula habilidades e competências valiosas para o mundo contemporâneo", conclui.

  • Antes da vacinação engrenar no Brasil, o grupo que mais registrava casos graves e internações por Covid eram os maiores de 60 anos. Eles, junto com os profissionais de saúde, foram os primeiros a receberem o ciclo completo de imunização. Agora, meses depois da aplicação das doses, o número de pessoas internadas com 80 ou mais atingiu o maior patamar desde o início da pandemia, afirma a Fiocruz. “A vacina não zera o risco. Ela diminui, e muito, mas não zera”, reforça o pesquisador Marcelo Gomes, integrante dos Métodos Analíticos em Vigilância Epidemiológica da Fiocruz e coordenador do Boletim Infogripe. Em entrevista a Natuza Nery, Marcelo explica a alta das internações das pessoas acima de 60 anos em cidades como Rio e São Paulo e defende a aplicação da terceira dose neste grupo. “Não sabemos se de fato vai melhorar, mas não oferece riscos. Neste cenário, acho importante antecipar”, opina. Também neste episódio, o infectologista Bruno Scarpellini conta o que vê no dia a dia da UTI de Covid do Hospital Samaritano Vitória, na capital fluminense.

  • Depois de sair do mapa da fome da ONU, em 2013, estamos de volta ao mesmo patamar de insegurança alimentar do início dos anos 2000: quase 10% dos brasileiros não têm o que comer. “É a história se repetindo como farsa e como tragédia”, sentencia Marcelo Canellas, repórter do Fantástico, em entrevista a Natuza Nery. Em 2001, Canellas rodou o país para uma série de reportagens sobre a fome no Brasil e, agora, 20 anos depois, enfrenta novamente o desafio de contar as mesmas histórias. “Vejo um país concentrador de renda, concentrador de terra e um lugar no qual os ricos devem aos pobres o financiamento da educação pública”. Participa também deste episódio o economista Walter Belik, diretor-geral adjunto do Instituto Fome Zero e professor titular aposentado da Unicamp. Ele explica como os índices de segurança alimentar já vinham caindo desde antes da pandemia - resultado do desmonte de políticas públicas que tornaram o Brasil exemplo para o mundo. Belik fala ainda do paradoxo brasileiro (que produz cada vez mais comida enquanto o número de famintos cresce) e dá a receita para o governo tirar o país da atual “situação de urgência da fome”.